Feliz Natal, Gari Noel!

Aconteceu na noite desta terça-feira. Por volta de 20h10.

Eu sou morador do bairro Rio Branco, em Novo Hamburgo. Recebi uma ligação telefônica de minha mãe para esperar ela na frente do prédio em razão de um material que precisava me repassar.

Lá me fui – de pijama. Sim, eu durmo de pijama e, eventualmente, circulo pelo prédio de pijama e chinelo. Acontece. Bom, mas isso não importa.

Então, nesta agradável e até fresquinha noite de terça-feira, na semana de Natal, lá estava eu esperando minha mãe na calçada.

Eis que aponta na esquina da rua o caminhão da coleta de lixo. Vem, encosta, saltam os coletores – ou garis -, recolhem o lixo, jogam pra dentro do caminhão, que faz a compactação. E segue o baile.

Até que o caminhão passa bem na minha frente e eu tenho minha atenção desviada por uma touca de Papai Noel. Uai?! Será que vi bem.

Era isso mesmo. Um dos garis do caminhão estava vestindo a touca de Noel. Meu olhar ficou preso no comportamento do Gari Noel.

Mais uma lixeira à frente, mais um amontoado de sacos de lixo. E lá se foi ele: saltou para pegar os materiais com a touca esvoaçante. Enquanto jogava no caminhão, seu parceiro – seria um Gari Duende?! – tratava de organizar e compactar o material no caminhão.

Enquanto ele recolhia o lixo do nosso prédio, ia cantarolando e parecia feliz. A touca de Noel, inquieta, não parava de saltitar na sua cabeça.

Eis que deu um estalo.

“Trupicando” nos meus chinelos e fardado de pijama, saí em disparada pelo passeio público e avancei pela rua. Chegando perto do caminhão, gritei: “Quero uma foto, quero uma foto do Papai Noel recolhendo lixo”. Saquei meu celular do bolso e me posicionei. Prontamente, o Gari Noel soltou um sorriso, fez um gesto com as mãos e se deixou fotografar. Em seguida, o Gari Duende gostou do momento estrelato e veio junto para um registro.

Agradeci aqueles menos de dez segundos de atenção e, nisso, o caminhão seguiu com a dupla já posicionada em seus lugares na parte de trás.

Neste 2020 desta detestável pandemia temos muitos motivos para reclamar, para chorar as perdas de familiares amigos, para lamentar muita coisa que não foi realizada. São episódios pelo mundo, que já contabiliza quase dois milhões de mortos pela pandemia.

Num ano tão pesado, tão confuso, tão sofrido, os garis estiveram ali onipresentes durante todo este tempo, levando nossos resíduos e coletando os sacos de lixo – que podiam estar contaminados, sim. Eles seguiram se expondo a contatos e ao vírus. Enquanto alguns brasileiros dormiam ou descansavam sem precisar ir ao trabalho – afinal, os direitos asseguravam o salário ao final do mês -, lá estavam os garis correndo muitos riscos.

Desconheço a identidade do Gari Noel. Talvez venha a conhecer pessoalmente esse trabalhador. Ele traz uma lição que serve para todos: se cada um fizer um pouquinho, a magia acontece.

O ano de 2020 comprovou que, mais do que nunca, dependemos uns dos outros – direta ou indiretamente. O Gari Noel fez a sua parte: colocou a touca e foi realizar o seu serviço.

E cá estou, na noite desta terça-feira, digitando emocionado este texto e ainda sensibilizado por esse pequeno gesto desse grande homem. Um exemplo de como cada um pode fazer a diferença para melhorar o mundo.

Feliz Natal, Gari Noel – e também pro seu fiel parceiro!

Sair da versão mobile