Uma eleição que teve como resultado um país dividido em duas
partes é muito complicada de ser gerida. Isso aconteceu em 4 de março na Itália.
Do centro ao sul venceu o partido populista (partido novo, sem políticos
de carreira) com 32% de todos os votos italianos. Do centro ao norte venceu a coligação de
extrema direita, com 37% de todos os votos italianos. O partido vencedor dentro
dessa coligação com candidato jovem, sem ser
exatamente de carreira.
O partido populista tinha como bandeira principal o “salário
cidadão”, ou seja, um salário razoável para cada cidadão sem emprego, ou com
sub-emprego. Isso soava como música numa
região menos industrializada, muito agrícola, e com um incidência de pobreza
mais elevada, como o sul, e por isso foi
eleito ali massivamente.
A extrema direita tinha como bandeira principal “a Itália
para os italianos”, ou seja, o fechamento dos portos para a imigração
ilegal. Melhorar a vida dos italianos,
ou ao menos, parar de piorar cada vez mais, com a chegada de tantos
estrangeiros que precisam comer, morar, vestir, ter assistência médica, e que
foram dividindo o que os italianos construíram ao longo de sua historia, a não
pouco trabalho e suor.
Como o regime é parlamentarista, o presidente é quem escolhe
o primeiro ministro. Mas são os partidos
eleitos que devem apresentar ao presidente um candidato que possa ter aprovados
os seus pleitos na Câmara de Deputados e senadores, ou o país ficaria ingovernável.
E começaram as longas e intermináveis negociações entre os
dois extremos. Depois dos dois vencedores abrirem mão de sua candidatura
própria a primeiro-ministro, foi possível a construção de uma aliança, onde as
duas bandeiras principais (acima descritas) seriam honradas, e que o partido
Forza Italia (leia-se Berlusconi – raposa velha da politica) não fizesse parte
do governo.
No mês de maio chegaram a esta aliança, com um outro nome
como o primeiro-ministro e que foi aceito pelo presidente. O populista como ministro da Indústria e
Trabalho, e o direitista como ministro do Interior.
Os navios das diversas ONGs que navegam no Mediterrâneo para
salvar os refugiados em botes já não podem mais atracar na Itália. Na França nunca puderam, e a Espanha recebeu
um só. Ontem, atracou um em Malta, mas já
foi apreendido. Ou seja, salvam-se as
pessoas já em mar, mas acaba o tráfego.
Isso gerou discussão acirrada com alguns países da Europa
(principalmente França, Alemanha e Espanha), cuja retórica no parlamento de
Bruxelas é de que a Itália deveria receber os refugiados, mas onde as ações
concretas de asilo dos provenientes africanos eram parcas ou mesmo
inexistiam. Enfim, a União Européia foi
chamada à sua própria essência: a união. Pontos para o novo governo italiano.
Por outro lado, os populistas estão começando a mexer com as aposentadorias
vitalícias de políticos e ex-políticos, de profissão, de onde devem vir os recursos do salario cidadão. Naturalmente que não vai ser fácil, mas já se
escutam vozes de políticos encontrando soluções paliativas, como doação de
parte dos recursos recebidos para um fundo salario-cidadão. Ou seja, como está não vai continuar.
Por que escrever tudo isso? Nós estamos num ano de eleição no Brasil. Assim como aqui na Itália, já
ninguém aguentava mais a politica morna e velha do partido anterior, também no Brasil ninguém mais aguenta os
políticos que se perpetuam no poder, que se corrompem para isso, e que só não
pensam no “ Brasil para os brasileiros”.
E aqui venceram dois opostos. Dos quais não se esperava uma
aliança possível.
E até pode dar certo.

























