A intervenção federal militar na segurança no estado do Rio
de Janeiro assinada pelo presidente Michel Temer, no dia 16 de fevereiro, tem
tudo para dar errado no que se propõe de mais importante que é o combate à
violência.
Mais parecendo um palanque eleitoral – não deu para entender
a presença do ministro Meireles no evento – assistimos as autoridades, no ato
da assinatura da intervenção, naqueles tradicionais cumprimentos e
agradecimentos de praxe, elogios eloquentes e discursos sem nenhum conteúdo
abordando o fato em si: o Rio de Janeiro está sob o domínio dos traficantes e
milícias e a situação está fora de controle.
Partindo dessa premissa o que qualquer carioca ou cidadão
brasileiro desejaria escutar seria algo no sentido de que “adotaremos
tais, tais e tais medidas para combater a situação a partir do dia
“x”, com tais recursos técnicos, usando as “tropas “y” e
“z””, com apoio tático do setor “w”, e equipamentos
oriundos de….” por aí afora. Algo que demonstrasse ao menos um mínimo de
REAL interesse em solucionar – ou amenizar – esse problema que já passou da
hora, ou melhor, dos ANOS de ser solucionado ou mesmo sinalizar que existiu
algum planejamento anterior a data do evento.
Para quem tem cabelos brancos é fácil puxar na memória a Eco
92, conferência internacional sediada no Rio de Janeiro em 1992, oportunidade
na qual o exército foi chamado para garantir a segurança dos participantes e
visitantes presentes. Na época 17 mil soldados tomaram as ruas cariocas.
Faça as contas e verá que estamos falando de 26 anos atrás!
Claro que naquela época o problema da segurança por lá não tinha essa proporção
atual, mas já EXISTIA e sim, trazia medo aos governantes no que se referia a
segurança dos presidentes e demais autoridades visitantes.
De lá para cá, ao longo de quase três décadas, outros
grandes eventos (Rio +20, Jogos Pan-Americanos, Copa do Mundo e Olimpíadas)
aconteceram na cidade maravilhosa e TODOS com a segurança a cargo do exército
por absoluta certeza do prefeito e governador de que o risco era alto.
Já vimos em tempos recentes a ocupação das favelas – isso
mesmo, favelas, pois querer dar outro nome é tentar tapar o sol com a peneira –
onde com grande cobertura de mídia assistimos bandidos armados correndo e
fugindo do local, para depois acontecer a “ocupação e implantação das UPP –
Unidades de Polícia Pacificadora”. Enaltecida por jornais, rádios e TV’s a ação
foi “vendida” para a população como sendo a solução do problema – e
a população acreditou – mas as autoridades esqueceram do principal: correr atrás
dos bandidos, que se esconderam nas favelas onde a “estratégia”
governamental não havia sido implantada. O resultado disso tudo? Bem, estamos
vendo agora.
Grandes cidades como Nova York e Bogotá – cada uma com seu
tipo de bandido e graus diferentes de violência – só tiveram seus problemas com
segurança sanados quando DE FATO os governantes (executivo, legislativo e
judiciário) se uniram e criaram ações duras e radicais contra o crime com
planejamento, investimentos em pessoal e inteligência e longo tempo de
implementação. Algo que no mundo empresarial se chama gestão e que ao fim se vê
resolvido o problema.
Pelo que vi, em 16 de fevereiro, não acredito que isso irá
acontecer no Rio. O palanque foi armado, mais verbas serão alocadas para a
“segurança” – inclusive até ministério irão criar – os soldados estarão nas
ruas, causando aquela sensação de segurança para a população, e algumas ações
midiáticas mostrando a “efetividade das ações contra a bandidagem” serão
realizadas. Algo que no mundo empresarial se chama gestão da crise – onde
o que se busca é minimizar os prejuízos à imagem da empresa – e, ainda por
cima, mal implementada.
Passados alguns meses, infelizmente, os cariocas voltarão a
se deparar com o poder bélico de traficantes e milícias.
Espero – sinceramente – estar 100% errado e, antes que
venham as pedradas, não sou contra uma ação federal para auxiliar na segurança
dos cariocas.
