E o caso da Marcílio, Martin?

Desde a sexta-feira passada (6), a comunidade de Novo Hamburgo convive com uma dúvida: o que está por trás do crime cometido em apartamento de edifício localizado na rua Marcílio Dias, no Centro do município, a poucos metros do Paradão de ônibus.

Tiro – ou tiros – no apartamento; vizinhos acionando a Brigada Militar; uma menor apreendida; uma mulher de 35 anos presa; dois homens carregando um baleado pelos corredores do prédio – ou já estaria morto?; o homem baleado que foi levado numa Mercedes e que, até agora, não se sabe onde está; a Mercedes queimada; um dos suspeitos de carregar o homem do apartamento sendo preso; este homem preso fugindo da delegacia; helicóptero sendo utilizado para levar os mais de R$ 2 milhões localizados no apartamento; segredo de Justiça do caso?

Na ação, foram apreendidos mais de R$ 2 milhões, 3 pistolas, carregadores de pistola, 1 revólver, 1 garrucha e munições, 20 celulares, grande número de chips de celulares, documentos com vários nomes, livro de contabilidade, notebook, 2 algemas, 1 colete balístico, 1 suéter da Brigada Militar, 2 placas de carro oficial, muitas chaves de carro e droga ecstasy.

Desde o dia do crime e das investigações realizadas muita gente vem perguntar: “E o crime da Marcílio, Martin?” Nos corredores e estandes da 44ªm Fimec fui abordado por cerca de dez pessoas querendo informações sobre o tema.

Eu respondo que não consigo apurar tudo que chega ao meu conhecimento. Trabalho sozinho. Faltam braços. Apurar informação demanda tempo, pesquisa, profissionalismo, checagem de dados, cruzar indícios, etc… Fazer Jornalismo é caro!

E quem faz isso? O jornalista, o repórter. É a imprensa.

A imprensa que vive sob constante ataque. A imprensa que é menosprezada. A imprensa que é agredida – física e moralmente. A imprensa que resiste ao autoritarismo e às ameaças da direita e da esquerda. A imprensa que vê anunciantes buscarem outros espaços.

Sem imprensa, cadê a notícia? Sem repórter, cadê a apuração dos crimes? Sem jornalista, quem vai divulgar os fatos? Será que tem agente público envolvido? Será que tem político por trás? Quem vai conversar com delegado, inspetor, soldado, ouvir testemunhas? E se tem alguém querendo esconder algo da comunidade de Novo Hamburgo, quem vai apurar e revelar? Será que…?

Eu sou o primeiro a afirmar: tem jornalista mau caráter, tem jornalista falcatrua, tem jornalista vendido, tem jornalista despreparado – qual profissão não tem isso? Mas tem muita gente boa, muitos colegas de excelência.

Por isso, a imprensa é fundamental. Pesquisei sobre o tema: quanto mais livre e prestigiada for a imprensa, mais desenvolvido é um país; quanto mais amordaçada e censurada, mais subdesenvolvido é um país.

E o caso da Marcílio, Martin?

Eu torço que o Jornal NH, O Diário, RBS TV, TV Record, Zero Hora, Band, SBT ou algum veículo de imprensa consiga acompanhar o caso.

A sociedade espera por respostas. A sociedade precisa de imprensa. Sem imprensa forte, livre e independente, a primeira vítima é a própria sociedade.

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