Descaso, tristeza e indignação pelas ruas de Novo Hamburgo

A primeira morte por Covid-19, em Novo Hamburgo, foi registrada em 28 de março de 2020.

Foi uma idosa de 84 anos, residente no município, que estava internada no Hospital Regina.

Um ano depois, Novo Hamburgo registra 702 óbitos pela doença – número deste sábado (17) divulgado pela Secretaria Estadual da Saúde.

Temos praticamente duas mortes por dia em razão da doença – somente em Novo Hamburgo. O Covid mata dois hamburguenses por dia, na média.

Um quadro assustador e preocupante. Ainda mais por se tratar de uma doença com alto risco de infecção e contágio. E quantos estão recuperados, mas com sequelas? São centenas que relatam vários problemas que podem estar relacionados com a doença.

Se não tivessem as medidas de prevenção sendo colocadas em prática, há meses, pela maioria das pessoas, quantas mortes teríamos por dia no município? 5? 10? 50?

Eu faço essas colocações nesta coluna de opinião em razão do cenário que verifiquei na manhã deste sábado em diferentes bairros de Novo Hamburgo, especialmente no Centro.

Fui participar de um Drive Thru beneficente e passamos por avenidas e ruas do município.

Então, o registro: DEZENAS e DEZENAS de pessoas caminhando e circulando sem máscara. Uma das medidas mais simples e de maior eficácia na prevenção ao coronavírus sendo completamente ignorada.

Tinha gente com a máscara na mão; outros com a máscara no queixo. Homens e mulheres; casados e solteiros. Nas Bancas, muita gente sentada junto às mesas num papo como se não houvesse amanhã.

Em avenidas, o pessoal das caminhadas desfilando de bermuda e sem máscara. Essas pessoas se sentem especiais? O que faz delas diferentes, que podem espalhar por aí o vírus?

É uma espécie de egoísmo coletivo: “Eu não vou usar isso aí, tem outros que já estão protegidos”. É uma postura que escancara a incapacidade de entender a gravidade da situação.

Agora, sei que essa realidade não é só em Novo Hamburgo. Ela ocorre em outros municípios. É um contágio de indiferença.

As sensações ao ver tanta gente sem máscara se misturaram: descaso, tristeza e indignação.

E as pessoas sem máscara que seriam multadas pela fiscalização? Praticamente nada acontece. Ou seja, um anúncio apenas para render manchete – inclusive deste Portal.

Na prática, os bonitos e as bonitas seguem sem a proteção se achando seres superiores. E alguns ainda reclamam dos políticos, mas na hora de darem o exemplo, temos isso aí.

Vejam: aqui nem se questiona a circulação de pessoas; a constatação é sobre a postura de quem circula.

Somos o segundo país que mais tem mortos pela pandemia. Essa tragédia, que se aproxima dos 400 mil óbitos, se explica por vários motivos. As irresponsabilidades precisam ser divididas.

Aliás, a economia brasileira vai ficando pra trás exatamente pela incompetência governamental em lidar com a pandemia e não ter colocado em prática algumas ações necessárias e fundamentais.

Agora, é inquestionável que temos esta realidade da postura das pessoas: a explicação para esse grave momento que seguimos vivendo passa pela falta de amor ao próximo de parte da população brasileira. São eleitores incapazes de pensar no coletivo, no bem comum.

Alguém vai dizer: “Ah, mas tem liderança política que também não usa máscara, então, eu não vou usar!” Eu respondo com uma reflexão: se essa liderança política se jogar na frente de um trem em movimento, tu também vai te atirar? Lembre-se: tem autoridade política cercada de regalias, médicos e tudo mais de prontidão – o resto da população não tem essas mordomias.

Use máscara. Use álcool em gel e lave bem as mãos. Não se aglomere. Mantenha distanciamento. Circule absolutamente o necessário. Denuncie quem está errado. Vá se vacinar assim que chegar a sua vez – as duas doses, sempre! E, para quem puder, fique em casa.

NOTA DO EDITOR: Em janeiro deste ano eu tive a experiência do Covid. Não aglomerei. Usei máscara e álcool em gel. Observei os protocolos e circulei em locais que respeitavam os protocolos. Mesmo assim, em algum momento, o vírus me achou. Todo cuidado é pouco. Por isso, é fundamental prevenir ao máximo – menos carga viral, menor o impacto no organismo e menor a chance de contágio.

Ao superar o tratamento, relatei minha experiência: https://martinbehrend.com.br/noticias/noticia/… .

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