Na manhã do dia 20 de julho – há duas semanas -, estive na Câmara de Vereadores acompanhando um debate sobre mudanças no estacionamento rotativo de Novo Hamburgo. Como jornalista, fui assistir e realizar a cobertura desta importante pauta para a cidade, especialmente para a região central.
Foram cerca de duas horas de relevantes contribuições sobre o tema, que segue tendo novos capítulos envolvendo Prefeitura, vereadores e comerciantes.
Quando eu estava deixando a Câmara, pelo corredor lateral que leva até a saída do prédio, fui pego de surpresa e intimado pelo atual presidente da Câmara, Juliano Souto (PL). O vereador, que durante a campanha eleitoral de 2024 se apresentou como o número um do Bolsonaro em Novo Hamburgo, atravessou o movimento de saída dos comerciantes para me intimar para uma entrevista.
Um tanto desequilibrado e constrangendo quem estava ali sem entender nada, ele bradava que desejava ser entrevistado pelo “pior jornalista” – no caso, eu. Com seu autoritarismo e arrogância habituais, começou a falar coisas desconexas e inventar que escrevia dele toda semana – como se eu não tivesse nada mais importante para redigir. Juliano ficou me encarando e cobrando uma live, uma entrevista.
Naquele momento, eu respondi que faria isso quando ele retirasse o muro da vergonha – uma aberração paga com o dinheiro dos contribuintes hamburguenses. Virei as costas e deixei o Legislativo.
RELEMBRANDO
Juliano Souto afirma que eu sou o “pior jornalista” porque eu informo a comunidade das barbaridades da sua gestão, marcadas pelo autoritarismo e gastança do dinheiro público.
Ele se acha o dono da Câmara de Vereadores. Mandou construir o muro da vergonha para blindar os vereadores da população. Em décadas, nada parecido aconteceu na Câmara. Mas o parlamentar do PL pegou o dinheiro dos contribuintes para gastar num muro a fim de transformar os vereadores numa casta a ser protegida das críticas do povo – que paga os salários dos parlamentares. Separou os eleitos dos eleitores. A população não foi questionada se era prioridade o muro da vergonha. Além desse gasto desnecessário, a estrutura ainda prejudica quem fica no plenário, com as barras dificultando o visual do plenário.
Mais do que isso, ele criou um manual de boas maneiras. Está lá o banner pendurado: “Conduta do público no plenário”. Num dos primeiros itens, é informado que precisa ficar sentado durante a sessão, não podendo ficar de pé. Oi?! Como se vê, o autoritário presidente não gosta de pressão, mas ele pode sair pelo corredor bradando e tentando intimidar jornalista.
Juliano Souto me chama de “pior jornalista” por lembrar a comunidade que ,ainda em 2025, deu voz de prisão a um homem que assistia à sessão na Câmara. Ele também defendeu a aprovação de projetos considerados inconstitucionais pelo Jurídico da Câmara de Vereadores.
Souto também foi defensor da mudança de horário da sessão de segundas-feiras no Legislativo, afastando a comunidade da casa do povo. Até então, a sessão ocorria às 18 horas, permitindo que as pessoas pudessem trabalhar normalmente e, ao final do dia, acompanhar e fiscalizar os parlamentares. Com articulação de Souto, a sessão foi para as 14 horas – mesmo horário das sessões de quarta-feira.
Uma de suas propostas mais ruidosas – custando tempo e dinheiro – foi o projeto de criação do Dia do Patriota em 21 de março – data de nascimento de Bolsonaro. A repercussão foi tão grande e provocou tanto desgaste ao Legislativo, que foi retirado por iniciativa do parlamentar. O Portal Martin Behrend registrou: https://martinbehrend.com.br/politica/novo-hamburgo-nao-tera-dia-do-patriota-em-21-de-marco-por-enquanto .
Juliano Souto saiu gritando na Câmara que sou o “pior jornalista” por reforçar para a comunidade que, em janeiro de 2026, ele assumiu o Parlamento hamburguense. Nas primeiras semanas, ocorreu a reforma no plenário do Legislativo – não era prioridade, mas a obra milionária ocorreu. Nesta mudança é que foi instalada a barreira física separando os vereadores da população. Usou dinheiro público dos empresários e trabalhadores para afastar os eleitores dos seus representantes.
Além disso, determinou que não podem mais entrar faixas, bandeiras e cartazes pelo público. Só se for do tamanho de folha A4. Uma medida de constrangimento e intimidação para inibir manifestações da população.
