Deu vontade de chorar. Mas segurei. Acabei de passar por uma das maiores humilhações da minha vida como jornalista. Na Prefeitura de Novo Hamburgo. Leram bem: Novo Hamburgo.
Contudo, não é novidade esse descaso de alguns servidores municipais em relação a minha pessoa. Determinados integrantes do atual Executivo, por não gostarem do trabalho que faço, estão seguidamente prejudicando minha atuação.
Por vezes, não recebo e-mails; outras vezes, não chegam respostas de esclarecimentos. Agora, o fato novo: fechar a porta na minha cara. Na cara da imprensa.
Recebi ontem o seguinte e-mail da assessoria de imprensa da Prefeitura de Novo Hamburgo: SUGESTÃO DE PAUTA: Prefeitura lança site oficial da Guarda Municipal. Estava marcado para 14h30. Hoje pela manhã, recebi novo e-mail informando a antecipação da pauta: 14 horas. Cheguei no Centro Administrativo Leopoldo Petry antes das 14 horas. Está tudo gravado nas câmeras, caso alguém tenha dúvidas. Fui até o gabinete do prefeito e recebi a informação pela telefonista que deveria esperar.
Num minuto, fui até a sala da imprensa e larguei um material para distribuição na Prefeitura. Voltei para esperar a liberação para entrar no evento para o qual a imprensa foi convidada. Só eu no sofá. Nesse meio tempo, cumprimentei o vereador Naasom Luciano (PT), que estava reunido com o secretário Gilmar Valadares.
Lá pelas tantas, a telefonista atendeu uma chamada e, em ato contínuo, fechou a porta do gabinete. E eu, sozinho, do lado de fora. Fiquei esperando. O tempo passando. Perguntei para a telefonista: tem certeza que o evento não começou? Ela confirmava: não. O tempo passou. Voltei para sala da imprensa. Questionei o integrante da equipe Ivan Lauffer se o evento era 14h ou 14h30. Ele não soube responder ao certo, mas olhou no site e achava que era 14h30. Também não buscou resolver a situação.
Voltei para o sofá. Já eram 14h20 quando perguntei à telefonista pelo repórter Paulo Barcelos, que faz as pautas de segurança. A telefonista entrou para o gabinete e fechou a porta. Quando retornou, saíram da sala o diretor da Guarda Municipal, Marcos dos Santos, e o secretário municipal de Segurança e Mobilidade Urbana, Egon Kirchheim – que veio me cumprimentar. Era o fim do evento. A sala ficou vazia.
Nesse meio tempo, a telefonista tinha chamado o diretor de Comunicação da Prefeitura, Ibanês Mariano, para verificar a situação. Ele disse que estava envolvido com pauta do Hospital Municipal, não podia fazer nada, virou as costas e foi embora. Aliás, Ibanês é o mesmo que visitei na semana passada para conversar sobre o trabalho da imprensa e, durante a conversa, não garantiu que iria atender pautas e esclarecimentos solicitados por mim. Tenho um histórico de não receber respostas dos colegas da comunicação. Ele confirmou que essa situação pode continuar.
Uma funcionária do gabinete ainda veio me afrontar, dizendo que a porta não tinha sido batida na minha cara. É verdade, mui eficiente servidora, não foi: eu estava a três metros quando bateram a porta, me deixando do lado de fora. Fecharam a porta na minha frente. Na minha cara, sim. Essa funcionária ainda culpou a equipe de comunicação pela situação, que não teria avisado que o evento era aberto à imprensa.
O diretor de Comunicação nada disse. Nem desculpas. O repórter da Prefeitura que cobriu o evento apenas disse: “Vamos enviar release”. E eu, jornalista convidado para o evento, que tinha me preparado para a pauta, que destinei tempo para falar do novo site da Guarda Municipal e trazer boas novidades, fui humilhado e ignorado por servidores municipais.
Novo Hamburgo. Dias de censura. Dias de desrespeito. Dias de humilhação à imprensa e ao jornalismo.
