Compartilhamento e Criatividade

Na economia mundial se observam iniciativas de
compartilhamento e valorização da criatividade em todas as atividades que
envolvem o mundo do trabalho.

Desde aplicativos de mobilidade que utilizam
informações compartilhadas para otimizar recursos, pessoas e movimentos até
iniciativas de coletivos em prol de produtividade, sustentabilidade e a referida
criatividade.

Nas sociedades patriarcais e pós-coloniais como a
brasileira, entender criatividade como uma força produtiva ainda é um grande
desafio, pois valorizamos, muitas vezes sem perceber, o trabalho de esforço
braçal como o trabalho digno e o intelectual criativo como o marginal ou até
“vadio”.

Isto não é apenas uma constatação criativa, é uma pequena leitura,
segundo minha opinião, das dificuldades que temos em exercitar na prática os
verbos “compartilhar” e “criar”.

O primeiro, em um país com tantas desigualdades, vem
frequentemente acompanhado das perguntas “para quê?” ou “o que ganho?”, e
justamente o que não se consegue responder ao compartilhar qualquer tipo de
informação é o que ela vai gerar, porque esta ação inicia uma cadeia de
possíveis acontecimentos que podem retornar ou não diretamente, mas certo é que quanto mais compartilhamentos maior será seu impacto em outros ambientes,
pessoas e suas consequências, basta ver o efeito das Fake News muitas vezes
distribuídas.

Acontece que mais do que falsas informações, também é
possível serem compartilhados conhecimentos sobre novos mercados, nichos de
empreendedorismo, novos trabalhos e principalmente mudanças dos setores ou até
mesmo sua extinção. Se essa fosse uma prática mais comum em nosso país teríamos
muito mais pessoas pensando em como aperfeiçoar ideias disruptivas do que
buscar uma maneira de bloqueá-las.

Em consonância com a cultura da proteção de conhecimento e
práticas, ainda ocorre a ideia de que a criatividade é um “dom” que nasce com
as pessoas. Segundo Sternberg e Lubart, 1999, criatividade é também a capacidade
de criar uma solução que é ao mesmo tempo inovadora e apropriada. Portanto, se
entendermos que a criatividade é uma habilidade, seria apropriado o incentivo
constante para se pensar diferente do que sempre foi paradigma e buscar
apropriar cada solução ao momento que se vive.

Lugares como o Vale do Sinos, com origem industrial, precisam
que seus habitantes enxerguem uma nova indústria: a criativa. Para tanto
criticar menos, propor mais, participar ativamente e exercitar a criatividade
esforçando-se para abortar paradigmas tornará suas cidades um ambiente fértil
para negócios de uma indústria que mescla produção, comércio e serviço.

A indústria criativa tem menos postos por negócio, mas uma
capacidade exponencial de crescimento, basta coragem para encarar. Para os mais
experientes exercitar técnicas como o autoquestionamento, novas experiências e
o hiperfoco no que se trabalha pode
permitir a mudança de pensamento para novas experiências.

Comece compartilhando, concordando, discordando e comentando
este texto. Passe adiante as novas empresas que inovam, e pense qual solução
você pode oferecer e adequar.

Antes de mais nada, executar uma ação é sempre o primeiro
passo para gerar uma economia que a seu tempo ative a todos e que sejam
contagiados por esse movimento a ponto de também para que cada um reveja suas
funções atuais e prepararem um mundo do trabalho pautado pela não manutenção da
prática.

Entretenimento, atividades intelectuais e o turismo, talvez, sejam o
exemplo mais natural de indústria que pode crescer.

Sejamos criativos todos os dias e, assim, criarmos novos
modelos que sejam propagados para disseminar a região como potencial
criativo e multiplicador de ideias.

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