Souto vem bradando que vai marcar seu mandato na presidência por observar rigorosamente o Regimento Interno da Câmara. Cobra dos colegas o que diz o regimento e passa a imagem de ser um ferrenho cumpridor de regras, mas esquece que, no ano passado, ignorou pareceres jurídicos que indicavam projetos inconstitucionais. Atua com firmeza com o Regimento Interno da Câmara, mas ignora o que consta na Constituição Federal.
Ao longo de 2025, Souto poupou o prefeito Finck em pautas fundamentais para a comunidade: a não redução do IPTU prometido em campanha e o Tarifaço da Comusa. Aceitou que a população hamburguense ficasse mais pobre com esses pesados aumentos de tributos.
AUXÍLIO-ALIMENTAÇÃO
Juliano Souto afirma que sou o “pior jornalista” pois escrevi que, no começo deste ano, a Mesa Diretora da Câmara, liderada por Juliano Souto, apresentou projeto para aprovar auxílio-alimentação superior a R$ 1 mil mensais por vereador. Após a proposta passar em primeira votação, a comunidade hamburguense pressionou, se revoltou e, num Acordão entre Prefeitura e Câmara, o projeto foi retirado de pauta.
O Portal Martin Behrend acompanhou essa farra do auxílio-alimentação em duas reportagens:
Farra: após reforma milionária, 11 vereadores de Novo Hamburgo aprovam receber auxílio-alimentação: https://martinbehrend.com.br/politica/farra-apos-reforma-milionaria-11-vereadores-de-novo-hamburgo-aprovam-receber-auxilio-alimentacao .
Acordão do prefeito de Novo Hamburgo com vereadores da base: retirado projeto de Auxílio-Alimentação: https://martinbehrend.com.br/politica/acordao-do-prefeito-de-novo-hamburgo-com-vereadores-da-base-retirado-projeto-de-auxilio-alimentacao .
CARRO SEM LICITAÇÃO
Juliano Souto me considera o “pior jornalista” pois, no primeiro semestre, a gestão de Juliano Souto foi mais uma vez alvo de críticas por gastos. Um dos casos envolveu a aquisição de um veículo sem licitação para servir ao Parlamento.
Essa atitude questionada por parte da comunidade rendeu uma Nota Oficial da Câmara: https://martinbehrend.com.br/politica/camara-de-vereadores-de-novo-hamburgo-esclarece-contratacao-de-veiculo-sem-licitacao .
NOVOS ASSESSORES
Juliano Souto, que me rotulou como o “pior jornalista”, esteve no centro de críticas após uma reportagem do Jornal NH, produzida pelo jornalista Silvio Milani, revelar que a Câmara contratou novos assessores, num gasto que pode alcançar R$ 900 mil ao ano.
Na reportagem, Juliano Souto defendeu o gasto público utilizando recursos dos empresários e dos trabalhadores. A comunidade não foi ouvida nem consultada sobre este gasto – Juliano deu o canetaço e os cargos estão sendo pagos pelos hamburguenses.
A reportagem completa “Cargos sobrando: Um vereador triplica e cinco dobram assessores parlamentares em Novo Hamburgo” pode ser conferida aqui: https://www.abcmais.com/politica/cargos-sobrando-um-vereador-triplica-e-cinco-dobram-assessores-parlamentares-em-novo-hamburgo/ .
AINDA BEM
Com esse histórico de autoritarismo e gastança de dinheiro público, eu só posso considerar um elogio ser classificado por Juliano Souto como o “pior jornalista”. É a maior prova que o trabalho jornalístico está sendo bem realizado.
Enquanto os empresários cobram o básico na infraestrutura da cidade, crianças precisam de melhorias no atendimento nos postos de saúde e famílias sofrem com violência, buraqueira e problemas na saúde, Juliano Souto mostra que tem dinheiro dos hamburguenses sobrando e ele vai gastar como quiser. O muro da vergonha e a farra dos CCs são apenas duas comprovações.
EM TEMPO 1: Já ouvi de pelo menos quatro vereadores: caso eles assumam a presidência do Poder Legislativo em 2027, uma das primeiras medidas que vão adotar é retirar o muro da vergonha e garantir a liberdade de manifestações da comunidade. Que a comunidade seja respeitada e tenha mais liberdade.
EM TEMPO 2: O “pior jornalista” seguirá fazendo seu trabalho independente, lutando pelas liberdades, contra a censura e o autoritarismo.
