General de governo hamburguense opta por não falar

As Forças Armadas estão no centro de diversas polêmicas envolvendo o governo do presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido).

Na semana passada, por exemplo, a realização de um desfile de blindados e outros veículos, em frente ao Palácio do Planalto, para uma simples entrega de um convite ao presidente foi alvo de muitas críticas – inclusive de gastos públicos desnecessários com o dinheiro do contribuinte.

Ao mesmo tempo, o presidente está rompido com seu vice-presidente, o general Hamilton Mourão. Ambos já trocaram diretas e indiretas.

Bolsonaro comentou: “Por vezes, aí, (o Mourão) atrapalha um pouco a gente, mas o vice é igual a cunhado: você casa e tem que aturar o cunhado ao seu lado”.

Já o general Mourão se manifestou em rede social: “”Desde 2018 tenho viajado pelo Brasil e muitas pessoas falam que votaram na chapa JB-Mourão por confiar em mim. Em respeito a essas pessoas e a mim mesmo, pois nunca abandonei uma missão, não importam as intercorrências, sigo neste governo até o fim”, escreveu no Twitter.

Mourão praticamente não participa das reuniões ministeriais e, no desfile da semana passada, não se fez presente. Há um evidente ruído e desencontro de ideias entre capitão e general.

CARGOS

A presença recorde de militares em cargos públicos também chama a atenção, assim como os desgastes envolvendo a presença de militares da ativa no governo.

Fora isso, ainda há ameaças veladas de convocação das Forças Armadas caso algumas decisões do Poder Judiciário e/ou Poder Legislativo extrapolem com o que Bolsonaro não concordar.

Há uma interpretação dentro do governo federal de que as Forças Armadas devem atuar como Poder Moderador, ou seja, usar a força e colocar tanques nas ruas caso haja excessos. É uma leitura que não está clara.

GOVERNADORES

Nesta segunda-feira, governadores de 13 Estados e do Distrito Federal divulgaram uma nota conjunta em que se posicionam de forma solidária ao Supremo Tribunal Federal (STF) em meio ao que chamam de “constantes ameaças e agressões”.

Os governadores não citam nominalmente o presidente Jair Bolsonaro, que tem atacado integrantes da corte, especialmente os ministros Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso.

A nota foi assinada pelos governadores de Bahia, Rui Costa (PT); Maranhão, Flavio Dino (PSB); Pernambuco, Paulo Câmara (PSB); São Paulo, João Doria (PSDB); Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB); Ceará, Camilo Santana (PT); Paraíba, João Azevêdo (Cidadania); Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB); Piauí, Wellington Dias (PT); Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT); Alagoas, Renan Filho (MDB); Sergipe, Belivaldo Chagas (PSD); Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), e Amapá, Waldez Góes (PDT).

GENERAL EM NOVO HAMBURGO

Diante de tantos movimentos e inquietações envolvendo as Forças Armadas, solicitei entrevista com o general Roberto Jungthon. Desde janeiro de 2017, ele é o titular da Secretaria Municipal de segurança de Novo Hamburgo. Foi uma das novidades no governo de Fátima Daudt (PSDB), que só se refere a ele como “General”.

Jungthon é um dos militares mais graduados do país. É General de Divisão. Ingressou no Exército em 1972 na Escola Preparatória de Cadetes. É bacharel em Ciências Militares, mestre em Ciências Militares e doutor em Ciências Militares pela Escola de Comando e Estado-Maior do Exército.

Como Oficial-general, exerceu cargos de Comandante da 18ª Brigada de Infantaria de Fronteira e Chefe do Estado-Maior do Comando Militar do Sul.

Fiz o pedido de entrevista à assessoria de imprensa da Prefeitura e repassei a pauta.

Recebi a seguinte manifestação do general:

“Não me manifestarei sobre Forças Armadas. Há militares da ativa responsáveis por fazê-lo. Reafirmo minha convicção no respeito aos preceitos constitucionais de sua atuação, que estão muito claros na Constituição Federal.”

Eis a democracia. O convite para a entrevista foi feito. O general preferiu silenciar sobre o tema.

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