Se o CAOS é o novo normal, ser anormal é o novo padrão?

Seja anormal. Evite o automatismo tecnológico. Evite ser um “zumbi” digital.

Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Esta é uma pergunta importante ao momento atual. Comecemos por aqui.

Historicamente quem fazia perguntas era categorizado como o(a) “chato(a)” do momento. Seja na escola, em casa ou no trabalho.

– Lá vem aquela “mala” que não para de querer saber a razão de cada detalhe em cada situação. É uma pessoa impertinente que não se aquieta nunca. Por qual razão deseja saber de tudo? Lembram desta situação? Quem nunca passou por isso?

Na era da Inteligência artificial quem pergunta tem várias vantagens competitivas em relação a quem aceita tudo sem questionar: desenvolve o pensamento crítico, torna-se um cético com “causa”, amplia a sua curiosidade e seu desejo de aprender.

É inquieto “por natureza”. Não se acomoda. “Cá” entre nós: se acomodar hoje em dia é uma sentença de morte em vida no mundo do trabalho e das relações.

Vários livros têm sido escritos sobre este tema, cito alguns: Organizações Infinitas, Gestão do Amanhã, A arte de fazer perguntas transformadoras, Faça a pergunta certa, Uma pergunta mais bonita, dentre outros. A competência do pensamento crítico é um dos elementos mais enfatizados no livro de Martha Gabriel: Educação na Era digital.

Perguntar de forma inteligente, em torno do contexto adequado, com o timming correto, traz inúmeros benefícios. Sugiro a leitura do livro de Daniel Pink: Quando – o segredo do timming perfeito. Faz toda a diferença em sua rotina e relações.

Seja anormal. Evite o automatismo tecnológico. Evite ser um “zumbi” digital.

A sensibilidade como anormalidade necessária
As expressões do ser humano em torno do belo, das artes e da estesia, são muito pouco valorizadas por um padrão “normal” conectado digitalmente. Não questiono a importância desta conexão. Analiso a falta de conexão com o essencial: consigo, com as pessoas e com a natureza.
Desde que nascemos, fomos treinados para entender o mundo. A educação formal ocidental foi construída com esta intenção: formar pessoas para o trabalho.
Há uma extensa lacuna em diversas gerações. Elas não apenderam conteúdos tais como “projeto” de vida. Além disso, a falta de um a cultura do autoconhecimento, da gestão das emoções e das relações sadias. O reforço da importância da valorização tanto do coletivo quanto do individual, proporcionalmente.
O avanço da animosidade em escala global nos mostra a insegurança de um ‘normal’ que já não funciona. Além de políticas públicas, a necessidade de entendimento de que a vida de todos depende de cada um de nós.
Para esta compreensão, há a necessidade do desenvolvimento de nossa sensibilidade. Ela proporciona o nascimento dos sentimentos de amor, compaixão, compreensão, paz e alegria. Eles são o berço de um pensamento maior: a fraternidade. O simples exercício de observar a natureza, auxilia nesta educação.
Então, se ser normal é estar em guerra e em competição com todos, prefiro ser anormal e buscar a maior colaboração entre as pessoas e o desenvolvimento do que nos faz ser o que somos: a humanidade intrínseca de cada um.
A singularidade está próxima
Ray Kurzweil em seu livro, A singularidade está mais próxima, nos afirma que a inteligência artificial ultrapassará a inteligência humana. Nem todos os neurocientistas concordam com ele. Um deles é Stanislas Deheane, em seu livro É assim que aprendemos, quando afirma: “não somos apenas o Homo Sapiens, mas também o Homo Dociens – a espécie que ensina a si própria. (…) Os algoritmos convencionais de aprendizado profundo (aprendizado de máquina) imitam somente uma pequena parte do funcionamento de nossos cérebros, aquela que, defendo eu, corresponde aos primeiros estágios do processamento sensorial, às primeiras duas ou três centenas de milissegundos durante os quais nosso cérebro opera de maneira inconsciente”.
Enquanto os cientistas se aprofundam nas pesquisas e teorias, quero terminar este artigo com uma provocação anormal:
Como está a sua singularidade, ser humano?
Você está sendo você mesmo ou apenas copiando o que a sociedade considera “normal”?
O caos e a complexidade existem no mundo externo e em nosso mundo interior. A diferença do “anormal convicto” é que ele se esforça para entender uma delas. Que a opção seja, primordialmente, o mundo interior.
Espero que depois de tudo isso você seja anormal como eu: que questiona, é inquieto, tem pensamento crítico, curiosidade e não aceita nada que não seja uma escolha singular e intransferível de cada pessoa.
Nossa capacidade de pensar é o que nos torna anormais em essência. As verdades incontestes estão com os dias contados. A inovação que o diga!
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Artigo publicado no portal martinbehrend.com.br
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