A ESPN divulgou nesta segunda-feira (20.11) reportagem
denunciando: o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense espionou adversários com drones
ao longo da temporada. Inclusive o Lanús, da Argentina, adversário na decisão
da Libertadores, que terá sua primeira partida disputada nesta quarta-feira, na
Arena do Grêmio.
A matéria investigativa foi produzida pela jornalista Gabi
Moreira. São vários elementos que apontam para a espionagem. Num primeiro
momento, a ESPN não apresenta documentos ou contratos de que o espião estaria a
trabalho do Grêmio, mas os vários indícios coletados confirmam que alguém
estava espionando clubes de futebol – adversário do tricolor.
É, sem dúvidas, uma reportagem muito interessante. A riqueza
de elementos mostra que a jornalista ficou durante cinco meses apurando e
checando diferentes informações. O Grêmio, inicialmente, nega que tenha
contratado alguém para espionar e quer manter o foco na decisão da
Libertadores. O que está correto. Depois da final, é provável que o tricolor se
manifeste de forma mais aprofundada sobre o tema e cobra provas documentais da
ESPN.
Gostei da reportagem, do caráter investigativo, da apuração
das informações. Contudo, a matéria comete dois pecados capitais. E, um deles,
considero uma desonestidade jornalística.
– O Grêmio, se usou um drone para espionar adversários,
cometeu um crime? O Grêmio agiu fora da lei? O Grêmio agiu criminosamente? O
Grêmio pode ser punido, desclassificado? Ou o Grêmio foi malandro, esperto,
imoral ou antiético – como preferirem? A reportagem não diz. A reportagem não
informa se o Grêmio agiu fora da lei e se pode ser punido. Usar drone é crime?
A reportagem não informa. Ou seja, a reportagem traz uma denúncia de algo
dentro da lei? Isso é denúncia? Faltou essa informação valiosa: foi crime ou
usar drone é legal?
– Durante a reportagem, a jornalista Gabi Moreira usa dois
jogos para justificar que as espionagens foram fundamentais para duas vitórias
do Grêmio, sobre Vasco e Ponte Preta, ambas na Arena. Só um detalhe: na vitória
sobre o Vasco, um dos gols foi marcado numa cobrança de penalidade máxima, e
sobre a Ponte, um dos gols foi marcado após a bola desviar num zagueiro e
enganar o goleiro.
Será que a colega jornalista acredita que o árbitro do jogo
com o Vasco e o zagueiro da Ponte, que desviou a bola, foram influenciados pelo
drone? Como uma matéria jornalística pode dar a entender que um drone
influenciou a marcação de uma penalidade e o desvio do zagueiro da Ponte,
fundamental pro Gêmio marcar um gol? Isso se chama desonestidade jornalística.
Não é possível que uma experiente profissional trate o espectador como um
alienado. Querer sustentar que o drone espião fez a diferença numa marcação de
penalidade e num desvio de bola de zagueiro é tratar o público como imbecil.
De resto, parabéns pela reportagem, apuração dos fatos e
pelo espaço oferecido à direção do Grêmio para se manifestar, garantindo o
contraponto. Uma lástima essa falta de informação valiosa – se houve crime ou
não – e essa desonestidade jornalística, tratando o espectador como um ser
acéfalo e alienado.
A reportagem pode ser conferida aqui: http://cdn.espn.com.br/video/5392432_WEB%20ESPIAOG…

























