A próxima luta de Redecker, Feltes e van Hattem: a volta do mimeógrafo

O plenário da Câmara dos Deputados rejeitou, por 229 votos favoráveis, 218 contrários e uma abstenção, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 135/19, que torna obrigatório o voto impresso.

A votação ocorreu na noite desta terça-feira (10)

Para que fosse aprovada, a PEC precisava de, no mínimo, 308 votos em dois turnos de votação. A matéria será arquivada.

Dos 229 votos favoráveis, três foram de deputados federais com base e grande votação no Vale do Sinos: Marcel van Hattem (Novo), Lucas Redecker (PSDB) e Giovani Feltes (MDB).

Os três deputados foram eleitos e reeleitos pelo voto eletrônico, mas pelo jeito não confiam nas suas votações.

Eles ignoram que a urna eletrônica é um dos orgulhos tecnológicos do Brasil, inclusive copiado para outros países. Sem histórico de fraudes – com os partidos políticos, Polícia Federal, Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (ANPC), Tribunal de Contas da União (TCU) e outras autoridades apurando, investigando e APROVANDO.

Ao invés de se posicionarem com um Não, até como sinal de que existem prioridades neste país, os representantes do Vale do Sinos alimentam teses estapafúrdias sem qualquer comprovação.

Os deputados, com este Sim, dão um recado de que não é prioridade na pauta deles a inflação descontrolada – em 12 meses, 10% acumulado em Porto Alegre. O custo da energia elétrica, dos combustíveis e dos alimentos corrói os salários das famílias brasileiras.

Ontem mesmo fiz uma postagem sobre o preço dos ovos: https://martinbehrend.com.br/noticias/noticia/… .

Em parte, se entende esse distanciamento dos parlamentares da realidade: viver em gabinetes de Brasília, das bases, de vereadores, secretários e prefeitos cria um distanciamento do que ocorre nos mercados, nos postos de combustíveis, nas feirinhas. Eles não percebem os valores evaporando das carteiras dos brasileiros.

Já que não confiam na tecnologia e preferem torrar milhões de reais do nosso dinheiro em impressoras, papel, energia elétrica, etc, vou dar um bônus aos nossos representantes, sugerindo três bandeiras pelas quais devem lutar:

– A volta do mimeógrafo nas escolas. É preciso auditar as provas de papel dos estudantes. As atividades podem sumir nas aulas virtuais. Mais: mimeógrafos nas escolas e universidades! Ah, e aquele cheirinho de álcool. Mimeógrafo já, precisamos auditar as provas dos estudantes e acumular papel em caixas empoeiradas e derrubar mais árvores para assegurar a auditoria dos testes de tabuada.

– A volta da ficha nos orelhões. Precisamos auditar se a ligação completou e ter a ficha para comprovar que ligamos nos orelhões. Cartão telefônico é muito moderno, queremos a fichinha!

– A volta de cartões postais para divulgar os mandatos dos deputados. Chega de WhatsApp e redes sociais. Precisamos auditar e ter certeza que os deputados estão realmente produzindo algo. Podem usar nas imagens dos cartões postais uma imagem da Maria Fumaça que cruzava pela região.

Para uma votação que soa como deboche, só com muita ironia.

O posicionamento dos deputados federais a favor do voto impresso ajuda a entender parte do atraso do Vale do Sinos.

Caros parlamentares, prioridades!

OBSERVAÇÃO: Dezenas de países fazem uso da urna eletrônico, muitos sem impressão de papel. Aqui está a informação: https://www.tse.jus.br/imprensa/noticias-tse/2021/… .

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