Alvin Tofler afirmou: “O analfabeto do século 21 não será aquele que não
consegue ler e escrever, mas aquele que não consegue aprender,
desaprender e reaprender.” Diante de tantas mudanças, inovações,
tecnologias disruptivas e ultra rapidez do mundo atual,
precisamos repensar a forma como aprendemos.
Ou será que é a forma como (RE)aprendemos?
Em tempos de Inteligência artificial
está ocorrendo um fenômeno interessante: a capacidade cognitiva do ser
humano está diminuindo. Em recente artigo publicado na Forbes de Janeiro
de 2025,
Estudo
Aponta Que a IA Está Reduzindo a Capacidade Cognitiva das Pessoas,
há a afirmação que o uso de IA mina as habilidades de pensamento
crítico por meio do fenômeno de descarregamento cognitivo e outros.
O estudo de referência com 666 participantes apontou várias descobertas:
“a) Descarregamento cognitivo: usuários frequentes de IA eram
mais propensos a descarregar tarefas mentais, confiando na tecnologia
para resolução de problemas e tomada de decisões em vez de se envolver
em pensamento crítico independente.
b) Erosão de habilidades: com o tempo, os participantes que
dependiam muito de ferramentas de IA demonstraram capacidade reduzida de
avaliar informações criticamente ou desenvolver conclusões
diferenciadas.
c) Lacunas geracionais: participantes mais jovens exibiram maior
dependência de ferramentas de IA em comparação com grupos mais velhos,
levantando preocupações sobre as implicações de longo prazo para a
experiência e o julgamento profissionais.
Os pesquisadores alertaram que, embora a IA possa agilizar os fluxos de
trabalho e aumentar a produtividade, a dependência excessiva corre o
risco de criar “lacunas de conhecimento” onde os usuários perdem a
capacidade de verificar ou contestar os resultados
gerados por essas ferramentas.”
No livro “É assim que aprendemos” de Stanislas Dehaene, neurocientista e
matemático, há um estudo aprofundado sobre como o aprendizado acontece
em nosso cérebro. Ele afirma:
“Durante a evolução, apareceram quatro funções principais que
maximizaram a rapidez com que extraímos informações de nosso ambiente.
Chamo essas funções de “os quatro pilares do aprendizado”, porque cada
uma desempenha um papel essencial na estabilidade
de nossas construções mentais(…). São elas:
– A Atenção, que amplifica a informação que focamos;
– O Envolvimento ativo, um algoritmo chamado “curiosidade”, que incentiva nosso cérebro a testar incessantemente novas hipóteses;
– O Feedback para erros, que compara nossas predições com a realidade e corrige nossos modelos de mundo;
– A Consolidação, que automatiza por completo tudo aquilo que aprendemos, usando o sono como um componente-chave.”
Percebam, na utilização de IA não aplicamos a maioria dos pilares. As
respostas estão prontas e não paramos para analisar seus resultados. O
simples ato de refletir, pesquisar e comparar as respostas de uma forma
mais estruturada já traria imensas diferenças
em nossa capacidade de aprendizado.
O método dos 4
Ser professor, sou por vocação, é uma oportunidade de acompanhar o
próprio aprendizado e o desenvolvimento de milhares de pessoas. Neste
processo, criei uma técnica de simples aplicação e que pode ser
utilizada por todos.
Ela é o resultado de anos de estudo, testagem e prática com alunos e
professores que fizeram parte desta jornada. Por isso, o método criado é
uma consolidação de todos estes contextos.
Entendo que é uma questão social urgente a apropriação de métodos
como este por parte da população que não está conseguindo se adaptar às
novas realidades. Independente da classe social, escolaridade, idade ou
condição de saúde, precisamos aprender a
aprender melhor e com maior rapidez, sem perder a qualidade e os resultados advindos deste processo.
A partir daí, o primeiro elemento do método (PHFV) que criei:
-
Processo: aprender é um processo de desenvolvimento pessoal que
inicia com a escolha de cada um em evoluir em suas dimensões como ser
humano. O conforto atual traz uma ilusão de que estamos bem. O bem-estar
se torna o objetivo final de uma jornada. Em
realidade, afirmo que há três fases na vida importantes aqui: a
sobrevivência, o viver e o transcender. O
Lifelong
learning e o
Lifewide learning se encaixam aqui. Assim como, o que
faz sentido a você e seus propósitos pessoais. Aprender é um processo infinito!
