Os bastidores empresariais, políticos e de negócios tem no poder um elemento comum. Esse elemento ressalta quem define, quem tem a palavra final, a política de abertura ou não a decisões e, principalmente, a miopia aliada a razão. Explico:
Não há como ter um ambiente de inovação sem que o foco principal seja a razão de alguém. Ou tem? A colaboração pura amplia e nem sempre resolve.
As metodologias ágeis, governança e outro métodos, importantíssimos, são alinhados a uma cadeia de poder e influência. Esse modelo é muito utilizado ainda, apesar de não estar claramente amplificado e aplicado a realidade de mercado, da menor a maior organização. Ele está alicerçado na boa e velha cadeia de comando, desde Sun Zu.
Em meu trabalho como mentor de negócios me deparo com situações anacrônicas e sem noção, de empresas com altos padrões de governabilidade, aliado a batuta final. A autonomia não se restringe ao propósito e sim a cadeia de comando.
Cada vez mais essa razão está em queda, por uma simples questão: a possibilidade de não dependência de um CNPJ hoje é muito maior do que em toda história. Cada um pode ser o seu CNPJ! A barreira de entrada de um novo negócio ou troca de posições é frequente e, cada vez mais, natural.
Há muitos que ainda não entenderam essa mudança social e reforçam a cadeia de comando e nem se preocupam com o objetivo principal que faz a empresa estar ali.
Quem é dono do capital, sócio, investidor, naturalmente, tem maior peso, por ter o maior risco. Infelizmente há muito poucos que sabem realmente funcionar com base em um propósito maior. Muitos funcionam com base no comando. Medir é importante, sempre! Mas o que medir, porque medir e como medir está mais adequado a realidade atual, com um conjunto de práticas que sustentam, sem deixar de flexibilizar.
Realidades Mundiais
Projetos mundiais são alinhados com diferentes pessoas em diferentes continentes, sem uma cadeira de comando clara e, sim, com um propósito claro, que alinha a todos com uma cultura advinda desse fulcro agregador. Se o resultado é bom, emplaca. Se não, empaca! Simples assim!
Há vários conceitos de empresa, novos e antigos, mas todos sempre se alinham com o que Peter Drucker afirmou: conjunto de pessoas em prol de um objetivo. Pessoas! Pessoas! Pessoas!
Atrás das empresas, dos governos e dos negócios. O modelo hierárquico, e mesmo o orgânico, tem uma barreira muito forte nesse sentido. Por mais sutil que seja, há de se ter um decisor, o que é fundamental.
Mas ele está ou não alinhado a um propósito? E quando alguém o contesta, ele aceita, com humildade ou impõe a sua razão?
Barreira ou Ponte?
Aí que que está! Nessa sutileza “velada” se encontra um dos grandes paradigmas do mundo atual. Por mais difuso que o mundo esteja, sempre há alguém para dar a palavra final nas empresas, no governo, o que é natural. Mas esse alguém, está preparado para ser barreira ou ponte?
Esse um ponto fundamental e que difere quem está tendo sucesso ou fracasso no mundo de hoje: razão ou visão?
Não há necessidade de sabermos tudo e nem sermos os melhores na empresa. Tem pessoas melhores do que nós! Sempre haverá! A questão é: vamos utilizar a visão dessas pessoas ou manter nossa razão em tudo o que fazemos, da menor a maior decisão? É meu? Eu que mando?
Essa miopia e falta de estar aberto ao novo faz com que muitas empresas não consigam passar a ponte entre o que foi e o que virá no mercado. Conheço várias, com processos horizontalizados, que são reféns de um decisor e não de uma tradução clara e ampla do propósito na cultura empresarial.
Ou seja, não basta mais ser investidor e não se envolver, ou só olhar os números. A empresa precisa ter uma razão maior para existir, para ser comprada ou desejada, sob pena de ser um amontoado de gente, recursos e estruturas que não tenham mais utilidade. Uma clara mudança hoje se deu na Apple: investidores enormes exigindo políticas de diminuição do uso de celulares por crianças.
E mais uma máxima que cai por terra: do mais forte. Não basta mais ofertar o que há de melhor no mercado, com a maior cadeia de distribuição! O que é isso mesmo com tanta inovação?
Observe o que o Uber fez com a mobilidade urbana no mundo, iniciando em 2008 da ideia de dois jovens envolvidos em tecnologia. Até as mais poderosas montadoras de automóveis estão mudando sua atuação, além do Google e da Embraer, entre tantas outras.
Fases e maturidade
Ainda estamos na fase do “melhor do que o outro”, bem típico de um mundo focado no poder da razão. Ou será que é o nosso mundo local e regional?
Nem vou citar o sentimento aqui! Caberia! Citarei somente a empatia, a sensibilidade, com a realidade que, na maioria das vezes, está em baixo dos nossos narizes. A teoria e a prática tão distantes!
Meu foco de trabalho é a Ideação, fase em que se pensam e se constroem os propósitos, negócios, se re-significam empresas, alinhados as pessoas envolvidas, a cultura oriunda e a tradução deste contexto em rumos e estratégias para criar algo novo, singular, original e influente. Em qualquer tamanho e fase!
Por isso afirmo e reafirmo: a maioria dos propósitos existentes ou presentes são superficiais, como o mundo. Muito poucos são realmente conectados com a essência e a alma humana e, por consequência, com a essência e alma de quem a comprará. As repercussões disso tudo geram um alinhamento ou uma distonia, muito presente atualmente.
Quer um exemplo: muitas empresas focam no cliente. Certo? OK! Tente escolher a forma de pagamento que você quiser ao invés de aceitar a que a empresa oferece! Tente entrar em contato através da rede social que você mais gosta e que a empresa não usa. Foco no cliente! Me poupe! Aprenda com o cliente, isso sim!
Discurso não paga a conta que o bom e velho marketing criou. Mas por melhor que ele seja, não há bom churrasco sem uma boa carne. Na hora em que vai ao espeto, como nós gaúchos costumamos dizer, queima como qualquer coxão de segunda.
Função social
O mesmo Peter Drucker afirma que a empresa é um ente social, com responsabilidade social. Cada vez mais esse é um fator determinante na escolha de compra e de alinhamento. Traduzindo: com quem trabalho! De quem compro! É engajada com as pessoas ou não?
A transparência dos dados está cerceando cada vez mais aqueles que aparentam posições ilusórias sem ter conteúdo de fato. Ainda haverá tempo que a transparência será tamanha que a simples expressão de uma frase por parte de algum integrante de um conglomerado ou pequeno negócio, definirá se há coerência ou não, realidade ou não.
O mundo está com mais informação, mais tempo de estudo e mais crítico. As velhas fórmulas protelatórias de mudar o nome e continuar com o mesmo produto, não funcionam mais. Mudar o nome do serviço para chamar atenção e na prática ser o mesmo, também não funcionam mais.
Ou é real ou não é! Ou tem razão ou tem visão! Se não, terá um problemão!
Obs.…..Artigo opinativo com reflexão e sem fronteiras!
César Silva é Escritor, Palestrante, Professor, Consultor e Mentor de Negócios PMBM®, Autor do e-book Inspirando Rumos – Histórias.
Artigo publicado no portal martinbehrend.com.br
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