Não poderia me furtar de vir aqui e escrever sobre um assunto que há muito tempo me incomoda no futebol: a coerência. Ou, no caso, a falta dela.
O fato mais recente do futebol brasileiro deixou isso mais explícito: noite de segunda-feira, 2 de março de 2026. O Flamengo, jogando no Maracanã diante de sua torcida, aplica um sonoro 8 a 0 no Madureira, completa 11 a 0 no placar agregado de dois jogos das semifinais, garante vaga na final e sai de campo vaiado, sendo chamado de “time sem vergonha”.
Após o jogo, o técnico Filipe Luís concede entrevista coletiva normalmente. Em seguida, o clube divulga nota informando a demissão do técnico. Descobri a informação só na manhã do outro dia e achei que era Fake News. Não acreditei.
É nesse ponto que quero chegar. Claro que não foi o jogo de ontem o motivo da demissão do técnico.
O motivo foi porque nas duas finais que o clube disputou em 2026 acabou ficando vice-campeão. E só existe uma explicação para tudo isso: a direção ficar de bem com a torcida.
Os resultados ruins fazem parte de qualquer agremiação esportiva, seja no futebol ou em outra modalidade, mas isso não quer dizer que tudo está errado. O que, na minha opinião, mais incomoda a torcida é o investimento milionário em contratações e os títulos ficarem na mão de outros. Para o torcedor, todo time tem que ser 100% e ganhar tudo, ainda mais num Flamengo. Porém, a instabilidade faz parte da vida e no esporte não é diferente.
Mas pelo simples fato de direções não serem profissionais e, sim, amadoras, e elas tomarem a decisão com base em critérios pessoais e não técnicos, a incoerência toma conta do futebol. Não é pelo Filipe Luís que escrevo esse texto, é pelo conjunto da obra. Treinador de futebol tem sua parcela de culpa em resultados insatisfatórios, porém é o primeiro profissional a pagar o preço de, muitas vezes, o amadorismo mostrar suas caras nas gestões de futebol.
E é por isso que a falta de coerência, de tentar enfrentar os momentos difíceis, que torna o futebol brasileiro diferente de outros do mundo, que também têm suas peculiaridades.
O Filipe Luís não foi a primeira vítima da incoerência no futebol e está muito longe de ser a última, afinal, enquanto a cabeça e o coração do dirigente terem mais soberania que a razão dessas próprias pessoas, as coisas irão se repetir e o amadorismo nas gestões continuará a prevalecer.

























