Se tem uma área que não falta dinheiro no governo do
prefeito Luis Lauermann (PT) é na publicidade. Em quase quatro anos, milhões de
reais foram fartamente distribuídos em diferentes veículos de comunicação de
Novo Hamburgo e de outros municípios do Estado. Uma das grandes investidoras em
propaganda é a Comusa – Serviços de Água e Esgoto de Novo Hamburgo. É fato e
merecem aplausos campanhas de conscientização sobre consumo de água e uso
racional da água. Prevenção pode fazer a diferença.
Contudo, para um governo que vem alegando há meses não ter
recursos para pagar reajustes em dia, que deixa dezenas de obras prometidas
paradas e que diz ter sido afetado pela crise soa estranho ver a Comusa
investindo tanto em publicidade. Além disso, tem outro grave problema: a dívida
da Comusa com a Corsan. Segundo foi ajustado no ano passado, mais de R$ 147
milhões terão de ser pagos pela Prefeitura de Novo Hamburgo à Companhia Riograndense
de Saneamento (Corsan). O valor se refere ao ressarcimento do valor do
patrimônio deixado pela Corsan ao município, na década de 90, quando o serviço
de saneamento passou a ser prestado pela Comusa.
À época, o prefeito Lauermann divulgou comunicado deixando
claro que tinha consciência da gravidade da situação e do impacto da dívida nas
finanças municipais:
“Em 1989 foi criada a primeira comissão reunindo a sociedade
civil de Novo Hamburgo, Prefeitura e Câmara de Vereadores para discutir o
processo de municipalização da água.
Em 1998, sendo notório que o serviço de água e esgoto deveria
ser melhorado, a comunidade conquistou a municipalização que há muito tempo
reivindicava. Desde então, existe uma discussão judicial sobre a necessidade de
indenização e quais seus valores, tema até então inconcluso.
A proposta da Administração Municipal é criar uma composição com
a Corsan para que essa cobrança não afete as finanças municipais e tem a
convicção de que chegará a um denominador comum entre Estado e Município.
Luis Lauermann – prefeito de Novo Hamburgo”
Lauermann ficou em terceiro lugar na eleição de 2 de
outubro. Estaria fora do segundo turno – caso tivesse essa situação no
município. Essa resposta das urnas, contudo, não alterou rotinas. No período
pós-eleições, sabendo que havia sido rejeitado pela população, o governo
Lauermann já gastou mais de R$ 61 mil em publicidade – rádio local, TV e três jornais
do município. Somente na primeira quinzena de dezembro foram mais de R$ 35 mil
em publicidade. Lembrando que a própria Prefeitura, somente em novembro, fez propaganda de suas obras – mas com dinheiro da comunidade – gastando mais de R$ 43 mil. A reportagem está no link: http://www.martinbehrend.com.br/noticias/noticia/i… .
Como um governo que está prestes a sair de cena gasta tanto
dinheiro em publicidade? Reforçando: campanhas de conscientização são
importantes, mas o momento soa absolutamente impróprio. Por que usar este
dinheiro quando se tem uma dívida milionária a ser paga pela frente? Mais de R$
61 mil em publicidade… Lá se vai o dinheiro público no apagar das luzes
daquela que deverá ser a pior administração da história de Novo Hamburgo.

























