​Gabriela Inovativa

A desobediência
era uma característica de Gabriela desde o seu nascimento. Era inquieta, se
mexia, curiosa e, além de tudo, birrenta. Foi crescendo como uma rebelde sem
causa até que descobriram que tudo era mais do que parecia.

No dia em que resolveu
sair de casa falou para seus pais: se livraram da chata! Era assim que ela se
sentia! Mas no fundo do seu coração ela sabia que, por mais chata que a
chamassem, ela se sentia mesmo era: incompreendida.

A sensibilidade
dela era acima da média, estava sempre observando mais do que as pessoas normais
enxergavam e tinha um ponto de vista muito distante da maioria. Ouvia, normalmente,
que estava fugindo do assunto, que não entendia nada e que sempre fazia força
para ser do contra, aliás, alguns professores não gostavam daquela menina que
perguntava demais.

Era corajosa! Se
inscreveu num curso de técnico em eletrônica, nada ligado ao que sua família imaginava
para ela. A rebelde sem causa parecia estar perdida! O que mais escutava é que
não duraria mais de 6 meses para desistir do curso e retornar para casa.

Não foi isso o
que aconteceu!! Passou fome, mas não voltou para casa. Ficava noites e noites
sem fim estudando e fazendo o máximo que podia e se oferecia para ajudar o
professor quando esse nem solicitava. Na mente dela, o aprendizado era mais
importante do que qualquer fofoca ou pensamento fora de seu objetivo principal.

Estranhamente,
ela sabia que não precisava provar nada para ninguém, além de si. Isso causava
estranheza em seus familiares, pois entendiam que era independente demais. Ela
estudava e trabalhava com pessoas de outras raças, credos, nacionalidades,
línguas, costumes e isso nunca a atrapalhou. Era do mundo! Era da vida!

Não tinha apegos
a nada, não estava nem aí pra carro, casa, roupa de luxo ou extravagâncias
normais daquela sociedade em que foi criada. Para ela só importava uma coisa:
fazer o que sentia que era bom para sua vida, desde que a respeitassem e não
desrespeitasse a ninguém. Ela queria ser livre, sem amarras ou preconceitos.
Uma alma leve!

Antes de terminar
o curso já estava desenvolvendo um projeto, ligado a área que estudava e a
outra que gostaria de se aprimorar. Começou a divulgar internamente sua ideia e
agregou um time de primeira linha, que só precisava de uma característica:
querer fazer com excelência e sem precedentes!

Um professor que
a observava fez questão de aconselhá-la durante todo o período , pois vislumbrava
o que estava nascendo. Desde as dúvidas mais corriqueiras até as mais
complexas, aquele professor encantado acreditou e entendeu o que ela queria pra
si e pro mundo.

De pretensiosa ,
ela não tinha nada! De destemida, tinha tudo! Queria mudar o mundo! Hoje, agora!
Sem demora! O professor aconselhava, orientava e ela aquiescia, sempre
questionando, mas entendeu, que ele realmente queria lhe ajudar.

O tempo passou, o
projeto prosperou, os investidores apostaram e ela estava onde queria: com 21
anos, empresária, empreendedora e mais, visionária em um grande projeto que já
iniciava com sucesso. Dezoito meses depois, já tinha feito um faturamento com
mais de 6 dígitos e uma equipe com algumas dezenas de colaboradores.

Sabe o que ela
fez? Chamou o professor para gerenciar a empreitada, pois entendeu que sua
principal força não estava ali. A parceria floresceu e cinco anos depois ela
estava presente em mercados do mundo inteiro.

Ela tinha um
propósito muito claro, mas pouco entendido. Isso acontece muito!!! As pessoas
ao seu redor nem sempre entendem onde você quer chegar e se restringem às
suas visões, às suas realidades, maiores ou menores, que sejam. Muitos de nós
utilizamos essas visões como balizas em detrimento à nossas crenças mais fortes,
impregnada em nosso coração e que o mercado aceite, logicamente.

A maturidade dela
em relação aos acontecimentos, a sua postura perante si , os resultados em um
mercado competitivo, e a aceitação de seu seu projeto, demonstram, mais do que
nunca a sua genialidade.

Aquela garota da
“pá virada” em realidade era uma inovadora empreendedora que sabia o que queria
desde muito cedo! Ela não era complicada, era determinada! Ela não era
birrenta, simplesmente acreditava em suas crenças e fez! Já viu alguma Gabriela
por aí? Parece que temos uma geração impregnada desse espírito disruptivo, ou
melhor, acertivo!

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