A Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul já havia se manifestando descartando um surto de meningite no Estado.
Nesta segunda-feira (8), essa informação foi reforçada na Câmara de Vereadores de Novo Hamburgo.
Responsável pelo serviço de vigilância epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Novo Hamburgo, o enfermeiro Edson da Silva esteve na sessão do Legislativo para levar esclarecimentos sobre a cobertura vacinal contra meningite em Novo Hamburgo. Ele destacou as imunizações ofertadas pela rede pública, que atuam contra os tipos mais recorrentes da doença, e as faixas etárias indicadas para cada dose.
Silva, que utilizou o espaço de fala em atendimento a convite requerido pelo vereador Enfermeiro Vilmar (PDT), ainda descartou a existência de um surto de meningite na cidade. “Novo Hamburgo registra uma média de 60 casos por ano”, informou Silva, esclarecendo que é muito baixo o percentual de óbitos.
Ele salientou que a rede municipal de saúde disponibiliza três tipos de vacinas de combate à meningite, uma contra a bactéria meningocócica C, outra que abrange as pneumocócicas e a pentavalente (Haemophilus influenzae tipo b). “Precisamos lembrar as pessoas que só acabaremos com a doença imunizando as crianças. Agimos com as estratégias de saúde da família na educação da população. Cada vez mais percebemos a importância de se manter esquemas vacinais em dia”, frisou. Para Silva, a divulgação de novos casos em municípios próximos resultou em um aumento da procura junto às unidades de saúde, o que deve fazer com que o Município se aproxime da meta de 95% das crianças.
Todas as faixas etárias contempladas no calendário preconizado pelo Ministério da Saúde recebem a imunização contra a meningite tipo C. As vacinas podem ser encontradas em todas as unidades de saúde do Município e na Casa da Vacina, na avenida Coronel Frederico Linck, 900, no bairro Rio Branco. A primeira dose deve ser aplicada aos 3 meses de vida, com reforços aos 5 meses, 1 ano e entre 11 e 14 anos. De acordo com a Gerência de Vigilância Sanitária, a população deve respeitar o calendário vacinal, uma vez que a vacina não é recomendada fora das faixas etárias indicadas.
“Houve um problema de abastecimento no ano passado, e essa demanda ficou represada”, pontuou Silva. O vereador e médico Raul Cassel (MDB) lembrou a importância de se prestar atenção aos sintomas da doença, em especial dor de cabeça intensa, rigidez no pescoço e vômitos.
Gerson Peteffi (MDB) perguntou por que apenas as vacinas contra a meningite tipo C são distribuídas. “Isso é em cima das bactérias que mais aparecem. No momento, o C é mais comum. Por isso que se investe nessas três vacinas”, explicou Silva. De acordo com o enfermeiro, a rede privada oferta novos produtos – contra Meningite B e ACWY, com valor unitário da dose variando entre R$ 500,00 e R$ 600,00. “Se a família tem condição, faça, porque é um investimento na vida do próprio filho”, recomendou.
Edson da Silva aproveitou o espaço ainda para divulgar o início da campanha de vacinação contra a gripe, que se estenderá do dia 10 de abril a 31 de maio, com prioridade inicial para crianças, idosos, gestantes e puérperas. “Ano passado não tivemos nenhum caso do vírus H1N1, e isso é resultado da vacinação. O motivo de muitas doenças deixarem de existir no nosso município é devido à vacinação”, finalizou.
MENINGITE
A meningite refere-se a uma inflamação nas meninges, membranas que revestem o sistema nervoso central. Pode ser causada por diferentes agentes etiológicos como vírus, bactérias, fungos e protozoários e também pode ocorrer por outras causas como traumatismos, por exemplo.
Do ponto de vista da saúde pública, a Doença Meningocócica é a de maior relevância pela magnitude de sua ocorrência e o potencial de produzir surtos.
É causada por uma bactéria: Neisséria Meningitidis (meningococo) que se apresenta em vários sorogrupos, os principais são A,B,C,W,Y e X. A transmissão se dá através do contato direto de pessoa a pessoa por meio de secreções respiratórias. A incubação é em média de 3 a 4 dias, podendo variar até 10 dias. A transmissibilidade se mantém até o meningococo desaparecer da nasofaringe. O grupo etário de maior risco são os menores de 5 anos.
O espectro clínico varia desde febre transitória e bacteremia oculta até formas fulminantes, com a morte do paciente em poucas horas após o início dos sintomas.
