Câmara de Vereadores altera regramento e define membros do Conselho de Ética Parlamentar

Um dos episódios de maior constrangimento na história do Legislativo de Novo Hamburgo ocorreu em outubro de 2017. Embora não estivesse em atuação parlamentar, o vereador Fernandinho (SD) foi preso em flagrante por posse de um revólver calibre 38 furtado – ele também estava sendo investigado por outras situações – confira no link http://www.martinbehrend.com.br/noticias/noticia/i… Menos de dois dias, foi colocado em liberdade.

A repercussão foi enorme, com os colegas de Legislativo hamburguense – muitos deles sempre ferozes e críticos com outras situações – se sentindo acuados com a dimensão do caso. Um constrangimento nacional. Há seis meses, quando ocorreu a prisão, muito se falava em abrir um processo interno para avaliar a conduta ética de Fernandinho e se, de alguma forma, ele deveria sofrer alguma tipo de punição dentro da Câmara.

Só que nada foi feito. Motivo: a Câmara de Vereadores de Novo Hamburgo não tinha um Conselho de Ética Parlamentar. O regramento exigia a necessidade deste conselho ser integrado por líderes de governo e oposição – contudo, a prefeita Fátima Daudt (PSDB) não havia indicado uma liderança no Legislativo. Com isso, a presidente no ano passado, Patrícia Beck (PPS), deixou a situação avançar sem resolver essa lacuna.

A situação foi normalizada nesta segunda-feira. Os vereadores hamburguenses escolheram um novo Conselho de Ética Parlamentar. A escolha, aprovada por unanimidade por todos os parlamentares, se deu por apresentação de chapa única, composta pelos vereadores Enio Brizola (Presidente/PT), Inspetor Luz (Relator/PMDB) e Vladi Lourenço (Secretário/PP). O novo conselho tem mandato de um ano e se reunirá sempre que necessário ou convocado por qualquer um de seus membros, por Comissão da Casa ou pelo Presidente da Câmara Municipal.

Na sessão plenária do dia 5 de março, os parlamentares aprovaram por unanimidade o Projeto de Resolução nº 15/2017, proposto pela Mesa Diretora do ano passado – formada pela presidente Patricia Beck (PPS) e os vereadores Naasom Luciano (PTB), Felipe Kuhn Braun (PDT) e Vladi Lourenço (PP) –, que alterou a redação do Código de Ética e Decoro Parlamentar do Legislativo hamburguense, instituído pela Resolução nº 4/2001. O texto modificou disposições quanto à composição e à dinâmica de trabalho do Conselho de Ética Parlamentar, impedindo que o órgão deixe de ser criado em razão da ausência das figuras de líderes de governo e oposição.

A nova resolução estabelece que o órgão seja formado por três vereadores escolhidos em eleição aberta por maioria simples de votos para mandatos de um ano, mediante a apresentação de chapas completas, devendo ser respeitada, tanto quanto possível, a representação proporcional dos partidos que compõem o Legislativo – anteriormente, o grupo era estabelecido por três parlamentares indicados pela Mesa Diretora e pelos líderes. O conselho será composto no início de cada ano, em votação concomitante às das comissões permanentes da Casa. A primeira eleição, no entanto, será realizada imediatamente após a promulgação da resolução.

Caso algum integrante do Conselho de Ética sofra a abertura de processo disciplinar, será providenciado seu imediato afastamento. Também implicará na perda do mandato a ausência em três reuniões consecutivas. Em ambos os casos, será escolhido novo membro para cumprir o período remanescente do mandato a partir de deliberação do Plenário. A Câmara trabalhou a reestruturação do conselho em parceria do com a Subseção de Novo Hamburgo da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

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