Entrando oficialmente no ano-útil de 2017

Estamos agora
oficialmente em 2017. O carnaval ficou para trás, assim, como o horário de
verão. Pela primeira vez no ano, senti a normalidade da vida urbana em uma
segunda feira. Finalmente entramos no período útil do calendário, e os meses porvir
serão de uma grande ressaca pós 2016. Por sinal, como foi dinâmico o ano
passado, como as coisas aconteceram rapidamente – e como elas vem acontecendo
de forma acelerada nos últimos anos. Nem se esgotaram as piadas sobre a derrota
de 7×1 do Brasil contra a Alemanha, e já teremos copa do mundo novamente no ano
que vem. O ritmo das coisas vem aumentado exponencialmente nos últimos tempos.

Há alguns anos atrás,
ainda na universidade, me recordo de um livro interessante que li sobre a
percepção do tempo durante a vida de uma pessoa. O autor, um PhD de Harvard, justificava
sua tese com uma serie de argumentos, dos quais acabei gravando dois dos
principais: a representatividade do intervalo de um dia na vida de uma criança
e um adulto, assim como a desnecessidade de planejamento futuro durante a
infância. O famoso clichê de “viver o presente”, mas com alguma argumentação
técnica.

Como um bom profissional na área de finanças, nunca tive problema
algum em compreender o conceito de a proporcionalidade, afinal, o montante de
1 real pode parecer muito para quem tem 5 reais na conta bancária, mas talvez
seja pouco para quem tem R$ 1 milhão. Entretanto, o chavão condenando o excesso
de planejamento sempre me pareceu utópico, quase que impossível. Como viver sem
expectativas de futuro?

Enquanto atleta
seguidamente recebia instruções de meu preparador físico para correr 30 minutos
na rua. Sempre achei corridas um tanto quanto entediantes, sendo assim, para
que o tempo passasse mais rápido, dividia esta tarefa em 3 intervalos de 10
minutos. Adiante, ainda fragmentava os 10 minutos em 3 músicas de meu Ipod. O
resultado era uma percepção de tempo acelerada, e uma investida bem-sucedida em
me auto tapear. Sentia orgulho de conseguir aumentar a velocidade dos ponteiros.

Hoje em dia, o desafio é o contrário: como reduzir atividades que me proponho a
fazer, mesmo que muitas vezes involuntariamente. A toda hora sou bombardeado
com pequenas doses de informação, que consequentemente me levam ao planejamento
futuro a desatenção do presente. Suponho que isso seja comum com todos nós — é
muito difícil olharmos uma foto de hambúrguer no Instagram sem planejar a
janta, ou a imagem de pessoas passeando nas areias da praia sem devagar sobre
as próximas férias. A tecnologia de hoje nos impossibilita de ficar aonde
estamos, por maior que seja o nosso autocontrole.

A capacidade de
“multitask” já foi uma das qualidades mais procuradas por empresas, uma
característica de um profissional ágil e dinâmico. Era adjetivo era quase que
obrigatório nem qualquer “job desription”. Hoje, me parece uma simples
commodity. Todos somo multifuncionais, todos executamos diversas tarefas ao
mesmo tempo – mesmo quando não queremos. A tecnologia nos colocou nesta
situação. Talvez tenhamos chegado em na curvatura de volta do ciclo, e voltamos
ao ponto que a serenidade e o tempo melhor gasto na digestão de apenas um
assunto por vez seja o grande desafio no
mercado. Para os que tem interesse no assunto, segue abaixo um link
interessante: http://super.abril.com.br/comportamento/tempo-cada…

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