Faz isso. Faz aquilo. Você não respeita prazos? O que está fazendo
agora? Errou novamente? Não sabe que não gosto disso? Deseja continuar
trabalhando aqui? Sabe a diferença entre fazer e fazer direito? Está
vendo o seu colega entregando o que é necessário?
Estas afirmações e perguntas fazem parte da sua rotina de trabalho? Se a
resposta for sim, você ainda está trabalhando em um local que valoriza o
controle e o microgerenciamento. Um local que ainda separa quem vale o
esforço de quem não sabe por que está ali.
O resultado deste contexto se expressa em números: o Brasil liderava o
ranking global de casos de ansiedade em 2023. A partir da Covid-19 os
transtornos mentais aumentaram em 25% em todo o mundo.
O relatório
The Happiness Index, elaborado com base em dados de 23 mil
funcionários de empresas situadas no Brasil, revelou que o índice
nacional de felicidade é de 7,3, contra 7,6 da média global, segundo
Marinildes Queiroz, Head de pessoal e cultura organizacional
da UP Brasil.
A Lei 14.831 representou um marco significativo, consolidando a
importância da saúde mental no ambiente de trabalho. Mais do que uma
responsabilidade social, ela se destaca como um pilar essencial para a
sustentabilidade, tanto das empresas quanto das pessoas.
A lei tem 3 pilares: promoção da saúde mental, foco no bem-estar,
transparência e prestação de contas. O objetivo deste artigo não é
aprofundar a legislação, e, sim, ressaltar a demora em amplificar o tema
por parte das lideranças com um mindset de comando
e controle.
A saúde mental precisa deixar de ser
vista como uma questão exclusivamente individual e passar a integrar a
estratégia de negócio das empresas. A avaliação é de Tatiana Pimenta,
fundadora e CEO da Vittude, plataforma voltada
ao cuidado psicológico. ( Saúde
mental é estratégia de negócio, diz CEO da Vittude diante de dados de burnout)
“Saúde mental não é só sobre o cuidado do indivíduo, é sobre resultado, é
sobre estratégia. Se eu tenho pessoas saudáveis, eu tenho times
conectados, produtivos, entregando. Se eu tenho pessoas adoecidas, elas
vão faltar mais, usar mais o plano de saúde, pedir
demissão. Isso impacta diretamente o resultado da empresa”, disse
Tatiana durante participação no
Rotina de Sucesso, programa do InfoMoney que mergulha na rotina dos maiores empresários do Brasil.
A saúde mental será pauta de muitas ações daqui para frente. Pessoas
mentalmente saudáveis geram um ambiente com segurança psicológica. Um
ambiente de aprendizado, colaboração e criatividade. Um ambiente de
inovação e abundância.
É preciso desenvolver cada indivíduo, cada líder, cada empreendedor em
relação ao tema. Há várias evoluções importantes na área da ciência que
trazem conforto e dignidade às pessoas, apesar de inúmeras ilhas de
restrições ainda vigentes.
A partir de agora o jogo muda, finalmente: de comando e controle para o
investimento em potenciais. Desde a contratação, manutenção e
desenvolvimento das pessoas, o foco está em dar condições à que elas
desempenhem sua melhor versão.
Muitas empresas já descobriram este caminho. É necessário que as pessoas
estejam inspiradas a descobrir novas fronteiras em seu mundo íntimo,
através de desafios, autoconhecimento, experimentação, equipes
multidisciplinares, projetos, cultura organizacional
integrativa, um propósito estimulante e um ambiente adequado.
A nova importância do trabalho, o papel das lideranças, a integração com
a Inteligência artificial, a mudança abrupta de mercado, as disrupções
tecnológicas e a velocidade extremada, ampliaram a complexidade, a
incerteza e a necessidade de aprendizado permanente,
o lifelong learning e o lifewife learning. Aprendemos sempre.
Não estamos somente na Era da Inteligência Artificial. Estamos na era em
que as pessoas não querem mais trabalhar em empresas arcaicas, com
líderes autoritários e sem o menor pudor e respeito com ninguém.
Acredito que a obsolescência se dará nas organizações, tanto por falta
do uso de tecnologias e conexão real com as necessidades dos clientes,
quanto pela inexistência de um ambiente propício ao desenvolvimento do
potencial das pessoas.
Já não é somente um dilema. É uma realidade traduzida na rotatividade
interna e no abalo da saúde mental das pessoas. Líder: escolha seu
caminho. Ele definirá sua relevância no mercado ou sua identificação
como peça de museu.
Artigo publicado no portal Martinbehrend.com.br
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