Especializações

Muitas
pessoas ainda lembram daquela chamada na televisão em que o mecânico informava
desolado para a motorista do veículo que o problema do seu carro era a
“rebimboca da parafuseta”, e que o caso era de difícil conserto.

Pois é, mas é
que o espírito da propaganda era um alerta para o perigo das inúmeras
“especializadas”, que assim se alardeavam com relação a todos os tipos de
automóveis a saber Ford, GM, FIAT , Volks e tantas outras marcas que hoje são
encontradas no Brasil.

Especialistas em tudo, cozinha alemã,
cozinha italiana, frutos do mar, comida campeira,
além dos eletrônicos, hidráulicos, enfim, nada é comum, é tudo com
especializações. Mas estas classificações de “doutor”, “professor” e outras
tantas “excelências” será que criam algum problema de ordem legal, ética ou
moral? Claro que não, então a denominação de especialização é uma coisa
rotineira e totalmente sem consistência, nada a se preocupar, é tudo Brasil!

Na farmácia
todos os funcionários que estão atrás do balcão são farmacêuticos – pois eles
trabalham ali. Mas é que atrás do balcão está também o Farmacêutico, com F maiúsculo, o profissional liberal com curso
superior. Mas como ele também trabalha na farmácia, ele também é o “farmacêutico”
igual a todos os outros funcionários. Como todos estão atrás do balcão são
todos também considerados “especialistas”.

Historinha
real e divertida. Amigo médico em cidadezinha do interior recebe a visita de
uma parente da Alemanha, que em dias tantos percebe uma pane no motor do seu
carro e pergunta o primo sobre um bom mecânico. Este é indicado, a visita é
feita, o motor arrumado, o senhor foi muito gentil, um ótimo técnico, obrigado,
felicidades, adeus.

Dois anos
depois, a parente novamente por aqui e desta vez indaga ao primo médico onde
poderia tomar uma injeção que por alguma razão deveria ser aplicada em algum
hospital, talvez quem sabe um ambulatório – ela era alemã, lembram? – e a
indicação que recebe era para dirigir-se a uma farmácia aberta recentemente,
fica em tal endereço, é fácil.

Apresentou-se
o “farmacêutico” e ela quase desmaiou de susto: era o mesmo mecânico que tão
gentilmente cheio de graxa e limpando a mão com estopa, a havia atendido dois
anos antes. Recuou apavorada, voltou ao primo médico e ouviu a tranquila e
divertida explicação: usando a expressão dos camelôs, isto aqui é Brasil, não
se requer prática nem habilidade. São todos especializados.

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