Quarta-feira, 10 de dezembro de 2025.
A velha política, mais uma vez, venceu na Câmara de Vereadores de Novo Hamburgo. Se ela venceu, Novo Hamburgo perdeu.
Quem acompanhou a sessão ordinária desta quarta-feira (10) assistiu a um espetáculo mesclando omissão, submissão e uma falta de zelo com Novo Hamburgo.
Mas quantos hamburguenses estão preocupados com empréstimos milionários? Venda de patrimônios públicos milionários? Tarifaço? Contratações de dezenas de servidores temporários? Mudanças em legislações importantes?
O QUE HOUVE?
Cinco dias antes do fim do ano legislativo, os vereadores hamburguenses votaram em regime de urgência 11 proposições encaminhadas pelo governo Gustavo Finck (PP). Os ofícios solicitaram celeridade e inclusão na ordem do dia, o que dispensa o trâmite nas comissões pertinentes aos temas e os pareceres dos colegiados. O Executivo simplesmente patrolou o Legislativo – sem dó nem piedade.
Além disso, outros projetos polêmicos não tiveram tempo para discussão necessária. Alguns vereadores da base nem sabiam do que se tratavam ou dos impactos de algumas proposições. Mas como tem compromisso com a Prefeitura e precisam garantir CCs, foram aprovando.
Empréstimo de R$ 20 milhões para Comusa? Aprovado.
Prefeitura e Ipasem autorizados a vender/alienar 32 imóveis do patrimônio hamburguenses, que podem render R$ 54 milhões? Aprovado.
Executivo de Novo Hamburgo pode parcelar dívidas da Fundação de Saúde Pública do município (FSNH)? Aprovado.
Criação de cargos na Comusa? Aprovado.
Secretaria da Cultura monopolizando valores da área cultural e sufocando o Funcultura? Aprovado.
Criação da nova Secretaria de Cultura e Turismo? Aprovado.
Criação de dezenas de cargos temporários? Aprovado.
Vereadores que foram da base do governo Fátima Daudt (MDB), pularam a cerca e agora estão com Finck ficaram praticamente mudos durante quatro horas. Não debateram. Não questionaram. Não tiraram dúvidas se era bom para Novo Hamburgo. Por exemplo: por que vender tantas áreas/terrenos que poderão futuramente receber escolas, postos de saúde, ginásios, quadras esportivas, praças, parques? Muitos não têm vontade de planejar o futuro ou saber a quem interessa ter acesso a áreas privilegiadas da cidade.
Prefeitura manda, vereador com CCs ou indicações obedece. Ito Luciano (Podemos), Ica Ritter (MDB), Ico Heming (Podemos) e Nor Boeno (MDB) foram figurantes, apenas obedecendo orientações.
O líder do governo, Giovani Caju (PP), outrora questionador de métodos estilo “rolo compressor”, não se queixou da patrola do Executivo atropelando o Legislativo. Achou tudo normal – bem acomodado na sua cadeira que, felizmente, não deve mais estar provocando problemas no ciático. Juliano Souto (PL) e Éliton Ávila (Podemos), aliados do governo municipal, também pareciam pouco interessados em aprofundar os debates de projetos envolvendo dezenas de milhões de reais.
MULHERES
Numa tarde onde a velha política deu risada, coube às mulheres serem protagonistas com questionamentos. Professora Luciana Martins (PT), Deza Guerreiro (PP) e Daia Hanich (MDB) questionaram projetos e intenções do governo do prefeito Gustavo Finck (PP). Lamentaram a falta de diálogo, a pressa e as contradições de propostas .
Luciana fez um enfrentamento combativo na maior parte do tempo. Deza e Daia – embora governistas – tiveram, em algumas votações, a postura de lembrar que, se elas estão ali, foi pelo voto da comunidade. Divergiram para defender o povo – e não um governo.
Embora mais discretos, Enio Brizola (PT) e Joelson de Araújo (Republicanos) também fizeram críticas e divergiram em projetos votados com urgência e sem tempo de discussão no Legislativo.
E, assim, foi a quarta-feira, 10 de dezembro de 2025. Enquanto a população de Novo Hamburgo aprecia as luzes natalinas, a velha política deita e rola.
– Que venham mais empréstimos milionários da Comusa para o eleitor pagar – e como a Comusa tinha dinheiro sobrando para patrocinar o Natal e o futebol?
– Que se vendam campos, praças e imóveis do patrimônio do município – e sabe-se lá como será aplicado o valor.
– Que se criem dezenas de cargos para serem pagos pelo eleitor.
É tudo muito simples: Novo Hamburgo fez e faz há anos suas escolhas no voto. Muitos hamburguenses não podem se queixar. O resultado está aí e a conta é paga pela população.
NOTA DO EDITOR
- Na próxima segunda-feira (15), os projetos serão votados em segundo turno. Alguns grupos da sociedade civil do município pretendem mobilizar esforços para tentar alterar resultados das votações.
- Os vereadores Cristiano Coller (PP) e Felipe Kuhn Braun (PSDB) não participaram da sessão por motivos de viagem e saúde, respectivamente.

