Ou seja, criar uma sistematização de aprendizagem contínua ajudando a
direcionar seus objetivos pessoais com conteúdo e consistência. A partir
disso, temos o segundo elemento do método:
-
Hábito: criar hábitos automatizados que auxiliam em nossa caminhada, da mesma maneira que nos ajudam a sobreviver. As
automatizações — como escovar os dentes, dirigir um carro, ou
digitar sem pensar — envolvem uma bela parceria entre diferentes regiões
do cérebro, mas quem merece destaque nesse time são os
gânglios da base. Estas estruturas profundas, localizadas na base do cérebro, são especialistas em
aprender e executar padrões motores e hábitos. Depois que você
aprende uma habilidade, elas ajudam a automatizá-la para que não
precisemos pensar em cada passo conscientemente. Além disso, o
cerebelo também entra em cena, ajustando a coordenação e o ritmo fino dos movimentos. Por isso, estude o funcionamento do seu cérebro.
Significa dizer claramente: os hábitos que você reforça automatizam a sua vida.
Cuidado aqui!
Se você automatizar somente entretenimento, seus conhecimentos devem
girar ao entorno deste assunto. Se você automatizar o hábito de leitura,
você se tornará um leitor. Se você automatizar a prática de
exercícios, sua saúde deve avançar muito.
Escolha muito bem os caminhos que você trilhará. A partir deste contexto, o terceiro elemento do método:
-
Foco: para Daniel Goleman, no livro Foco: A atenção e seu papel fundamental para o sucesso, o foco é muito mais do que simplesmente “prestar atenção”. Ele o define como uma
habilidade essencial que molda a qualidade de nossas vidas,
influenciando desde o desempenho profissional até os relacionamentos
pessoais e a autoconsciência. Goleman divide o foco em três dimensões
principais: o
Foco interno – a capacidade de perceber e regular nossos próprios pensamentos, emoções e impulsos;
Foco nos outros – a habilidade de entender e se conectar com as pessoas ao nosso redor, essencial para empatia e liderança;
Foco externo – a atenção voltada para o mundo ao nosso redor,
incluindo sistemas, tendências e contextos mais amplos. Ele argumenta
que, em um mundo repleto de distrações sensoriais e emocionais, cultivar
o foco é um diferencial competitivo e uma ferramenta
poderosa para o bem-estar e a realização pessoal.
Quem deseja fazer tudo, não faz nada. Nosso cérebro não é multitarefa.
Há uma percepção errada aqui. O fato de pensarmos enquanto lemos, por
exemplo, é a demonstração clara do processo de automatização citado no
elemento 2, hábito.
Simplificando: se leio muito, o ato de ler se automatiza através dos
gânglios de base e deixa a parte executiva do cérebro livre para pensar.
Quem lê muito, estuda muito e analisa muito, tem facilidade em executar
estas tarefas ao mesmo tempo enquanto pensa.
Só um detalhe: são duas áreas cerebrais envolvidas aqui. É esse
processo que nos “dá a impressão” de que estamos fazendo duas ou mais
coisas ao mesmo tempo.
Mas, em realidade, estamos com o modo “turbo” ligado. Automatizar
hábitos positivos acelera nossa evolução. Avançamos e aprendemos
rapidamente e com imensa qualidade. A partir desta “implementação
cognitiva”, podemos avançar ao quarto elemento do método:
-
Variabilidade: quanto maior a diversidade das “entradas” que
chegam ao nosso cérebro, mais amplo se torna o repertório e maior a
capacidade de combinar esses elementos entre si. A criatividade se
amplia, a consolidação entra em cena e a comparação entre
visões de diferentes autores e conteúdos, em termos de livros, artigos,
séries, filmes e assuntos, cria um terreno fértil para pensamentos
originais e inovadores.
É preciso uma explicação mais detalhada neste item. As “entradas”
acontecem através dos órgãos dos sentidos. Aprendemos em qualquer lugar e
situação, desde que estejamos atentos, Atenção, e com o Foco claro do
que
é importante para nós.
É preciso que criemos um contexto que faça sentido à nossa evolução
antes de escolhermos nossos propósitos. Este contexto pode estar
recheado da seguinte forma, por exemplo: família, amigos, educação,
estudo, projetos, desenvolvimento de pessoas e aprendizado.
