Sem dúvida. A colaboração superficial sempre nos levará a “mais do
mesmo”. É preciso desapego ao próprio ego e um espírito de contribuição
para que haja a construção de um produto ou serviço que gere valor
significativo ao cliente.
A rotina diária no trabalho se distribui em tarefas, projetos,
objetivos, metas, reuniões multidisciplinares e criação de soluções aos
problemas do mercado. Até aí, tudo certo!
O problema está em um item que considero “capital”: o engajamento. Só há
engajamento real quando há segurança psicológica, a autogestão já faz
parte do próprio repertório, o ambiente tem um clima descontraído e
alegre, o diálogo é aberto e franco e a clareza
está em toda ideia e comunicação.
Além disso, é necessário que a criatividade seja estimulada ao máximo,
se utilizando de ferramentas como Design thinking, Scrum, Kanban e
tantas outras. Para que ela se manifeste plenamente, há alguns elementos
que precisam estar presentes:
– a confiança em si e no time; o repertório; a clareza de onde se deseja
chegar e um desejo legítimo em auxiliar na construção de algo novo,
inovador, impactante.
Pretendo enfatizar um elemento fundamental: a confiança. Em um ambiente
onde há briga de egos, esperteza generalizada, egoísmo e disputa sutil
por poder, chega a ser quase impossível. Mas não é!
Você pode pensar: mas meu time entrega muito.
A pergunta que não quer calar: a questão é qualidade e valor ou quantidade e esplendor?
A confiança interior e exterior é uma conquista que necessita de tempo
para ser alcançada. As pessoas desconfiam de si mesmo, dos outros, das
ordens, dos resultados. Como avançar?
O primeiro passo é permitir o crescimento individual com foco no
coletivo. Explico: quem está de bem consigo mesmo, certamente tratará
muito bem as pessoas ao seu redor. Não bastam dinâmicas e bonificações
em uma época como estamos vivendo.
É preciso saúde física, mental e emocional. A plenitude individual se
espalha no grupo rapidamente. O incentivo perene ao autoconhecimento,
reflete diretamente no contexto das empresas. Esse caminho inicia com
uma pergunta simples e muito difícil: quem sou
eu?
Em uma era de inteligência artificial precisamos reforçar o que nos
diferencia profundamente das máquinas: nossa natureza humana. Esse o
segundo passo.
Investir nas pessoas significa desenvolver programas e rituais que
apoiem um ambiente de crescimento real. Um avanço que se desdobra na
transformação pessoal, primeiramente, para depois alcançar a equipe.
Pessoas engajadas consigo, se engajam com o todo, desde
que esteja presente um propósito que valha o esforço.
O caminho inverso, o mais usual, é querer que as pessoas se desenvolvam a
partir da equipe. Também é válido, mas será que é real?
Se desejamos ter originalidade e ideias extraordinárias em nossos
negócios, precisamos de um ambiente que propicie esta realização. A
criatividade é a utilização da imaginação em prol da resolução dos
problemas.
Só consegue imaginar de forma original quem tem uma conexão profunda com
a sua essência, sem a envolvimento de pensamentos e preocupações com o
que será imaginado.
Quem tem a confiança de que será ouvido com atenção, respeitado com
equidade e receberá incentivos a que o fluxo de ideias aumente, sem
nenhum tipo de brincadeirinha de mau gosto ou sarcasmo.
Ou seja, para haver uma colaboração legítima é preciso que a pessoa se
entregue de “corpo e alma” e sem receios. Cada receio se torna uma
restrição quando o tema é criatividade. Este o terceiro passo e o mais
difícil.
O incentivo à colaboração, ao autoconhecimento, a liberdade, a
experimentação, a permissão de erros que gerem o aprendizado rápido, só
acontecem de fato quando cada um estiver pleno de si, em um ambiente que
respeite a plenitude de todos e saiba orquestrar
os talentos com um propósito maior.
Originalidade não é para qualquer um. É preciso acrescentar a esta
receita: o foco inabalável nos problemas reais dos clientes e do
mercado. Haja sinergia!
Artigo publicado no portal Martinbehrend.com.br
Leitura do artigo com César Silva:
