A comunista Manuela, humildade, jornalistas e liberdade de imprensa

Após muitos anos, uma gaúcha campeã de votos ficará sem
mandato na política. Vereadora de Porto Alegre, duas vezes deputada federal –
em 2010, se reelegeu com a histórica marca de 482.590
votos – e, atualmente, deputada estadual, Manuela D´Ávila (PCdoB),
concorreu a vice-presidente na chapa de Fernando Haddad (PT). Perdeu.

A comunista deve agradecer por esse tempo que receberá. Será bom para
reavaliar posicionamentos. Um dos pontos fracos de Manuela é sua falta de
humildade em reconhecer erros, crimes e malfeitos praticados por seus aliados.
Eu olho pra Manuela e vejo uma mulher em transe, quase dopada, não conseguindo
mais sair das armadilhas criadas pela sua ideologia utópica. Esse descanso pode
fazer bem à jovem gaúcha.

Eu sou vítima de censura, discriminação e restrições ao
trabalho de jornalista praticados por Manuela. Na rede social Twitter, fui
bloqueado por Manuela. Ela decidiu que eu não posso acompanhar seu noticiário. Nunca
ofendi ou usei palavrões. Críticas, sim. Resultado: bloqueio, restrições.

Manuela decidiu favorecer outros jornalistas, que são
privilegiados em ler suas manifestações. Eu estou fora do clubinho. É
discriminação na veia: ela decide que uns podem ler suas postagens, enquanto
outros estão impedidos. Como funciona a discriminação com gays, negros e
outros grupos? Uns podem acessar alguns locais, outros não, é isso? Uns entram, outros ficam de fora? Confere
produção? Que coisa, hein, Manuela. Que feio.

A situação é ainda mais repugnante por Manuela ser…
jornalista! No Capítulo 2 do Código de Ética dos Jornalistas, o artigo 6º,
diz o seguinte:

“É dever do jornalista: I – opor-se ao arbítrio, ao
autoritarismo e à opressão… III – lutar pela liberdade de pensamento e de
expressão; IV – defender o livre exercício da profissão; V – valorizar, honrar
e dignificar a profissão.”

Incrível: uma jornalista que tripudia o próprio Código de
Ética da profissão.

Mas Manuela, infelizmente, não está sozinha nesse barco. No
governo municipal do PT-PCdoB-PDT em Novo Hamburgo (2013-2016), também fui
vítima de censura, discriminação, intolerância editorial. Fui humilhado e excluído de
listas oficiais, fui impedido de acessar pautas, não recebi convites, fui
ignorado de eventos, fui abertamente discriminado. Pasmem: jornalistas pagos
pela comunidade de Novo Hamburgo, que trabalhavam no setor de imprensa, ao
invés de denunciarem, participaram da roda de exclusão.

Em universidades, tomadas por mestres de esquerda, jamais consegui levar minha palestra sobre liberdade de imprensa. Censura velada e confirmada – em absoluto sigilo e temor de perseguição – por jovens universitários que relatam antipatia de alguns mestres pelo meu trabalho.

Denunciei isso para jornalistas de Novo Hamburgo, do Rio
Grande do Sul e do Brasil. Ainda hoje faço isso, cobrando solidariedade. Sabe
quantos jornalistas, das dezenas que conhecem o caso, se manifestaram
repudiando a postura de Manuela? Menos de 5%. Ao invés de se colocarem
na defesa da liberdade de imprensa, a maioria dos colegas que procurei se
calou. Jamais, publicamente, foram cobrar Manuela.


Covardia, simpatia política, medo de perder emprego,
escolham a opção. São mais de quatro anos buscando suporte junto a colegas
jornalistas. E o silêncio impera todo esse tempo – salvo uma aguerrida minoria.
É uma triste realidade: um dos pilares da nossa Constituição fica em segundo
plano num ato absurdamente discriminatório da deputada comunista.

Finalizando: leio, nas últimas semanas, dezenas de jornalistas preocupados
com a liberdade de imprensa. Só rindo, que piada. Santa hipocrisia. Muitos dos que
jamais criticaram publicamente Manuela por discriminar um colega de profissão,
neste momento, com a eleição de Jair Bolsonaro (PSL), temem perder espaços.

Caros colegas, vocês estavam em transe? Estavam hibernando?
As restrições às liberdades estão aí faz um bom tempo. Onde vocês estavam
quando o presidente do Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande do Sul intimidou
e tentou censurar um colega em Curitiba, e quando outros profissionais foram atacados: http://www.martinbehrend.com.br/noticias/noticia/i…

Será um tempo livre para Manuela ter a humildade de reconhecer
seus erros. Igualmente, os jornalistas. Eu sou um ferrenho defensor da
liberdade de imprensa. Quanto mais livre a imprensa, mais desenvolvido é um
país. Quanto mais fechada a imprensa, mais subdesenvolvida é uma nação – salvo casos
excepcionais, como China. Eu pesquisei. Eu tenho palestra sobre o assunto. É informação e pesquisa.

Para um país ter maior desenvolvimento, ele PRECISA de uma
imprensa livre.

A hora de repensar atitudes e comportamentos chegou. Não
temam, colegas jornalistas, sobre restrições ao trabalho da imprensa. Não temam
somente agora, pois eu sinto na pele isso há alguns anos. Infelizmente, muitos de
vocês estavam adormecidos.

Sempre é tempo de acordar e ter a humildade de reconhecer erros. E lutar por algo tão valioso para um
país. Você, jornalista Manuela, que pratica a discriminação, está incluída
nesse convite.

PS: Em abril deste ano, Jair Bolsonaro esteve em Novo Hamburgo. Na coletiva de imprensa, eu fui o primeiro jornalista a perguntar. O meu questionamento ao então pre-candidato foi exatamente sobre liberdade de imprensa. A resposta do agora presidente eleito está na matéria que produzi. A foto também é de minha autoria: http://www.martinbehrend.com.br/noticias/noticia/i…

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