Em relação a este contexto, você desenvolve seu propósito transcendo a
si e entendendo o significado de cada ação tomada.
Estudar está em meu contexto. Aplico a variabilidade da seguinte
maneira: são 4 livros ao mesmo tempo todos os meses. Isso mesmo! De
acordo com meu planejamento pessoal e necessidades de aprimoramento,
escolho minha trilha de leitura e conecto a minha realidade
atual e futura desejada.
Há uma estratégia interessante na escolha dos assuntos. Descrevo na
lista dos 4 livros atuais esta estratégia: um livro técnico sobre meu
trabalho, um de aprimoramento pessoal, um de literatura e um livro em
decupação, que é reorganizar, facilitando a compreensão.
A leitura é uma das tarefas que ativa
de forma mais ampla todo os lobos cerebrais: é o exercício físico do
cérebro. Ele permanece desafiado e estimulado permanentemente. Um artigo
interessante para ajudar você:
O
que a neurociência diz sobre o impacto da leitura no cérebro? – Folha BV.
Ampliando:
– O livro técnico do mês passado está sendo decupado através de um mapa de conceitos em uma ferramenta digital chamada
Miro. Amo! Nela, crio as relações, amplio conceitos
e desenvolvo um aprendizado mais aprofundado a partir da publicação que merece minha maior atenção;
– O livro técnico deste mês será o livro decupado do próximo. Procuro
dedicar entre 1 e 2 horas por dia à minhas leituras. É um hábito
desenvolvido que me dá muito prazer e felicidade. Enquanto leio, faço
marcações, comentários, pesquisas e reflexões sobre os
conteúdos, proporcionando conexões neurais mais amplas e aprimorando
meu pensamento crítico e analítico. Prefiro o livro físico por esta
razão. A escolha do formato, depende do seu gosto e o quanto deseja
aprofundar suas habilidades;
– O livro de aprimoramento pessoal deste mês está relacionado a outra de
minhas paixões: a meditação. Medito 1h por dia: quando acordo e quando
vou dormir. Esta leitura aprimora as bases necessárias para sustentar
minha saúde física e mental. Ou seja: escolha
um tema desconectado do seu trabalho e conectado a sua alma, que
proporcione evolução real e traga ferramentas de aprimoramento que
ampliem sua consciência e sentimentos.
– O livro de literatura deste mês é resultado de um desafio que fiz com
uma colega de trabalho. Ela se propôs a ler um livro técnico e eu um
livro de literatura. Escolhi o livro “Cem
anos de solidão”, de Gabriel Garcia Marquez. Uma
excelente leitura que me proporciona a melhoria de minha capacidade em
contar histórias, relacionar assuntos, conectar personagens e exercitar
minha imaginação, base da criatividade. Aprendi a
gostar de literatura por esta razão. Ela tem uma utilidade mais ampla e
refresca a alma. O resultado é uma melhoria em minha flexibilidade
mental e fluidez de pensamentos com coerência, além do avanço na
aplicação de minha criatividade para soluções originais
e inovadoras.
É preciso que estejamos focados daqui para frente. A inteligência
artificial é uma ferramenta maravilhosa que ajuda a nos provocar o
aprimoramento de nossas habilidades e a evolução como seres humanos.
É preciso deixar de competir com ela. Não temos condições. Nosso cérebro
não aguentaria. É preciso observá-la como um amigo: pode me ajudar e
sempre analisarei suas observações, pois sei quem sou.
Esta é a diferença: somente focamos, de fato, quando sabemos quem somos
(autoconhecimento), e nos direcionamos à realização de nossos sonhos
(autogestão), baseados em nossa imaginação e criatividade, conectados
com o mundo atual, criando uma realidade futura
que nos diferencie.
SOU um ser humano engajado em auxiliar outros SERES HUMANOS em sua
evolução. Este um papel que escolhi com muita consciência e prazer.
Sei que cada um é responsável por suas escolhas. Por isso, procuro
facilitar este caminho com ferramentas e conhecimentos, a fim de que
você decida com mais convicção.
O método dos 4 foi criado com base nestes objetivos. Aproveite!
Experimente! Você se beneficia e se aprimora ao mesmo tempo. O mundo
enaltece!
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Artigo publicado no portal Martinbehrend.com.br
Leitura do artigo com César Silva:
