Sabe, é
aquela mistura de barraca e gaiola que os homens do Talibã, facção
político-religiosa que habita o Afeganistão, impõem às suas mulheres para andar
em público. Para o mundo todo, especialmente o Ocidente, é claro, afigura-se o
pseudo-traje como o maior símbolo da submissão feminina, numa degradação da
mulher como ser vivo do reino animal. Então, esta é
a burka física, feita de pano, plástico, madeira, ou qualquer material que
suporte aquela estrutura machista.
Agora, vamos
parar um pouco para pensar no significado ético e moral do caso… Sendo implementada e usada parece que
especificamente para uma manifestação de propriedade, de submissão a um comando
proprietário que supõe um retorno de obediência, uma conduta ostensiva de
proprietário e produto, será que só existe em uso externo? Pois acho – não,
tenho segura certeza – que existem muitas outras burkas por aí ao redor de
nós. Porém, é claro, que são burkas
internas, enrustidas, encravadas lá no fundo do inconsciente, achatando,
deformando, destruindo a personalidade de tantas mulheres que no fundo, no
fundo, também aceitam a subserviência e acatam esta pseudo escravidão imposta
por seus homens – ocidentais e civilizados até.
Porque eles
vestem suas mulheres com uma burka moral que elas se dispõem a carregar mesmo
sem ter consciência de sua conduta. Mulheres que aceitam estar sempre
disponíveis quando seu amo e senhor retornar do trabalho, da escapada, da
diversão ou do prazer, e que estejam atentas para as necessidades e ordens
emanadas por sua real majestade
doméstica.
Então,
quando uma jovem diz que o meu namorado não quer, ou uma senhora diz que o meu
marido não deixa, estão enfiadas numa burka que vai se perpetuar pela vida afora. Mas se isso
for possível ainda tem pior, quando além de cumprir com as tarefas do lar ela é
obrigada a trabalhar fora e entregar todo resultado do seu esforço laborioso ao
seu patrão doméstico. É a sua burka.
Quer dizer,
tornam-se dignas de pena as mulheres afegãs porque precisam circular com suas
burkas exibidas sobre o corpo. Mas não são diferentes de tantas outras mulheres
que carregam suas burkas no inconsciente, escondidas das vistas alheias
aparentando segurança e independência, mas que não conseguem disfarçar o
cabresto que as conduz conforme a vontade do seu dono.
Para
encerrar, o lembrete de uma escritora: as superstições religiosas das mulheres
perpetuam sua servidão mais que todas as outras influências adversas. ES.
