Um caso trágico, envolvendo a morte de uma criança, em fevereiro deste ano, e de um médico, na semana passada, provocou uma manifestação pública da Associação Médica do Rio Grande do Sul (AMRIGS).
Em 16 de fevereiro deste ano, o cirurgião pediátrico Eduardo Guimarães Melo atendeu uma criança de 6 anos, num hospital do Piauí. A intenção era introduzir um cateter CDL para o tratamento de hemodiálise. Naquele mesmo dia, a criança veio a falecer ainda dentro do hospital
Foram ouvidas diversas testemunhas sobre o o que poderia ter provocado a morte, os procedimentos médicos utilizados, o quadro de saúde do paciente, a atuação dos profissionais envolvidos, entre outros detalhes.
Há duas semanas, após a conclusão dos trabalhos, o delegado de polícia José Anchieta Pontes dos Santos, do 2º Distrito Policial, finalizou o inquérito. Ele indiciou o cirurgião pediátrico por homicídio culposo. Na semana passada, Eduardo Guimarães Melo foi encontrado morto em seu apartamento.
PESAR E SOLIDARIEDADE
Confira a manifestação da AMRIGS divulgada nesta quarta-feira (5):
“A Associação Médica do Rio Grande do Sul (AMRIGS) manifesta profundo
pesar e solidariedade à Associação Brasileira de Cirurgia Pediátrica –
Regional do Piauí diante da suspensão das atividades eletivas de todos
os cirurgiões pediátricos do estado, no setor público e privado, por um
período de 7 dias, em apoio ao colega Eduardo Guimarães Melo. A ação
ocorre em repúdio à forma como seu nome foi exposto à opinião pública
após um resultado desfavorável em um procedimento médico.
Em nota, a Associação Brasileira de Cirurgia Pediátrica – Regional do
Piauí salientou que não houve erro médico, negligência, imperícia ou
omissão de socorro por parte do Dr. Eduardo Guimarães Melo, do hospital e
dos demais médicos presentes durante o atendimento. Trata-se de uma
fatalidade, uma complicação que pode ocorrer em qualquer procedimento
médico, como descrito em literatura especializada. É fundamental que a
justiça, a imprensa e a opinião pública saibam diferenciar entre erro
médico, negligência, complicação de um procedimento e resultado
insatisfatório de um tratamento médico antes de emitir julgamentos
públicos e punições.
Segundo a entidade do Piauí, Dr. Eduardo realizou o procedimento
dentro das normas técnicas exigidas, diagnosticou a intercorrência e
tomou todas as medidas necessárias. Infelizmente, a criança veio a
falecer. É crucial compreender que essa situação está longe de ser um
homicídio, com ou sem dolo. O profissional estava preparado para
apresentar todas as informações necessárias para sua defesa dentro do
processo legal em andamento, respaldado por embasamento técnico e
científico, seguindo os preceitos da ciência e da justiça.
É lamentável e trágico constatar que o médico não estava preparado
para a difamação e a injusta exposição pública. Dr. Eduardo Guimarães
Melo foi encontrado morto na manhã de quinta-feira (29/06) no condomínio
em que morava.
As palavras proferidas e publicadas podem destruir vidas, famílias e
causar danos irreversíveis à sociedade como um todo. Eduardo, um
profissional de excepcional habilidade técnica, responsabilidade e
humanismo, realizou mais de 20 mil procedimentos cirúrgicos ao longo de
sua carreira. Agora, a sociedade é privada de contar com os serviços
desse trabalhador de alto calibre, que contribuiu por mais 25 anos para a
medicina.
Essa é uma especialidade em que o Brasil têm carência de
profissionais, sendo que 70% dos cirurgiões pediátricos do Piauí são
ex-alunos de Eduardo, um dos fundadores do programa de residência médica
de cirurgia pediátrica da UESPI, reconhecido como exemplo de qualidade.
A Associação Médica do Rio Grande do Sul compartilha da certeza de
que Eduardo e a criança que recebeu seu atendimento estejam juntos no
céu, livres de sofrimento e injustiças terrenas. Pedimos reflexão aos
detentores do poder da informação e da justiça sobre a responsabilidade e
a dimensão do que é divulgado. Divulgar de maneira precipitada e
injusta pode trazer consequências trágicas, não apenas para indivíduos
inocentes e suas famílias, mas também para a sociedade como um todo.
Associação Médica do Rio Grande do Sul”

























