Um dia após a eliminação do Campeonato Gaúcho, o zagueiro do
São José Wagner Fogolari publicou no seu perfil no Facebook que foi chamado de “macaco”
por um torcedor do Esporte Clube Novo Hamburgo. Ele disse que a ofensa ocorreu
durante a derrota do São José para o Nobo Hamburgo, por 1 a 0, em jogo disputado
no sábado à noite no Estádio do Vale. O Noia avançou à semifinal e a equipe da capital gaúcha ficou pelo caminho. Importante reforçar que o Novo Hamburgo está cheio de ídolos negros em sua trajetória – inclusive o goleador João Paulo é um dos heróis da grande campanha do Noia.
Wagner escreveu o texto na tarde de domingo.
Segundo relatos, a ofensa teria sido disparada por um cidadão que estava atrás do
gol, junto a um caminhão. Confira a manifestação do atleta:
“Venho através deste desabafo relatar a situação ocorrida
durante a partida de ontem frente ao Novo Hamburgo. Em certo momento da partida
um torcedor do Novo Hamburgo que estava próximo ao campo, que teve uma atitude
inaceitável e repugnante de racismo com a minha pessoa, Me insultando e
descriminando ao me chamar claramente e diretamente de MACACO em alto e bom
tom.
Como ser humano não posso aceitar esta atitude, pois estava praticando meu
trabalho e mereço assim como qualquer outra pessoa o mínimo de RESPEITO. Não
ficarei calado diante do preconceito pois infelizmente ainda acontece nos dias
de hoje, tenho orgulho da minha raça negra e não vou me calar diante desta
situação absurda de RACISMO. Tomarei medidas cabíveis para que tenha uma punição adequada ao responsável.
#Somostodosmacacos
#Nãoaoracismo
#Maisrespeitoporfavor
#Orgulhodesernegro“
A direção do Esporte Clube Novo Hamburgo divulgou nota
oficial nesta segunda-feira.
“O Esporte Clube Novo Hamburgo lamenta e repudia o ato de
racismo, se ocorreu no sábado, dia 08 de abril, no jogo entre Novo Hamburgo x
São José, no Estádio do Vale. Informamos que o Clube, juntamente com seu
Departamento Jurídico, já está tomando todas as medidas possíveis para
que os envolvidos neste episódio sejam identificados e se for provado o
fato, o Clube tomará todas as providencias cabíveis. O futebol sempre foi
um ambiente agregador para todas as culturas. Vários exemplos de união e
irmandade ocorreram por meio do esporte e o Novo Hamburgo quer que o Estádio do
Vale siga um ambiente familiar e livre de qualquer ato
preconceituoso.”
A direção do Esporte Clube São José também divulgou nota
oficial nesta segunda-feira.
O Esporte Clube São José condena veementemente os episódios
de racismo contra o zagueiro Wagner durante praticamente todo o segundo tempo
da partida, e de forma mais agressiva e visível ao final do jogo, da noite
deste sábado (8) no Estádio do Vale, em Novo Hamburgo.
Um torcedor, que foi identificado pelos jogadores e comissão técnica do São
José, dirigiu termos como “macaco” diversas vezes contra o atleta,
que ao final do jogo desabafou sobre o episódio. Tal torcedor sequer estava nas arquibancadas destinadas ao
público pagante. Ele estava em um caminhão de som, ao que tudo indica,
contratado pelo Esporte Clube Novo Hamburgo, na área destinada ao
estacionamento, atrás de uma das goleiras. O homem foi apontado à Brigada Militar, mas ao perceber que
havia sido flagrado, o torcedor escondeu-se entre as pessoas que saíam do
estádio. É inaceitável que situações como essa ainda se repitam e infelizmente
não sejam incomuns em estádios de futebol e em outros ambientes de uma
sociedade que se espera civilizada. Ao condenar tal situação, o Esporte Clube
São José espera que as medidas cabíveis no âmbito desportivo e jurídico sejam
tomadas.
ACUSAÇÃO INJUSTA DE ÁRBITRO EM 2012
Não é a primeira vez que o Novo Hamburgo se envolve em acusações de racismo. Em 2012, um episódio envolveu acusação do árbitro Jean Pierre de Lima, considerado persona non
grata por alguns torcedores do Esporte Clube Novo Hamburgo desde o
episódio em que ele rotulou, injustamente, equivocadamente e covardemente, a
torcida anilada de ser racista. O Noia virou manchete nacional – mas de
forma negativa! O clube foi julgado e multado em R$ 10 mil pelo episódio,
registrado em março de 2012.
Para quem não está recordando o acontecido, Novo Hamburgo e
Caxias se enfrentaram no Estádio do Vale, em 24 de março de 2012, em duelo pelo
Gauchão. O Noia venceu por 1 a 0.
O jogo teve alguns lances esquisitos, como a mordida de um
cachorro da Brigada Militar em jogador do Caxias.Mas tinha ficado nisso. Eis
que, alguns dias depois, aparece a súmula da partida. Nela, Jean Pierre
cita que “a conduta da torcida mandante foi ruim, em função de que sempre que o
atleta da SER Caxias, número 9, Vanderlei, tomava posse da bola, um grupo de
torcedores do Novo Hamburgo passava a chamá-lo de macaco, ostensivamente e
insistentemente”.
No dia do jogo ninguém percebeu o que foi relatado pelo
árbitro. Nem o jogador, nem as direções de Novo Hamburgo e Caxias. O
próprio Vanderlei nada comentou pós-jogo. Contudo, a súmula apareceu e nela
veio o rótulo: “… torcida mandante… grupo de torcedores do Novo
Hamburgo…” Jean Pierre jogou tudo no ventilador. Em minutos, a
torcida anilada virou racista aos olhos do Brasil. Tremenda injustiça,
equívoco e covardia. Vejam a manchete de um blog de outro Estado:
“Torcedores da cidade de Novo Hamburgo envergonham o Brasil”.
Baita prejuízo na imagem da cidade e do clube. Quem vai arcar com esses
danos morais?
A questão é: como num jogo com 350 torcedores ninguém
observou esse comportamento relatado por Jean Pierre? Mais tarde, após
investigações e com auxílio de imagens, a própria torcida indicou um cidadão
como responsável, individualmente, por supostos xingamentos. À época, a
direção anilada reagiu afirmando: “É uma grande inverdade tudo que está
escrito. Recebemos com muita surpresa. Nunca tivemos histórico de racismo e
somos totalmente contra isso.”
PERGUNTAS A SEREM RESPONDIDAS:
– Quem foi o autor das ofensas?
– Onde estava o autor das ofensas?
– O autor das ofensas era mesmo torcedor do Novo Hamburgo?
– Por que o jogador não parou o jogo na hora em que foi ofendido e denunciou a situação para o árbitro?
– Por que o jogador do São José não registrou queixa no mesmo dia do jogo, facilitando a identificação do autor?
– Por que o atleta do São José desabafou somente no dia seguinte?
Finalizo lembrando: um torcedor pode ser racista; o Esporte Clube Novo Hamburgo não compactua com racismo, é um clube multirracial. Espero que as investigações descubram quem foi o autor dessa acusação – se é que houve.

























