O brasileiro Hugo Calderano é um dos dez melhores jogadores de tênis de mesa do planeta.
Ele vem conquistando títulos inéditos para o Brasil no circuito internacional. É uma celebridade da modalidade.
Nos Jogos Olímpicos de Paris, ele era uma esperança de medalha para o país. A campanha foi excelente.
Calderano chegou na semifinal do torneio olímpico. Então, perdeu para um sueco. Partiu para a disputa do bronze, na manhã deste domingo (4). E foi superado por um jovem francês.
O mesa-tenista finalizou Paris entre os quatro melhores do mundo e alcançou a marca de brasileiro com mais vitórias na modalidade em Jogos Olímpicos. Mas não teve pódio, não teve medalha. O que se viu, após a disputa do bronze, foi choro e o desabafo de quem poderia ter conseguido algo melhor.
MELIGENI
O choro de Calderano em chegar tão perto do pódio e da medalha, mas voltar de mãos vazias, provocou uma série de manifestações de apoio ao jogador nas redes sociais. Afinal de contas, ele é um dos quatro melhores do mundo.
Ex-tenista profissional e atual comentarista de tênis da ESPN, Fernando Meligeni escreveu uma carta aberta a Hugo Calderano em seu perfil no Instagram. Isso porque, Meligeni viveu a mesma situação nos Jogos Olímpicos de Atlanta, nos Estados Unidos, em 1996. Perdeu na semifinal e perdeu na decisão do bronze – e, mesmo estando entre os quatro melhores do mundo naqueles Jogos, voltou para casa de mãos vazias.
Confira a carta de Meligeni a Hugo Calderano, que serve de exemplo para tantos brasileiros que lutam por seus sonhos:
“Carta ao Hugo
Assisti ao jogo e sofri horrores. Por momentos, me vi dentro da quadra jogando.
Infelizmente, não te conheço ainda, mas já me sinto muito próximo. Alguns podem pensar que é na tristeza; eu digo que é na luta, na atitude e na tentativa até o último ponto. Quando fui quarto lugar em Atlanta, vi meu mundo desabar por alguns minutos. Lembro do andar até o vestiário; era como se eu estivesse empurrando milhões de correntes e carregando pedras nas costas. Não conseguia levantar a cabeça. Nunca chorei tanto.
Quando cheguei na sala de jogadores, vi pessoas me olhando com admiração. Por segundos, pensei: por quê? Sou um loser (perdedor).
O ônibus até voltar à vila demorava quase 40 minutos. Não falei, não levantei a cabeça. Precisava entender.
Quando encontrei o Robert (Scheidt) na Vila, entendi o que tinha feito, o quão importante tinha sido, mesmo na derrota.
Vivemos em um país duro com resultados. Até injusto. Enquanto estamos vencendo, somos deuses; ao perder, nos esquecem. Mas nós é que temos que ter claro quem somos. E você é enorme.
No meu caso, não tive uma segunda chance nas Olimpíadas. Você pode ter. E terá.
Hugo, você fez história; você fez milhões de pessoas olharem o tênis de mesa de forma diferente. Você representou seu esporte e país. Sinta orgulho.
Parabéns, ídolo.”
























