O consumo de energia solar fotovoltaica vem crescendo no Brasil. Ainda está bem atrás de outras matrizes elétricas do país, como hídrica, eólica, gás natural e petróleo. Mas vem numa crescente marcante.
No Brasil, o mercado de energia solar corresponde a 1,7% de toda a matriz energética brasileira, de acordo com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR). No mundo, o país está próximo das dez primeiras nações que mais investem em energia solar fotovoltaica.
De olho neste avanço de uma energia não poluente, que indica ter fôlego para longo período, o mercado se expande mirando em oportunidades que existem – e naquelas que serão geradas.
Nas próximas semanas, Novo Hamburgo deverá contar com uma unidade de produção e montagem de inversores de energia solar. É o equipamento de converter a corrente elétrica contínua (CC) em alternada (sinal elétrico CA), funcionando praticamente como um adaptador de energia para o sistema fotovoltaico.
A empresa que está com planos de se instalar no município é a Solax do Brasil, vinculada à empresa chinesa SolaX Power.
A unidade deverá se instalar em um pavilhão na avenida Nações Unidas. O local ainda não pode ser anunciado, pois estão sendo finalizadas vistorias e a análise de detalhes do entorno que vai receber o investimento.
À frente da operação brasileira está o hamburguense Maicon Gil.
Com formação técnica em Eletrônica pela Fundação Liberato Salzano Vieira da Cunha e graduação em Engenharia Elétrica pela Unisinos, ele está entusiasmado com esse novo desafio. “Estamos avaliando boas perspectivas para esse segmento e acreditamos num crescimento para os próximos anos”, sublinhou.
Envolvido com projetos de grandes investidores do Vale do Sinos, Gil destaca que a oferta de mão-de-obra na região de Novo Hamburgo foi um dos fatores que pesou na decisão sobre o local para a instalação da fábrica. “Temos muitos técnicos, engenheiros, entre outros profissionais, com grande capacidade. Queremos dar oportunidade para esse potencial humano”, explica o empreendedor, que reside em Dois Irmãos e tem atuação profissional em Sapiranga.
Segundo o empreendedor, a guerra fiscal existente no país gerou convites para abertura do negócio em Santa Catarina e alguns estados do Nordeste. A relação com Vale do Sinos, contudo, encaminhou a instalação em Novo Hamburgo.
A fábrica hamburguense deverá gerar, inicialmente, cerca de 30 empregos diretos. O investimento total, incluindo maquinário já adquirido, deve ser superior a R$ 10 milhões. A pandemia pode atrasar um pouco o início da produção, já que os parceiros da China precisam conhecer e validar as instalações. “A sede precisa ter características especiais, que devem ser observadas a partir dos padrões dos chineses. Estamos alinhados”, detalha Gil, exemplificando a questão de limpeza impecável do ambiente.
Além da matriz na China, a SolaX Power tem sedes regionais em países como Reino Unido, Alemanha, Holanda, Estados Unidos e Austrália.
PEÇAS
Dentro do processo de criação e produção da Solax do Brasil, a maioria das peças será projetada e desenvolvida por brasileiros, sendo que a fabricação ocorrerá na China.
Posteriormente, os itens vêm separados para o Brasil, onde ocorrerá a montagem e finalização. Algumas partes, contudo, já deverão ser produzidas com fornecedores locais. “Além de produzirmos em nosso país as embalagens e peças específicas, esse investimento movimentará internamente mão-de-obra, logística, transporte e armazenamento, por exemplo”, destaca Gil. Um dos diferenciais que a empresa terá é a assistência técnica, já que os profissionais estarão próximos dos clientes. “Essa é uma situação que faz muita diferença. É complicado comprar algo do outro lado do mundo, mas não ter uma assistência próxima e ágil. É uma vantagem do nosso produto”, aponta.
Atualmente, os negócios em que Maicon Gil atua contam com laboratório em Sapiranga, onde trabalham diferentes profissionais no aperfeiçoamento de peças e equipamentos da área elétrica. Com a transferência de tecnologia dos chineses, já estão sendo produzidos em escala “artesanal” inversores de energia solar, componentes para placas fotovoltaicas (solares) e estação de recarga de carros elétricos.
O investimento em uma fábrica em Novo Hamburgo representa um passo consistente na ampliação dos negócios. “Estou apostando que santo de casa faz milagre. Estou entusiasmado com o projeto”, finaliza.
O guri que nasceu em família humilde e conseguiu sua primeira vaga de emprego como auxiliar de eletricista na antiga Máquinas Enko está de olho no sol – e no céu, que afinal de contas, não tem limite.

























