No final do Ensino Fundamental e em algum momento remoto do
Ensino Médio temos o primeiro contato com as palavras “setor primário,
secundário e terciário”.
É definindo de maneira muito simplista um movimento cada
vez mais complexo e dinâmico que movimenta a economia da nossa região ou até em
esferas globais.
Acontece que depois de entender que o setor primário envolve
a agricultura, extração vegetal e matérias-primas, e que o setor secundário é a
indústria que transforma essa matéria-prima em produtos (sim, simplificando
mesmo), rapidamente passamos pelo setor terciário que, na verdade, se subdivide
em “comércio” e “serviços”.
E é aqui onde quero me ater, a importância que damos para os
serviços na economia.
No final do século XX e o início do século XXI o mundo
viveu a mudança de importância do capital para a informação.
Em todo o mundo,
pessoas e organizações testemunharam negócios que não envolviam mais apenas
insumos físicos e, sim, muitas informações de mercado, consumo e inteligência de
dados que foram impulsionados pela evolução intensa da tecnologia e a globalização,
que aproximou ou unificou costumes e comportamentos para transformar a economia
mundial.
Essa transformação mudou a forma como todos trabalham,
planejam e consomem. Por esta razão o setor de serviços passou a ter uma
importância e mudar sua importância nas comunidades locais, regionais ou
globais.
Tente imaginar como você comprava um produto de tecnologia inovadora
pessoal como um notebook há dez anos. Provavelmente você faria uma pesquisa em
lojas físicas e contaria com a opinião de conhecidos ou vendedores para sua
escolha, além do preço.
Hoje, você pode comprar este produto sem sair de casa,
com o auxílio de avaliações de compradores do mundo todo, comparações com
outros fabricantes e com a possibilidade de comprar de outro país com prazo máximo
de 10 a 15 dias em qualquer Market place.
O foco não é mais o notebook e, sim, por onde você chegou a
ele: o aplicativo, a comparação entre produtos, a entrega, o atendimento, a
garantia e até a agilidade de entrega. Isso é o que chamamos de serviços.
Isso não é exclusividade de produtos manufaturados, pense
também como marcamos a consulta com um médico. Podemos descobri-lo pelas redes
sociais, vermos suas avaliações online, marcar por aplicativo, recebermos
descontos pela pontualidade e comparecimento e termos acesso inclusive ao nosso
histórico clínico.
E também podemos utilizar aplicativos de transporte, onde o
carro e o motorista são o último nível dos serviços que utilizamos após, baixar
um aplicativo, decidirmos o melhor valor, forma de pagamento e avaliarmos a
qualidade do atendimento.
Entender esta importância pode modificar a forma como os
indivíduos conduzem carreiras, o foco e surgimento de empresas e as políticas
governamentais para incremento da economia. Em 2019, segundo o IBGE, o setor de
serviços, após quatro anos de resultados negativos, cresceu 1% sendo puxado pelo
setor de comunicação e tecnologia, que cresceu 3,3%.
O percentual de apenas um
dígito parece pequeno, mas em um período de economia recessiva isso pode
demonstrar a reação que este setor pode significar, sendo que na indústria, após
crescimentos pequenos nos anos anteriores, em 2019 acumulou uma queda de 1,1%.
O setor de turismo, por exemplo, conquistou um crescimento de
2,6%. E, assim como outros segmentos de serviços, ainda é erroneamente
simplificado como possível apenas em cidades ou regiões com atrativos naturais
ou culturais estabelecidos.
Se a forma de enxergar serviços evoluir, as
cidades, profissionais e consumidores podem planejar e desenvolver uma nova
década com perspectivas muito promissoras.
Em meu próximo texto abordarei conhecimentos, comportamentos
e perspectivas dos profissionais em participar do setor terciário para
tornarem-se protagonistas de novos cenários e gerar crescimento.
Dúvidas,
críticas e sugestões podem ser encaminhadas também através do meu Instagram:
@consultoriamelius.
