Como se tivesse levado um choque, o vereador Vilmar Heming (PDT) repentinamente passou a divulgar vídeos e textos denunciando problemas na área da saúde pública de Novo Hamburgo e, ao mesmo tempo, cobrando providências do governo da prefeita Fátima Daudt (PSDB).
Heming já fez vídeos debochando de premiação recebida pela prefeita, registrou mato alto em unidade de saúde e, recentemente, foi até o Hospital Municipal de Novo Hamburgo denunciar que vários aparelhos de ar-condicionado estão com problemas há semanas e meses.
Do ponto de vista da fiscalização, o trabalho do vereador está interessante – embora ele faça a denúncia e nem sempre dá o esclarecimento da Prefeitura. Resumindo: está fiscalizando.
Só que essa história tem um porém. No governo passado, o mesmo vereador Vilmar Heming era da base do prefeito Luis Lauermann (PT). Até porque ele indicou seu pai para ser secretário municipal em Lomba Grande ganhando mais de R$ 10 mil por mês.
Na gestão passada, a saúde estava caótica. Recurso público foi perdido e mal aplicado. Obras não foram concluídas. Filas eram rotineiras. Vilmar era aliado do governo.
Então, a vereadora Patrícia Beck (PPS) protocolou um pedido de CPI da Saúde para saber o que a gestão Lauermann, protegida por Vilmar, estava fazendo com a saúde pública, maltratando os hamburguenses.
Veio a votação para ter a CPI de Saúde. E adivinha quem foi contra a CPI, que buscava apurar contratos e melhorar o atendimento dos hamburguenses? Ele mesmo: Vilmar Heming.
A cereja do bolo foi a justificativa do vereador. Para relembrar o leitor, recupero trecho da matéria publicada em 13 de julho de 2016: http://www.martinbehrend.com.br/noticias/noticia/i… :
“Na justificativa de voto dos vereadores, Vilmar Heming utilizou um argumento que soa como um deboche aos hamburguenses. “Se fosse qualquer outro vereador propondo a CPI, eu teria votado a favor. Mas como foi a vereadora Patrícia Beck, sou contrário”, argumentou. Ou seja, para o vereador – que é enfermeiro – a sua antipatia pela vereadora é mais importante que os problemas na saúde de Novo Hamburgo.“
Cada cidadão e eleitor pode tirar a sua conclusão. No mandato em que tinha o pai empregado como secretário e era da base do governo, Vilmar impediu a CPI da Saúde para apurar a situação caótica nesta área. Agora que não tem mais familiar indicado, ele está preocupado com a saúde dos hamburguenses.
A dúvida ficará: se a CPI da Saúde tivesse ocorrido e escancarado os problemas da gestão, o quanto já teria melhorado o atendimento da população?
Como curiosidade: quem também votou contra a CPI da Saúde foi o atual secretário municipal da Saúde, Naasom Luciano (PTB).

























