Em maio de 1991, o tricampeão de Roland Garros Gustavo
Kuerten tinha 14 anos. O maior vencedor de Grand Slams na história, o tenista
suíço Roger Federer, estava com somente 9 anos. A Sociedade Aliança ainda tinha
oito quadras. A Sociedade Ginástica não tinha canchas cobertas. A quadra
coberta do Araújo, na divisa do Primavera com a Boa Saúde, era um sucesso. Espaços
para prática do tênis, como OK Center, Academia Wallau e a Fenac, estavam num
processo de surgimento.
É nesse contexto que, em 6 maio de 1991, o tênis ganhou uma
coluna dentro do Jornal NH, publicação do Grupo Sinos. A responsabilidade de
tocar o projeto foi repassada para Ana Kich. Passados 25 anos, a coluna de
Tênis segue dentro do diário sob responsabilidade da mesma pessoa. É uma
história de credibilidade, confiança e paixão pelo esporte. Há duas semanas,
Ana fez um registro desse um quarto de século de dedicação ao
espaço. E relembrou como tudo começou:
“Em 1991, eu dava aulas de tênis na Sociedade Aliança e
fui convidada por Claudio Behrend e Aurélio Decker, apaixonados pelo
esporte, dispostos a sugerir uma coluna dentro do Jornal NH que falasse
sobre tênis. Ela seria uma social do tênis, misturada com informações técnicas
e que também divulgaria torneios e inscrições, nomes de jogadores independente
de seu nível técnico, atividades das turmas e por aí deveria ir. O desafio era
grande pois havia sido um dos poucos esportes que menos pratiquei competitivamente,
mas isso na hora, era o que menos importava.
Como sou formada em Educação Física, diferente da
maioria dos instrutores da época, não dependia do tênis. A política
clubista era muito forte na época, não aceitando que um instrutor divulgasse
ações dos clubes adversários. Tal fato poderia ter consequências na sua
carreira profissional, o que não era meu caso. Me chamaram para conversar e
fizeram o convite, sob aprovação do fundador do jornal, Mário Gusmão. Entendi
que para escrever a coluna, o mais importante era levantar a bandeira do Tênis,
seja do Clube A ou do Clube B. Qualquer jogador, seja top ou mais
iniciantes, merecia sua divulgação dentro da coluna.
Nos idos do ano de 1991, confirmava-se a supremacia do tênis
na região, onde brotavam quadras do chão e nasciam grandes nomes que desfilavam
com muita técnica e desenvoltura nas quadras, conquistando troféus nacionais e
internacionais. Torneios, copas, satélites, futures e challengers traziam
grandes nomes que até hoje se destacam como Fernando Meligeni, Tomás Behrend,
Guga Kuerten e Ivan Kley. Técnicos como Larri Passos começavam a despontar.
Grandes eventos, patrocinados por empresas locais e de fora,
colocavam cerca de 400 jogadores por torneio. Os empresários buscavam associar suas
marcar a estes eventos, onde muitas vezes eram criadas categorias especiais
para atenderem a todos, a exemplo da Copa Makouros que além das classes
oficiais (1ª a 4ª Classes) foram criadas as classes executivas A, B e C para
incluir gestores das grandes empresas, mas que ainda não acompanhavam em
técnica aos demais jogadores e não queria se expor. Eram tempos de que
participar de torneio era abrir portas que até então não se abriam, para
possíveis negócios. Os torneios brindavam, além de camisetas e troféus, uma
cerveja a cada partida para confraternizar com o adversário e quem sabe, fazer
uma troca de cartões para futuros encontros comerciais.
As escolinhas, sempre lotadas de crianças, comprovando que o
tênis poderia ser um esporte de multidões. Prefeituras incluíam nas atividades
extraclasse, aulas de tênis. Medalhas de Pan de Zeca Schmidt e de Fernando
Roese conquistadas antes de 1990 , refletiram nas conquistas de Paulinho
Taicher – no Pan de Mar del Plata, em 1995, com a medalha de bronze em simples, e no Pan de Winnipeg, em 1999, com medalha de ouro nas duplas ao lado de André Sá. A Sociedade Ginástica foi campeã mundial Interclubes
da categoria 55 anos, em 1992 e 1994. Tivemos também Erony Scherer que, em 2000, ficou
em primeiro lugar no ranking nacional de tenistas seniores e o quinto
lugar no ranking mundial. Estes são apenas exemplos do potencial de nossa região,
que desfilaram nesta coluna.
Atualmente temos André Ghem, conquistando títulos internacionais
e João Bondan Schorr e Guilherme Bier, representando a nova geração que está
chegando com muita garra. Isso só citando alguns dos vários que fazem do tênis
um esporte de elite. E quando falo de elite não me refiro a valores, mas sim,
de abnegados e apaixonados por este esporte que encanta pela estratégia e
plástica dentro das quadras. Não posso esquecer das queridas “Turmas
de Tênis”, muitas iniciadas dentro deste período e outra já
existentes, que se reúnem num dos vários dias da semana, que se encontram
para jogar, confraternizar e desopilar. Obrigada a todos por estes 25 anos de
parceria!
Valeu, Jornal NH, por manter este espaço por 25 anos. Obrigado,
Ana Kich, por tanta dedicação, carinho e empenho com este esporte tão
apaixonante e que tantas alegrias e conquistas trouxe para Novo Hamburgo e
Brasil. Siga em frente, Ana, uma legião de tenistas segue precisando da tua
coluna.

























