Tive a oportunidade de entrevistar a top model Cintia Dicker em 2006. Natural de Campo Bom, ela foi capa da edição de junho daquele ano da Revista Expansão – eu atuava como editor da publicação – já que
sua carreira estava em ascensão. Aos 19 anos, ela residia em Nova York e brilhava em campanhas e desfiles para L´Oreal, Vogue Itália, Tommy Hilfiger, Diesel, H&M, além de brilhar em capas de revistas internacionais. Passados nove anos desta entrevista, a top campo-bonense brilha numa outra campanha. E, também, está no centro de uma “polêmica internacional”.
Cintia Dicker, 29
anos – batizada Cintia Schneider Dick – foi escolhida pelo site americano Cut para representar o Brasil no projeto “100 anos de beleza”. A série retrata as mudanças nos padrões estéticos em países como Estados Unidos, Alemanha, Coreia e Irã de 1910 a 2010. O vídeo do Brasil foi publicado nesta quinta-feira (29/10) e já teve mais de 176 mil visualizações. Em relação aos episódios de outros países, eles já foram assistidos mais de 25 milhões de vezes no Youtube. O video de Cintia Dicker pode ser conferido em: https://www.youtube.com/watch?v=_67R0IWgSQY
Em um making of, o pesquisador Chris Chan comenta a escolha de Cintia para estrelar o vídeo. "Nenhuma modelo poderia encapsular a tremenda diversidade no Brasil ao longo da história. Cintia é uma modelo do sul do Brasil e ela pode não se parecer com o estereótipo de beleza brasileira que nós temos nos Estados Unidos. O Brasil é uma sociedade multirracial complexa e é famoso por ter mulheres bonitas", defende Chan, que também elenca Carmen Miranda, Rita Lee e Xuxa como mulheres que serviram de referência para os looks. No link a seguir é possível acompanhar o depoimento de Chris Chan: https://www.youtube.com/watch?v=bk1wqk26Qbw.
A escolha de Cintia Dicker rendeu dezenas de elogios, mas também não escapou de críticas aos produtores da série. Diferentes comentários apontam que o Brasil é formado por uma maioria de mulheres negras, e que sentiram falta da beleza negra no vídeo. Alguns, inclusive, indicaram e fazem campanha para que a atriz Taís Araújo seja indicada para um segundo vídeo – essa situação não está descartada e poderá ser feito um novo trabalho com uma mulher negra. Na defesa de argumentos, teve quem até escrevesse que no Sul do Brasil tem muitos neonazistas e por isso alguns estariam defendendo uma ruiva.
Outra internauta escreveu: “Engraçado ver estrangeiros dando palpite sobre qual tipo de beleza brasileira deveria ser exposta. Eu gostei do vídeo, mas creio que as brasileiras não se sentiram tão prestigiadas devido ao fato de que a maioria da nossa população é parda/morena/negra, decorrente da miscigenação. Deveria ter explorado essa diversidade. Esse vídeo será visto por pessoas do mundo todo e creio que alguns ficarão confusos.
Polêmicas à parte, Cintia Dicker está maravilhosa no trabalho. E Campo Bom está de parabéns pelo brilho de mais uma filha famosa.
























