Esta semana ficou marcada pelos 100 dias de atuação dos
novos governos municipais e das novas composições nas Câmaras de Vereadores. Em
Novo Hamburgo, o balanço que se faz na relação entre o Poder Executivo
(Prefeitura) e Poder Legislativo (Câmara de Vereadores) é positivo.
Diferentemente do governo do ex-prefeito Luis Lauermann (PT), o governo da
prefeita Fátima Daudt vem se mostrando aberto ao diálogo e disposto a atender
demandas repassadas pelos vereadores.
Nesta semana, um exemplo claro desta situação ocorreu na
sessão de quarta-feira. Vereadores de diferentes partidos foram até o microfone
reconhecer que pedidos repassados pelos parlamentares foram resolvidos pela
Prefeitura. Gabriel Chassot (Rede), Sergio Hanich (PMDB) e até Enio Brizola
(PT) tiveram a grandeza de agradecer pela atenção recebida. Pode parecer o
básico do básico, a mínima obrigação, mas é preciso comparar: no governo
petista vereador de oposição era maltratado e solenemente ignorado. As
demandas de alguns iam para gavetas, como mostrou reportagem do Portal Martin
Behrend no ano passado. Os gabinetes dos secretários municipais também estão seguidamente ocupados por parlamentares de oposição.
O vereador Issur Koch (PP), que vem atuando de forma independente,
trouxe uma reflexão importante na sessão de quarta-feira. “Fazer
questionamentos, tirar dúvidas, desejar explicações do governo não é ser
oposição. É querer contribuir ou até melhorar determinados projetos. E com
diálogo as coisas se resolvem”, destacou com sabedoria.
Um dos grandes gestos do governo de Fátima Daudt foi a
prestação de contas de 60 dias de trabalho. Pela primeira vez na história do
Legislativo local, praticamente todos os secretários foram até o Palácio 5 de Abril
responder à sabatina de parlamentares. A ação recebeu elogios de parlamentares
da situação e da oposição – a matéria está no link http://www.martinbehrend.com.br/noticias/noticia/id/2785/titulo/dia-historico-na-camara-prefeita-fatima-e-secretariado-sao-sabatinados-por-mais-de-seis-horas.
É inegável que o governo Fátima Daudt começa muito melhor
que o governo de Luis Lauermann. Aos poucos, os tucanos começam a imprimir o
seu estilo de administrar. Só que grandes testes ainda estão por vir. A gestora
Fátima ainda será bastante testada.
CÂMARA DE VEREADORES
Enquanto a relação entre a Prefeitura e a Câmara de
Vereadores navega no campo do respeito e da colaboração, não se pode dizer o
mesmo na relação entre alguns vereadores. A disputada eleição da Mesa Diretora,
com a eleição de Patrícia Beck (PPS) como presidente, acirrou os ânimos e quatro meses depois mantém
o clima bélico nas relações entre parlamentares.
A composição pluripartidária da Mesa Diretora, reunindo
siglas que até a legislatura passada estavam em lados opostos, é um dos elementos
da instabilidade. A presidente Patrícia Beck vem adotando uma série de posicionamentos e nem todos estão sendo bem digeridos por colegas. Enquanto ela reduziu vários
cargos na Câmara, entre eles vários estagiários, alguns vereadores questionam eventos externos
que a Câmara participa, gerando custos extras – gasolina, material de trabalho
e até hora extra. Patrícia busca valorizar o trabalho da Câmara, enquanto “opositores” apontam gastos desnecessários com algumas iniciativas.
O fim do coral Amigos da Câmara e a compra de 16
computadores por uma modalidade legal, mas sem uma nova licitação, também
causaram mal-estar. “Faltou comunicação. A presidente fala em gestão
compartilhada. Mas ela que decide, mesmo tendo outros posicionamentos”, reclama
um vereador. A presidente se defende. “Temos que melhorar nosso trabalho para a
população. Estamos resolvendo muitos problemas que outros presidentes não se
envolviam”, comenta.
Para acirrar os ânimos, teve o episódio do estagiário de
Patrícia Beck, que numa rede social falou algumas verdades e fez outras
afirmações perigosas sobre o vereador Gerson Peteffi (PMDB) – chamou o
parlamentar de “dinossauro mamífero”. O estagiário publicou uma retratação na
mesma rede social. Em função disso, Patrícia estudou colocar obrigatoriedade do
ponto eletrônico para todos CCs da Câmara, inclusive de inimigos que ficam
minando sua atuação. Mas colegas aliados teriam ficado indispostos e a ideia
não deve prosperar.
Outro caso que deixou a situação desconfortável envolve
mudanças no regimento interno da Câmara. Corretamente, a Mesa Diretora fez
algumas alterações para evitar que vereadores fujões ou com aparições
relâmpagos continuem com essas práticas de malandragens. Raul Cassel (PMDB) se
queixou de algumas mudanças no regimento e disse que só faltava escolher uniforme para os
vereadores. Hanich disse que era um exagero a mudança no andamento da sessão, até porque ele sabia dos seus deveres
como parlamentares e não precisava desses ajustes. Para o leitor entender, umas das regras ganhou a alcunha de
Lei Peteffi – o campeão de sumiços e desaparecimentos em sessões da Câmara sem
qualquer tipo de punição. É fato: alguns vereadores experientes, que estavam numa zona de conforto, estão incomodados com tanta disposição da presidente,
Mas a questão não envolve só a presidente. O vice-presidente
Nassom Luciano (PTB) se tornou nos bastidores uma espécie de ferrenho defensor
do governo Fátima Daudt. E isso incomoda alguns colegas, pois ele integrava a
base de governo do ex-prefeito Lauermann. Mudou radicalmente o jeito
de governar – e ele segue ao lado da Prefeitura. “É incrível: ele ajudou Novo
Hamburgo a afundar e parece que não teve relação com governo do Lauermann”,
desabafa um colega. Articulado e estudioso de leis e regimentos, Nassom vem
buscando se posicionar com um novo comportamento, aparentemente tendo aprendido com episódios do
passado e querendo contribuir de uma maneira mais efetiva na condução dos trabalhos.
Os ruídos entre colegas também envolvem o novato Felipe Kuhn
Braun (PDT). Após um discurso forte na posse, buscando enquadrar alguns colegas,
ele teve um atrito forte esta semana com Issur Koch. O vereador do PP fez uma
sugestão em relação à leitura das informações na Câmara, – deixando mais objetiva e dinâmica –, mas o
pedetista não gostou do tom e da forma com que ocorreu a abordagem. Houve discussão
entre eles com uso de expressões como “Deu, baixa tua bola”, “Não é porque tu és
professor (Issur) que pode mandar nos outros”, entre outras frases.
O episódio é pequeno, mas serve para reforçar o clima de
hostilidade existente entre os parlamentares. Braun vem com uma bagagem forte
de atuação nos bastidores da Assembleia Legislativa e é um dos destaques desta
legislatura com a intensidade do seu trabalho – até porque alguns colegas mais
experientes (não é o caso de Issur) não se dedicam por inteiro ao mandato.
Para o bem de Novo Hamburgo seria bom que os vereadores
deixassem a poeira baixar. Até porque a cidade tem problemas bem maiores que as
alfinetadas dos parlamentares. Embora algumas medidas adotadas neste começo de
ano sejam positivas – a Lei Peteffi é uma delas –, é tempo de harmonizar. Depois
não adianta reclamar quando a comunidade não valoriza o trabalho do
Legislativo. O maior exemplo é o que vem acontecendo na relação Prefeitura-Câmara:
respeito e colaboração.
