Fátima Daudt no MDB: badalação, prestígio e bola nas costas do vice

A prefeita de Novo Hamburgo, Fátima Daudt, é do MDB.

Após ter deixado o PSDB, ela ficou alguns dias analisando convites.

Nesta segunda-feira (5), ela se filiou ao MDB em concorrida cerimônia no Diretório Estadual da sigla, no Centro Histórico de Porto Alegre.

O clima na chegada da prefeita foi de badalação e prestígio pela grande representatividade das lideranças políticas da sigla e aliados.

Entre as presenças, estavam o ex-governador e ex-senador Pedro Simon; o prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo; o presidente estadual do MDB, Fábio Branco; o presidente do partido em Novo Hamburgo, Deiwid do Amaral; os ex-senadores José Fogaça e Ana Amélia Lemos; os deputados federais Giovani Feltes e Alceu Moreira; os deputados estaduais Gabriel Souza, Tiago Simon, Beto Fantinel e Juvir Costella; a ex-prefeita de Dois Irmãos Tânia Terezinha da Silva; o ex-deputado federal Luis Roberto Ponte; além de secretários municipais e membros da Executiva do MDB de Novo Hamburgo.

Pedro Simon rasgou elogios à prefeita, considerando sua chegada uma “bênção do céu” “Te recebemos com muita emoção, com muita alegria. És um grande nome, que tem um encontro com o destino do Rio Grande do Sul”, afirmou o ex-governador.

Fátima Daudt se mostrou feliz com a nova casa em sua trajetória política: “Eu ingresso hoje no MDB com muita disposição, coragem, lealdade e vontade de contribuir e trabalhar para melhorar o meu partido e a vida das pessoas. Fazer política é isso. Contem comigo nas boas lutas!”, comentou.

A sinalização inicial do MDB foi clara: haverá espaço pra hamburguense pensar em voos maiores na política.

BOLA NAS COSTAS

A decisão de Fátima Daudt de ingressar no MDB também teve o efeito de ser qualificada como “bola nas costas” do seu vice-prefeito em Novo Hamburgo, Márcio Lüders. O sentimento foi colhido junto a algumas vozes que circulam no Centro Administrativo Leopoldo Petry e também nos partidos MDB e PSDB.

Isso porque, em junho deste ano, Lüders deixou o MDB após militar por quase 30 anos no partido – o Portal Martin Behrend noticiou essa saída: https://martinbehrend.com.br/noticias/noticia/… .

Lüders, que além de vice-prefeito é o atual diretor-geral da Comusa, decidiu deixar o partido após ser derrotado numa disputa interna para Deiwid do Amaral. Além de desejar se manter no comando da sigla no município, o vice-prefeito também tinha planos de se lançar candidato a deputado estadual neste ano.

Lüders teve sua proposta interna derrotada, deixou o partido por não se identificar com o novo projeto e não está na disputa a uma vaga na Assembleia Legislativa. Pra completar, ele vê a prefeita ingressando com festa exatamente na sigla que acabou de sair. Um contexto pra lá de desconfortável.

Márcio Lüders não voltará ao MDB. Ao sair do partido, ele fez questão de explicar à prefeita que o projeto do qual ele fazia parte estava encerrado e não tinha mais motivação para continuar. “A prefeita, de forma democrática e absolutamente republicana, escolheu seu caminho. Nossa política no país acontece através dos partidos e, assim como ela, em breve devo anunciar meu caminho. O mais importante é o compromisso que ambos temos com a cidade e com seus cidadãos independente de cor partidária.”

Ele ainda não definiu o partido que vai ingressar e tem convites de cinco siglas: PL, União Brasil, Cidadania, PDT e PSDB.

FERIDAS

Embora o discurso oficial seja respeitoso e de agradecimento, é de conhecimento nos bastidores que existem feridas abertas nas relações políticas do governo municipal.

Assim também foi com Fátima Daudt ao deixar o PSDB. O racha com lideranças tucanas como o deputado federal Lucas Redecker – que foi um dos principais responsáveis em atrair Fátima ao PSDB – e do governo estadual é uma realidade.

Ou alguém imagina que uma pessoa vai sair de uma partido por estar feliz, prestigiada e contente? Claro que não. Ao deixar o PSDB, Fátima Daudt voou do ninho tucano por disputas internas, por se sentir desprestigiada e por discordar de decisões da sigla no Estado.

A prefeita pode até vir a público com um discurso diferente, mas a verdade é uma só: os rachas existiram e ela foi em busca de novos ares. Isso acontece a toda hora na política.

E Fátima Daudt escolheu justamente o campinho onde o seu vice-prefeito foi “expulso”. Uma tremenda bola nas costas que o tempo vai poder curar – ou não.

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