Realizar a manutenção de um gramado de um estádio de futebol é caro ou barato? Não cuidar adequadamente é redução de gastos ou é o conhecido “barato que sai caro”?
O Esporte Clube Novo Hamburgo está descobrindo que a falta de cuidados com o gramado do Estádio do Vale está tendo um custo de grandes proporções.
Há prejuízos técnicos para o time no Gauchão e há prejuízos de imagem para o clube.
Desde o título do Gauchão de 2017, o Noia não era tão destacado no noticiário esportivo. Desta vez, porém, de forma negativa. O gramado retalhado do anilado virou piada nacional, recebendo muitos comentários negativos.
Na semana passada, o Portal Martin Behrend fez uma reportagem destacando: “Gramado do Estádio do Vale recebe um festival de críticas”.
Na oportunidade, o clube indicou o coordenador técnico do Novo Hamburgo, Glauco Moraes, para atender a reportagem. A matéria completa pode ser relembrada aqui: https://martinbehrend.com.br/noticias/noticia/… .
Com a repercussão negativa a cada rodada em que o Novo Hamburgo atua no Estádio do Vale, muitos questionamentos passaram a ser feitos. Diante dos problemas escancarados do gramado, um ex-dirigente anilado repassou ao Portal Martin Behrend informações técnicas que ajudam a esclarecer os motivos da brutal queda de qualidade do campo.
Rafael Weber foi vice-presidente de Patrimônio do Esporte Clube Novo Hamburgo de outubro de 2015 a abril de 2022. Neste período, o Estádio do Vale recebeu jogos do Gauchão, Copa do Brasil, Série D do Brasileiro, partidas da Dupla Gre-Nal, jogos do futebol feminino, entre outras competições.
O Estádio do Vale foi bastante procurado para receber partidas – e um dos motivos era a qualidade do gramado. “Não era nosso objetivo, mas conseguimos rendas extras em razão de nosso campo atrair jogos para Novo Hamburgo”, destaca Weber.
PRIORIDADES
Conforme avaliação de Rafael Weber, são dois os motivos principais para o gramado ter se tornado motivo de tantas críticas.
O primeiro deles é a falta de um tratamento realizado ao final de cada temporada. “Em dezembro, vinha uma empresa esécializada realizar toda a manutenção e preparação para a temporada seguinte. Parava o gramado principal por 20 a 30 dias. O maquinário entrava em campo, fazia corte, raspagem, perfuração de pequenos buracos, aeração, aplicação de adubos, entre outras etapas. Tudo isso beneficiava a grama com mais luz, umidade, maior capacidade de amortecimento, reforço para as raízes da grama. É um processo complexo e completo, mas fundamental para manter o gramado em excelentes condições”, detalha.
Além desses detalhes, a manutenção quase diária- irrigação, corte e adubagem – também fazem a diferença para dar mais longevidade ao campo em boas condições.

Weber destaca que esse trabalho foi realizado em quase todos os anos em que atuou como vice-presidente de Patrimônio. Numa das temporadas mais recentes, como o Noia jogou menos e o trabalho vinha sendo realizado por anos seguidos, não foi necessário. “Era um custo importante, que nem sempre o clube tinha em casa. Mas eu insistia para viabilizar essa verba pois o gramado de qualidade é fundamental para qualidade do jogo e para a imagem do anilado”, pontua Weber. A estimativa é que o trabalho realizado pela empresa esteja em torno de R$ 20 mil.

O segundo motivo é a prioridade da atual direção em utilizar o gramado principal pelas categorias de base. A atual direção anilada tem um vínculo muito forte com as categorias de base do Noia, e privilegiou jogos no campo para valorizar os atletas destas equipes.
Na reportagem da semana passada, Glauco Moraes já havia afirmado isso: “São 16 categorias que disputam competições. Tem campeonatos de escolinhas também. Teve até Gre-Nal de base para os desinformados”, apontou Moraes, incomodado com a situação envolvendo o gramado.
A situação é clara: a atual direção privilegiou a base e ignorou os riscos de não ter um gramado em boas condições para a equipe profissional. “Quando fui vice de Patrimônio, tínhamos muitas reuniões envolvendo a utilização do campo. Até mesmo para treinos. A orientação buscava preservar ao máximo. A alternativa era buscar campos na cidade ou na região. Era um cuidado necessário e justificado para preservar a grama e valorizar a equipe profissional. Tivemos até algumas discussões, sendo que cada dirigente defendia seu ponto de vista. Como disse anteriormente, esse cuidado rendeu recursos em razão do interesse em outros clubes realizarem jogos aqui quando o Noia não tinha mais competições”, salienta Weber.
DIREÇÃO
Nesta terça-feira (7), a assessoria de imprensa do Esporte Clube Novo Hamburgo divulgou um comunicado. A reportagem divulga com a grafia original:
‘O presidente Jerônimo Freitas, enviou um comunicado para a Federação Gaúcha visando as melhorias necessárias para o gramado do Estádio do Vale. Na última semana também recebemos o agrônomo da FGF que visitou o Vale para análise do gramado e orientou os primeiros passos para recuperação.
O desgaste foi devido ao acumulo de jogos de finais de campeonato a nível nacional da base(exigência da organizadora da competição) e toda a pré-temporada Anilada que iniciou-se no dia 05 de dezembro. Além da grande quantidade de rosetas, sofremos com a estiagem de água que tivemos. Foi realizado a troca de algumas partes do gramado.
Agora após o confronto de quarta-feira (8), o gramado passará por mais um processo de recuperação por uma empresa indicada pela Federação e teremos o gramado como sempre foi, referência no interior. ‘Pode ter certeza que nos próximos dias teremos uma melhora significativa em nosso gramado, estamos trabalhando muito para isso’ Finalizou o presidente.”
EXTRAOFICIAL
A reportagem também está apurando uma orientação que o Novo Hamburgo teria recebido da Federação Gaúcha de Futebol. A orientação seria para usar o gramado do Estádio do Vale até o final do Gauchão somente para jogos oficiais da competição. Nenhuma outra atividade poderia ser realizada no local.

























