Eram cerca de 9h30 da manhã de 14 de março, uma terça-feira,
quando entrou uma mensagem no WhatsApp do jornalista Martin Behrend. Era um
taxista de Novo Hamburgo sugerindo uma pauta para cobertura, informando que
haveria protesto na Prefeitura. Imediatamente, o jornalista deixou seus
afazeres e se dirigiu ao Centro Administrativo Leopoldo Petry. Ao chegar lá,
estacionou seu carro e começou a fazer algumas fotos. O que aconteceu na
sequência foi uma sucessão de atos covardes e selvagens, comumente praticados
por bandidos.
Ao se aproximar do grupo, cerca de 40 a 50 taxistas, eles
começaram a gritar que estava chegando o jornalista do Uber e o jornalista
que não gostava de taxistas. Um deles se identificou como sendo do ponto do
Bourbon Shopping. Em seguida, arrancou o telefone celular do jornalista o
e jogou longe. A tela quebrou. A sequência da situação foi de soco na cara,
chutes pelo corpo e empurrões. Cerca de 20 a 30 cercaram o editor do Portal
Martin Behrend. Gritavam, ofendiam, intimidavam. Eram selvagens em grupo
atacando uma pessoa. Tudo isso na porta do Centro Administrativo Leopoldo
Petry. O jornalista conseguiu caminhar até a escada lateral que dá acesso
ao Centro Administrativo Leopoldo Petry e, amparado por algum cidadão,
escapou de novos ataques.
Após um mês dessa selvagem agressão, o caso avançou. A
partir de Boletim de Ocorrência registrado na Central de Polícia, a situação
ficou sob responsabilidade do delegado Alexandre Quintão, responsável pela 3ª
Delegacia de Polícia de Novo Hamburgo. Foi concluído o Termo Circunstanciado
com a identificação de pelo menos um dos agressores e encaminhado para a
Justiça – está no Fórum hamburguense. O próximo passo deverá ser uma oitiva dos
envolvidos na agressão.
A Prefeitura de Novo Hamburgo ainda não tomou providências
em relação aos agressores. A expectativa é esperar o resultado da Justiça para
se adotar providências administrativas. O secretário municipal de Segurança,
Roberto Jungthon, confirma que a Prefeitura enviou para a 3ª DP imagens
disponíveis no Centro Administrativo Leopoldo Petry a fim de auxiliar na
identificação dos agressores.
Em tempo: o jornalista Martin Behrend nunca usou o
aplicativo Uber. Nunca chamou um Uber. Nunca trabalhou para o Uber ou qualquer
outro aplicativo. No dia 14 de março, ele recebeu uma sugestão de pauta e, como
qualquer trabalhador, foi realizar a sua atividade profissional. O que ocorreu
foi um ataque covarde e selvagem de alguns taxistas a um profissional da
imprensa. Um atentado à liberdade de imprensa, uma censura ao trabalho do
jornalista que foi lá exatamente divulgar a manifestação dos taxistas. A Associação dos Taxistas de Novo Hamburgo (ATNH) nunca procurou o jornalista para qualquer manifestação – o presidente e lideranças estavam no episódio da Prefeitura – e não publicou qualquer posicionamento em relação à agressão.
Que a Justiça prevaleça e se punam os agressores. Até porque
existem taxistas que fazem seu trabalho com muita dedicação, empenho e
correção. Eles não merecem ser comparados aos bandidos que agrediram um
trabalhador numa ensolarada manhã de terça-feira em frente à Prefeitura.

























