Agora está claro por que Pablo Marçal e seu grupo bloquearam rota de hospitais na catástrofe

“Minha filha de cinco anos ficou internada no Hospital
Regina e a gente foi BEM prejudicado por esse isolamento da principal via de
acesso. Embora toda a doação seja válida, é um descalabro isolar a rua.”

“Fomos insultados ao tentar passar por ali. Meu filho está
em tratamento médico há três meses. Já esteve consultando em dois especialistas.
Fui chamado de mentiroso ao levar meu filho para consultar. A sensação é que
priorizam alguns. A indignação é grande.”

“Está um absurdo aquilo ali. Deveriam levar tudo isso para a
Fenac para centralizar. Inclusive, acho que tem ‘espertalhões´ indo ali. É tudo muito
triste o que está acontecendo.”

“Faço fisioterapia por conta das hérnias de disco que,
inclusive, me deixaram sem caminhar. Para meu tratamento, precisei subir uma lomba
a pé, pois não consegui acessar o local, já que a rua está fechada. É de uma falta
de respeito e sensibilidade com algumas coisas. Fico impressionada!”



“Moro em Estância Velha. Minha esposa está grávida. A rota
mais rápida para Hospital Unimed VS é por essa avenida. Tivemos de fazer uma
volta totalmente desnecessária.”

“Realmente esse bloqueio tem prejudicado, pois preciso levar
minha filha para a escola por um trajeto muito maior.”

“Eu trabalhei como voluntário ali. Acho ótimo as doações,
mas não concordo com o bloqueio da rua. Poderiam fazer as doações sem
prejudicar o trânsito”.

“Minha mãe perdeu uma consulta médica. Ficou perdida no
bairro e chegou tarde. Desrespeito.”

“Tivemos prejuízos. Perdemos clientes. Mas decidimos não divulgar
nossas dificuldades com medo de represálias dos seguidores.”

“É um absurdo tirar o nosso direito de ir e vir.”

“É lamentável!! Até isso, acontecendo!!”

“Além de todas as infrações apontadas, vemos veículos pesados circulando em área histórica, onde são proibidos.”

“Numa emergência ou alguém tem complicações de saúde, quem se responsabiliza por ficar preso ali? Cadê a prevenção?”


RELATOS

Os relatos acima são de cidadãos de Novo Hamburgo e do Vale
do Sinos. É uma compilação de mensagens e relatos pessoais que o Portal Martin
Behrend recebeu sobre o desnecessário bloqueio que ocorreu durante cerca de dez
dias, em plena catástrofe ambiental, numa rota de dois grandes hospitais de
Novo Hamburgo.



Para quem não leu um artigo de 15 de maio – ele pode ser relembrado
aqui https://martinbehrend.com.br/noticias/noticia/…-, é o seguinte: um trecho da Avenida General Daltro Filho, no bairro
Hamburgo Velho, ficou bloqueado por cerca de dez dias. É uma rota de acesso ao
Hospital Unimed VS, Hospital Regina e UPA Canudos.

O bloqueio ocorreu por um grupo privado ligado ao empresário
e coach goiano Pablo Marçal. Esse grupo se apropriou de via pública para
entregar doações. Eles definiam quem podia passar, encher o carro de doações, circular por ali.


Aqui vem o primeiro ponto: todas as pessoas elogiaram e
agradeceram as doações. Todos aplaudiram as doações. As doações foram e são
fundamentais. Nem se discute.

Ocorre que muita gente ficou prejudicada com o bloqueio
desnecessário. Não precisava tirar a liberdade de ir e vir das pessoas. Não precisava
tirar a liberdade de circulação no meio da tragédia. Não precisava bloquear uma
rota de hospitais em plena catástrofe. Não precisava prejudicar idosos,
gestantes, crianças e empreendedores.

Milhares de hamburguenses fizeram doações. Grupos da cidade preparam
mais de 300 mil marmitas. A Fenac recebeu doações de diversos Estados brasileiros.
Famílias inteiras trabalharam como voluntários na Fenac. Ninguém fez nada
parecido com o bloqueio de Hamburgo Velho.

Então, por que razão Pablo Marçal e seu grupo precisaram
tirar a liberdade de circulação numa rota de hospitais da cidade?
Com direito a
discurso numa empilhadeira para as pessoas que esperavam doações (foto abaixo)? Com crachás personalizados com a imagem do empresário? Por que deixar as pessoas esperando sob chuva e frio, e descarregar as doações pegando chuva em alguns dias? Por que toda essa necessidade de
aparecer, com equipes de filmagem registrando
tudo, com vídeos circulando em suas redes sociais sobre sua atuação?


A resposta veio nos últimos dias.


Pablo Marçal, que tentou se lançar candidato a presidente da República e foi candidato a deputado federal em 2022, continua em campanha política. Agora, para ser prefeito de São
Paulo na eleição de 2024.


Ele foi indicado como pré-candidato a prefeito da capital paulista pelo PRTB: https://www.cnnbrasil.com.br/politica/prtb-anuncia…

Resumindo: o político Pablo Marçal e seu grupo provocaram esse bloqueio
desnecessário.

Bah, Martin, mas que bobagem, e o que Novo Hamburgo tem a
ver com isso? Ninguém daqui vota para prefeito em São Paulo! Correto.



Mas Marçal tem estratégia de comunicação. Está entrando na política. Já tentou disputar
a presidência e toda visibilidade ajuda. Seus vídeos em Novo Hamburgo têm milhares de comentários.
Aplausos. Elogios. Também tem vídeos de ação no Rio Grande do Sul. Em helicóptero, discursando no meio da
multidão, junto da enchente, anunciando a chegada de doações em carretas.

Marçal já estava em pré-campanha. Azar
do bloqueio de uma rota de hospitais, tirando o direito de ir e vir das
pessoas, suprimindo a liberdade de circulação em plena catástrofe.

A Fenac recebeu carretas e caminhões de vários estados brasileiros, de várias empresas, de várias organizações. Inclusive, o grupo de Marçal levou uma ou duas carretas. Mas lá na Fenac, com toda a sua área coberta e sem precisa bloquear avenida, fica quase no anonimato. Então, era preciso chamar a atenção para registrar no seu material de
comunicação.


Doações, sempre! Doações, ótimo! Doações, sim!

Agora, fica clara uma diferença: Dunga, Alok, Badin O
Colono, artistas, atletas, cooperativas, clubes esportivos, entidades empresariais, igrejas hamburguenses e
grupos de empresários com dezenas de milhares de marmitas, clubes de serviço, milhares
de voluntários e doadores na Fenac, entre tantos outros, estenderam as mãos com
valores ou voluntariado de forma quase anônima, sem tirar a liberdade das
pessoas.

Já Pablo Marçal e seu grupo transformaram a generosa entrega
de doações num ato de promoção de um político. Azar dos hamburguenses que
perderam a sua liberdade de circulação em plena catástrofe ambiental.

Agora se sabe o motivo.

OBSERVAÇÃO DO AUTOR: As doações do grupo seguem ocorrendo em outro pavilhão de Novo Hamburgo, onde não há bloqueios nem dificuldades para acessar hospitais. Como já foi dito, doações são bem-vindas e necessárias.

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