Dias difíceis, muitos aprendizados

O empreendedorismo nunca foi tão testado como no primeiro semestre de
2020, seja para os empreendedores experientes com seus negócios já
consolidados, ou para os iniciantes que esperavam iniciar suas ideias e
práticas em um ambiente bem menos instável.

O que se busca enxergar em momentos
como esse são definições de futuro que paradoxalmente são extremamente difíceis
e a esperança em dias melhores enfraquece ações a cada minuto das previsões.

Todos os segmentos e cantos desta economia influenciável globalmente
sentiram fortemente o impacto de uma pandemia que praticamente paralisou o
movimento econômico, principalmente pela falta de informação ou excesso de
informações falsas. Por algum tempo acredito que não teremos mais certezas do
que dúvidas, porém foram em momentos com esse que a humanidade mais criou,
inovou e renasceu.

O maior obstáculo, sem dúvida, tem sido o extremismo. Tem sido cada vez
mais comum vermos líderes, intelectuais, populares ou alguém de nossa família
fazerem discursos com “deveria estar tudo fechado” ou “tudo deve funcionar
normalmente”. E isso não leva resolução nem das dificuldades em saúde, e muito
menos o movimento do que nos permite sobreviver: a economia.

Repensar todos os negócios, sem nenhuma diferenciação entre os mais
antigos ou mais recentes, é uma chance que nós empreendedores tivemos para
olhar de dentro para fora e perceber grandes mudanças. Devemos projetar um
ambiente com valorização ainda maior de serviços, expectativas de atendimento
remoto e relacionamento pessoal entre organizações.

Isso significa buscar, estimular e permitir diálogos com nossos
principais concorrentes e integrantes setoriais. Aliás isto se mostrou uma de
nossas maiores fragilidades: a dificuldade em unir discursos com pares para
buscar movimentos e objetivos comuns.

Revelou-se muitos governantes em todas as esferas tomando decisões sem
diálogo com representantes dos segmentos atingidos, e as entidades
representativas se esforçando para encontrar soluções, enquanto muitos
empreendedores discutiam o mérito e dispersavam discursos de unidade. Não há
crítica no que escrevo, apenas a constatação do que acontece em momentos de
dificuldades extremas.

Acredito que o principal no empreendedorismo é o aprendizado, e ser
empreendedor não é apenas ter a ideia para iniciar uma startup ou um pequeno
negócio familiar. É também ser o CEO de uma empresa secular e aprender com a
história e com o inesperado nunca vivido.

Portanto, viveremos um momento de muitas incertezas nos próximos 12
meses, mas ser empreendedor sempre foi assim, ou seja, por essa perspectiva um
ano pode ser considerado aquele momento de análise de erros e dificuldades
externas que não dependerá apenas de nós.

É a hora de buscarmos falar,
interagir e procurar todas as possibilidades de resolução, sejam internas como
novas maneiras de organizar equipes, espaços de atendimento, relacionamento
online e inovação, como externas reformulando contrato com fornecedores,
comunicando-se com pares dos seu negócio e segmento e entendendo como operar
frente a todas adversidades legais que se impõe ao que queremos e amamos fazer:
empreender!

Definir períodos curtos de planejamento e avaliar resultados das ações com
mais pessoas é uma maneira de lidar com períodos de incerteza intensa. Aceite
pensar no futuro, mas com períodos curtos e com isso diminuir a ansiedade e
impactos de resultados ruins.

Alimente diariamente o questionamento sobre o que se fez para que nada
seja considerado como definitivo e infalível. E, por último, aceite que se você
decidiu empreender é porque sua essência sabia que as dúvidas seriam seu guia, e
não as certezas.

Vamos continuar, vai passar esse momento e virão outros e vamos nos
orgulhar por passar tudo isso encontrando soluções e não só propagando erros
nossos e dos outros, afinal, a dúvida nos move.

Sair da versão mobile