Um espaço especializado para a terceira idade encerrou as atividades. O motivo não é a falta de clientes, gravidez da proprietária ou carência de instrutores. É a violência em Novo Hamburgo que forçou essa situação. Após o terceiro assalto à sede do estabelecimento localizado na Avenida Pedro Adams Filho, no bairro Pátria Nova, a proprietária tomou a indesejada decisão. “Não há mais motivação. Seguir trabalhando para os bandidos roubarem o que conquisto com meu suor não faz sentido. Tinha uma proposta diferenciada
para a terceira idade, com dezenas de alunos. Só que o atual quadro, com a criminalidade fazendo o que bem entende, tornou insuportável a continuidade”, destaca a empreendedora, que prefere não se identificar.
Em menos de dois anos, foram três assaltos. Na soma das três ocorrências, foram levados aparelhos de ar-condicionado, notebook, aparelho de som, telefone, acessórios para exercícios, documentos, entre outros itens, além de vidros quebrados, em prejuízo que ultrapassa R$ 10 mil. “Numa das vezes cheguei para trabalhar e tinham urinado na sala, além de terem atirado todo material no chão”, relembra.
Grades e câmeras não impediram ou inibiram a ação dos bandidos. “Num dos assaltos, ficamos pela frente do endereço por três horas. Não vimos viaturas da Brigada Militar criculando, isso que estávamos numa avenida de grande movimentação”, destaca. Além dos roubos no estabelecimento, a empreendedora também já teve seu automóvel levado por bandidos em Novo Hamburgo.
Agora ex-proprietária do espaço para a terceira idade, a vítima lembra que veio de uma cidade do interior tentar a sorte em Novo Hamburgo. “Jamais imaginei que isso pudesse ocorrer. Lá na minha cidade era um ambiente bem diferente, longe dessa violência”, conta. Ela seguirá atuando na cidade, onde investiu num imóvel e precisa honrar os compromissos – até para não ser despejada.
Brigada Militar desmantelada e sem efetivo adequado. Guarda Municipal em crise ética e Prefeitura torrando dinheiro em publicidade. No meio disso tudo, a população tenta sobreviver. A Novo Hamburgo de 2016 é, de fato, uma cidade que não cuida da sua gente.
