Mais um município do Vale do Sinos passará a oferecer medicamentos para tratamento precoce no combate à Covid-19.
Assim como Novo Hamburgo, Campo Bom também está se organizando para contar com remédios para um tratamento off label (fora da bula).
A Prefeitura de Campo Bom já está com edital na rua para compra de medicamentos destinados ao tratamento e prevenção do coronavírus e que envolvem itens como ivermectina, cloroquina e azitromicina, entre outros.
Conforme anunciou em suas redes sociais durante a semana, o prefeito Luciano Orsi (PDT) autorizou a compra e já conversou com sua equipe técnica esclarecendo que, embora a farmácia pública deva dispor dos itens recomendados, a decisão pela prescrição é exclusiva do profissional médico em conjunto com o paciente.
Um termo de consentimento será utilizado tendo em vista tratar-se de remédios denominados off label, ou seja, cujo uso não segue indicações homologadas pelos órgãos competentes.
“Foi uma opção minha. Acho que temos que dar o direito de uso a quem acredita na medicação. Venho há semanas estudando e tratando desse assunto por meio de videoconferências com profissionais até de outros estados. Também conversei com prefeitos aqui da região. Ouvindo nossa equipe técnica, que também se apropriou de todas as informações, decidimos por disponibilizar”, destaca o prefeito Luciano Orsi.
Segundo ele, a prerrogativa pela prescrição é do médico que terá o respaldo da farmácia municipal no fornecimento.
“Serão usados de acordo com avaliação e prescrição de cada médico que estará livre para fazê-lo ou não. A Covid-19 é uma doença nova e estamos todos trabalhando para conhecê-la e enfrentá-la da melhor forma”, afirma Orsi, complementado que a compra de Campo Bom é de até 120 mil unidades. “Se não conseguirmos encontrar para comprar de laboratório, vamos recorrer a farmácias de manipulação”, afirma o prefeito.
Estão na lista de aquisição pelo Pregão Eletrônico 053/2020 cloroquina, hidroxicloroquina, ivermectina, dexametasona e azitromicina.
Os únicos que são novos no rol de medicamentos usados contra o coronavírus em Campo Bom são a Cloroquina e a Hidroxicloroquina que em breve devem estar disponíveis.
A secretária municipal de Saúde, Suzana Ambros Pereira, reforça que a indicação destes medicamentos se dará somente se o médico achar que devem ser prescritos e para aqueles pacientes que assinarem um termo de consentimento. Os demais itens do edital reforçam o estoque antevendo que a saída deve ser maior nos próximos dias por estarmos em um momento de alta contaminação em toda região. “Há consenso entre os médicos da rede que é necessária uma avaliação individual do médico ao seu paciente”, reforça a secretária.
Medicamento previstos para serem adquiridos:
20 mil unidades de Cloroquina 150mg
20 mil unidades de Hidroxicloroquina 400mg
20 mil unidades de Ivermectina 6mg
20 mil unidades de Dexametasona 4mg
40 mil unidades de Azitromicina 500
NOVO HAMBURGO
Nesta semana, a prefeita de Novo Hamburgo, Fátima Daudt (PSDB), já havia se posicionado sobre esse tema na mesma forma.
No caso de Novo Hamburgo, o contato está sendo feito com o Ministério da Saúde para o fornecimento dos medicamentos.
No município terá o mesmo procedimento: médico e paciente vão se responsabilizar pelo tratamento: https://martinbehrend.com.br/noticias/noticia/id/8136/titulo/tratamento-precoce-da-covid-19-em-novo-hamburgo-medico-e-paciente-deverao-assinar-documento-se-responsabilizando
SOCIEDADE BRASILEIRA DE INFECTOLOGIA
No dia 30 de junho, a Sociedade Brasileira de Infectologia divulgou um comunicado oficial sobre os medicamentos. Confira um resumo abaixo:
– Até o momento, os principais estudos clínicos, que são os randomizados com grupo controle, não demonstraram benefício do uso da cloroquina, nem da hidroxicloroquina no tratamento de pacientes hospitalizados com COVID-19 grave. Efeitos colaterais foram relatados.
– Seu uso no tratamento da COVID-19 nos primeiros dias de doença, em casos de COVID-19 leve e moderada, está sendo avaliado e se aguardam os resultados.
– A Organização Mundial da Saúde (OMS), a FDA (agência reguladora de medicamentos dos EUA), a Sociedade Americana de Infectologia (IDSA) e o Instituto Nacional de Saúde Norte-Americano (NIH) recentemente recomendaram que não seja usado cloroquina, nem hidroxicloroquina para pacientes com COVID-19, exceto em pesquisas clínicas, devido à falta de benefício comprovado e potencial de toxicidade. A Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) também segue e recomenda tais decisões.
– A associação da hidroxicloroquina com o antibiótico azitromicina foi descrita em estudos observacionais e não trouxe benefícios clínicos.
A nota completa pode ser conferida aqui: https://www.infectologia.org.br/admin/zcloud/125/2020/06/ddb8adbedf98c5bed371a929338e0df2acc49af1becb494f5a15dd38f901c760.pdf

























