Em pronunciamento à nação na noite desta terça-feira (6), a ministra da Saúde, Nísia Trindade, fez um apelo para que a população adote cuidados para evitar a proliferação de criadouros do mosquito transmissor da dengue dentro de casa.
Diversos hospitais do centro do país estão superlotados, como no Distrito Federal, Minas Gerais e Rio de Janeiro – a cidade do Rio entrou em situação de emergência.
Em outros Estados, a dengue também sobrecarrega o número de atendimentos no sistema de saúde pública e privada.
Segundo a ministra, 75% dos focos estão localizados nas residências. “Precisamos redobrar os cuidados com as nossas casas e nas áreas em volta delas. Cerca de 75% dos focos estão dentro de casa. Vamos tampar as caixas d’água, descartar o lixo corretamente, manter as vasilhas de água dos animais sempre limpas, guardar garrafas e pneus em locais cobertos, retirar água acumulada dos vasos e plantas”, disse.
Nísia Trindade pede ainda que as pessoas recebam os agentes de endemias, que irão ajudar a eliminar os focos. “Receba-os, ajude-os na localização e na erradicação de possíveis focos do mosquito em sua casa e na sua vizinhança”.
Sobre a vacinação, Nísia Trindade disse que ocorrerá de forma progressiva, em razão do número limitado de doses fornecidas pelo laboratório fabricante da Qdenga.
Na primeira fase, terão prioridade as crianças entre 10 e 14 anos, faixa etária com o maior número de internações pela doença. O imunizante será distribuído para 521 municípios por terem maior incidência da doença – nenhum do Rio Grande do Sul.
FAKE NEWS
A ivermectina voltou a ganhar holofotes como possível solução para combater doenças – dessa vez, a dengue. De acordo com o Ministério da Saúde, trata-se de boato veiculado, inclusive, no perfil das redes sociais de alguns profissionais de saúde, mas sem dado ou fonte que comprove a informação.
O medicamento, um antiparasitário, chegou a ser defendido em meio à pandemia de covid-19 como parte de um tratamento precoce contra a doença, porém, sem eficácia comprovada. A pasta lembra que, à época, estudos demonstraram a ineficácia do remédio no combate ao coronavírus.
“Para ficar claro: a ivermectina também não é eficaz em diminuir a carga viral da dengue. O Ministério da Saúde não reconhece qualquer protocolo que inclua o remédio para o tratamento da doença”, alertou o governo federal em nota. “Disseminação de Fake News, principalmente quando se trata de um cenário epidemiológico que pede atenção, é extremamente perigoso”, completou.
MORTES NO RS
O Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs), vinculado à Secretaria da Saúde, (SES), confirmou nesta terça-feira o segundo óbito por dengue no Rio Grande do Sul em 2024.
O caso é de um homem de 65 anos, residente em Santa Cruz do Sul. Com comorbidades, ocorrido no dia 1º.
A SES reforça que é importante as pessoas procurarem atendimento médico nos serviços de saúde assim que perceberem os primeiros sintomas. Dessa forma, é possível evitar o agravamento da doença e a possível evolução para o óbito
Principais sintomas
- Febre alta (39°C a 40°C), com duração de dois a sete dias;
- Dor retroorbital (atrás dos olhos);
- Dor de cabeça;
- Dor no corpo;
- Dor nas articulações;
- Mal-estar geral;
- Náusea;
- Vômito;
- Diarreia;
- Manchas vermelhas na pele, com ou sem coceira.
NOVO HAMBURGO
A Secretaria Municipal de Saúde de Novo Hamburgo vem realizando intensas ações no combate à dengue na cidade. Além do trabalho rotineiro de dezenas de agentes com visitas domiciliares sistemáticas para eliminação de focos de proliferação do mosquito Aedes Aegypt, transmissor da doença, o Município já realizou aplicação de inseticida em pontos estratégicos em praticamente todos os bairros da cidade. Estes pontos incluem oficinas, floriculturas, cemitérios, ferro-velhos e borracharia. Os locais são revisitados a cada 60 dias.
Novo Hamburgo tem 122 casos confirmados de dengue nos primeiros 30 dias deste ano. Em todo o ano passado, foram 2.225 casos confirmados. “Nossas ações contra o mosquito transmissor nunca param, mas foram intensificadas desde o ano passado”, adianta o secretário municipal de Saúde, Marcelo Reidel, lembrando o grande volume de chuvas desde o segundo semestre de 2023, que beneficia a proliferação do mosquito transmissor. “Por isso, é fundamental que toda a população se envolva nesta luta, eliminando criadouros do mosquito em seus pátios”, completa.
Além disso, também foram realizados bloqueios nos bairros Boa Saúde, Canudos, Rio Branco, Santo Afonso, São José e Vila Diehl. Os próximos bairros a receberem a ação são o Ouro Branco, Pátria Nova, Petrópolis, Primavera e Rondônia. Os bloqueios são aplicações de inseticida em um raio de 200 metros do caso confirmado, visando eliminar os mosquitos transmissores. Nesta quinta-feira, a aplicação foi realizada em partes dos bairros Centro, Ideal, Pátria Nova e Rio Branco. Em breve, todas as escolas municipais também receberão o inseticida.
Visando um diagnóstico mais rápido e um manejo mais adequado, o Município também realizou a aquisição de testes rápidos para várias unidades de saúde. Ainda em fevereiro, os agentes municipais de saúde e todos os servidores da secretaria receberão treinamento específico sobre as arboviroses (doenças causadas pelos arbovírus, que incluem os vírus da dengue, zika, chikungunya e febre amarela).
Auxílio da população
Recente levantamento de índices para Aedes Aegypti (LIRAa) aponta que os principais criadouros do mosquito em Novo Hamburgo são vasos de flores e pequenos recipientes dentro dos pátios.
A população deve realizar semanalmente uma vistoria em sua residência e executar ações que auxiliem na eliminação dos focos do mosquito, tais como:
– Tampe os tonéis e caixa d’água;
– Deixe ralos limpos e com aplicação de tela. Coloque água sanitária nos ralos e em locais onde não seja possível alcançar para esvaziar;
– Mantenha as calhas sempre limpas;
– Deixe garrafas sempre viradas com a boca para baixo;
– Mantenha lixeiras bem tampadas;
– Elimine ou preencha pratos de vasos de plantas com areia;
– Limpe com escova ou bucha os potes de água para animais;
– Retire água acumulada na área de serviço, atrás da máquina de lavar roupa;
– Semanalmente renove a água das bromélias com jato da mangueira.
Essas medidas simples podem ajudar a reduzir o risco de proliferação do mosquito Aedes Aegypti e contribuir para a prevenção de doenças transmitidas por ele, como a dengue, zika e chikungunya.
Sobre o Aedes
O Aedes Aegypti tem em média menos de 1 centímetro de tamanho, é escuro e com riscos brancos nas patas, cabeça e corpo. O mosquito costuma ter sua circulação intensificada no verão, em virtude da combinação da temperatura mais quente e chuvas. Para se reproduzir, ele precisa de locais com água parada. Por isso, o cuidado para evitar a sua proliferação busca eliminar esses possíveis criadouros, impedindo o nascimento do mosquito.
Com informações da Agência Brasil.
