O Rio Grande do Sul recebeu, nesta semana, o revezamento da
Tocha Olímpica. Porém, muitas pessoas nas redes sociais estão chamando de
“tocha da discórdia”, “tocha do petróleo”, entre outros adjetivos que rebaixam
a grandeza do evento. Como já escrevi em outras oportunidades e também em meu
trabalho de conclusão da graduação, o esporte é ferramenta de transformação
social com uma capacidade gigantesca de mobilização. Por esse motivo que sou
totalmente contra reprovar a passagem da tocha olímpica por todo o país.
Explico melhor minha posição. Quando o Brasil assumiu o
compromisso de sediar os Jogos Olímpicos de 2016, a crise pela qual a nação
enfrenta nos dias de hoje não era tão grave. O que já era grave, muito antes do
Rio de Janeiro ser confirmado como sede dos Jogos desse ano ou do país ser
confirmado como sede da Copa em 2014, era a corrupção. Essa, sim, deve ser
criticada a cada momento e combatida a cada segundo. As pessoas de bem não
podem enfraquecer nessa luta. Ser contra a realização dos Jogos tudo bem, mas
desvalorizar a grandeza e a importância do evento não podemos aceitar.
Presenciei a chegada em Campo Bom de Antônio dos Reis, ultramaratonista
de 75 anos que participou do revezamento em Encantado e foi acompanhado por
mais de 100 pessoas que se deslocaram do Vale do Sinos até o Vale do Caí para
prestigiá-lo. Na chegada, com direito a desfile no caminhão dos Bombeiros, era
nítida em todas as pessoas a emoção e a satisfação de estarem representados por
um conterrâneo no evento. A emoção das crianças era algo indescritível.
Por isso tudo que acredito na força do esporte e no legado
social e econômico que os Jogos Olímpicos podem nos deixar. Precisamos combater
aquilo que está errado na organização, assim como foram os estádios esdrúxulos
construídos para a Copa de 2014, mas precisamos de discernimento para
aproveitar todos resultados (e tenho certeza que serão muitos) que a Olimpíada irá nos
oferecer.
