Em março de 2017, o Portal Martin Behrend abriu manchete: “Gramado pode receber empreendimento da Hard Rock Hotel”. Na oportunidade, o prefeito João Alfredo de Castilhos Bertolucci (PDT), recebeu uma comitiva de investidores para apresentar detalhes do empreendimento. A matéria está no link http://www.martinbehrend.com.br/noticias/noticia/i…
Passado mais de um ano, lideranças empresariais e setoriais de Gramado decidiram se
posicionar contra a chegada de um megaempreendimento no município. A construção
do Hard Rock Hotel Gramado, às margens da ERS-235, na estrada que liga a Nova
Petrópolis, vem recebendo contestações de gramadenses.
Um dos grandes temores: a quantidade de novos leitos. Inicialmente,
o projeto prevê a construção de 400 unidades/quartos, com cerca de 900 leitos.
Na expansão projetada, poderão ser até 1.500 unidades/quartos, com cerca de
3.000 leitos.
Outro receio seria o perfil dos investidores. Quem pretende
construir o empreendimento é um grupo de Goiás. Segundo lideranças gramadenses,
o modelo praticado não seria saudável, e citam problemas que existem em Caldas
Novas, que também é um destino turístico brasileiro.
Um detalhe: a mobilização não é contra o Hard Rock Café, que
está praticamente pronto e vai abrir suas portas ainda neste mês, no Centro de
Gramado. Este estabelecimento de entretenimento e gastronomia não está sendo
contestado, mas sim o Hard Rock Hotel.
O SindTur/Serra Gaúcha já externou sua posição através do
presidente Fernando Boscardin. Ele é contrário e disse que o empreendimento vai
causar grandes transtornos ao município, seja em razão do fluxo de visitantes
como em relação ao número de trabalhadores que teriam de chegar e se estabelecer no município.
Agora, a Agência de Desenvolvimento da Região das Hortênsias
(Visão) emitiu nota de repúdio ao projeto de implantação do Complexo Hard Rock
Hotel em Gramado. Segue nota na íntegra:
“A Visão – Agência de Desenvolvimento da Região das
Hortênsias, vem apresentar sua manifestação de repúdio nos seguintes pontos:
A proposta de implantação deste projeto não contempla
benefícios sustentáveis de longo prazo para o município de Gramado.
A criação inicial de mais 900 leitos de hospedagem, ainda
mais que vendidos em forma de quotas hoteleiras (fracionados), iria aumentar
ainda mais a oferta já excedente de meios de hospedagem no município.
É sabida e notória a situação já calamitosa de diversos
meios de hospedagem em situação de insolvência, considerados os altos custos de
operação, locação e a oferta de meios de hospedagem por temporada ou em formato
compartilhado por meio virtual.
O volume já aprovado de empreendimentos em regime de quotas
hoteleiras fracionadas, em construção ou por serem construídos, já causa uma
concorrência irresponsável com a hotelaria convencional e com o setor de
construção civil, pilares do desenvolvimento e posicionamento turístico que
nossa cidade alcançou.
O fato de haver neste projeto a instalação de equipamentos
de alimentação, num complexo a alguns quilômetros de onde está instalado o
comércio e a gastronomia da cidade, deixa clara a ideia de que os eventuais
hóspedes terão a sua disposição, dentro deste complexo de 140 mil m2 todos os
recursos que atendam as suas necessidades, deixado à margem todo o investimento
já realizado em Gramado, para atendimento ao turista.
Nossa cidade não comporta sequer o volume atual de
visitantes e moradores em períodos de pico quando falamos em mobilidade urbana.
Concluídos os projetos hoteleiros e fracionados já aprovados, teremos
literalmente um nó na mobilidade urbana, sendo impossível movimentar-se, seja
cotidiano, a passeio ou a trabalho.
Há um déficit de segurança que já compromete a nossa
atividade turística e cotidiana atual, com a ampliação potencial do volume de
pessoas na cidade, estaremos nos tornando cada vez mais vulneráveis. A
Segurança pública é de responsabilidade do poder público, não seria possível
crer que os investidores deste empreendimento pudessem compor esta
contrapartida.
Da mesma forma, há déficit em saneamento básico,
fornecimento de água para a cidade, mais um problema que seria amplificado com
a construção do complexo, mais uma responsabilidade do poder público que não dá
suporte ao consumo já existente.
Um empreendimento desta grandeza iria necessitar de muita
mão de obra para sua construção e posteriormente para sua operação. Há um
déficit habitacional para a mão de obra produtiva atual na cidade. Onde toda
essa massa trabalhadora iria morar? Onde seus filhos irão estudar? Em que estabelecimento
de saúde seria atendidos?
Em que momento e de que forma, esta proposta é enquadrada no
Plano de Sustentabilidade da cidade para os próximos 30 ou 50 anos?
A legislação que permite a comercialização de
empreendimentos hoteleiros em regime de quotas fracionadas é incipiente e rasa.
Nosso município vem sendo vilipendiado por grupos especializados na implantação
de projetos desta natureza e tem a obrigação de limitar a sua instalação
através de legislação municipal, sob pena e risco de falência completa dos
equipamentos de hotelaria e gastronomia já instalados na cidade.
Já beiramos o caos em infraestrutura de mobilidade urbana,
saúde, educação, segurança publica e saneamento básico, todas estas demandas
são de responsabilidade da gestão pública. Como pode a gestão publica pensar em
aumentar a demanda sem oferecer infraestrutura?
O projeto apresentado com a expressão Prefeitura Municipal
de Goiânia, deixando claro que Gramado não é a primeira cidade onde este
projeto busca aprovação, ou seja, interessa o negócio e a sua rentabilidade, de
nada importa onde, desde que seja um indutor conhecido.
Seria provinciano o pensamento de que um empreendimento de
tamanho impacto possa ser saudável para a cidade. Seria saudável
financeiramente aos incorporadores, que concluído o empreendimento passam a
colher os resultados, deixando o custo social para o município.
A arrecadação de impostos que um empreendimento deste porte
traria, cobririam os prejuízos sociais, mobilidade, segurança, saneamento e
econômicos gerados em escala.
Respeitamos a história do Hard Rock Hotel e entendemos que
se a marca quer se instalar em Gramado, portanto respeitar a legislação para
instalação de hotéis em condições, que privilegia o conforto e segurança dos
hóspedes, a sustentabilidade de negócios novos e principalmente, de negócios já
existentes.
Entendemos que Gramado deve se posicionar de forma a
defender os investimentos já existentes e ativos, que hoje requerem atenção da
gestão pública.
Precisamos, antes de ampliar, mantermos o que já temos
instalado em respeito aos investimentos já realizados e considerando as
carências que já temos. A gestão pública deveria buscar soluções que
contemplem a sustentabilidade da cidade com vistas a um planejamento de longo
prazo e não a utilizar-se de um pensamento de curto prazo que tragam custo
social para o município.
Assim finalizamos este manifesto, com o intuito de
sinalizarmos a necessidade iminente de uma consulta pública mais ampla e
fundamentalmente que a comunidade também se responsabilize por suas decisões”.
Pedro Andreis – Presidente VISÃO AGÊNCIA DE DESENVOLVIMENTO DA REGIÃO DAS HORTÊNSIAS
