As
exportações de couros e peles do Brasil apresentaram crescimento em área e peso
remetidos ao mercado internacional em 2023.
Foram altas de 13,0% em metros
quadrados e 21,5% em toneladas em relação ao balanço de 2022, de acordo com dados oficiais analisados pelo Centro das Indústrias de
Curtumes do Brasil (CICB).
Ao longo de 2023, 81 países compraram couro
brasileiro.
Sobre origens e destinos, as remessas de couro brasileiro para o exterior partiram principalmente do Rio Grande do Sul, que teve participação de 26,7% em 2023. Em seguida, ficou o Paraná (19,0%) e São Paulo (15,6%). Os principais importadores foram: China e Hong Kong (participação de 31,5%), Estados Unidos (16,0%) e Itália (12,1%).
Segundo a análise de Rogério Cunha, da Inteligência Comercial do CICB, o fechamento de 2023 para as exportações do couro brasileiro reflete o ano de muito trabalho do setor. “Com preços em baixa em todo o mundo, tivemos uma sobrecarga adicional de produção para tentar compensar possíveis perdas, mantendo plantas com grande capacidade de entrega e resultados em volumes”, afirma. Conflitos geopolíticos e a retomada posterior das atividades habituais após a pandemia na China (principal mercado para o couro do Brasil) têm influência nos números do país.
CALÇADOS
Diferentemente do couro, os calçados brasileiros tiveram outra trajetória ao longo dos últimos 12 meses. Mas não foi surpresa, pois ao longo do ano passado o cenário estava desenhado.
Resultado das dificuldades nas exportações de calçados e do
aumento da entrada de produtos estrangeiros no Brasil, a balança comercial do
setor caiu 23% ao longo do ano passado.
Dados elaborados pela Associação
Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) apontam que, no ano
passado, as exportações do setor somaram 118,34 milhões de pares e US$ 1,16
bilhão, quedas de 16,6% em volume e de 10,8% em receita em relação a 2022.
Segregando apenas dezembro, a queda foi ainda maior. Os números registrados apontam
a exportação de 7,45 milhões de pares e US$ 73,44 milhões, quedas de 41,5% e de
33,3%, respectivamente, ante o mês correspondente de 2022.
O presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira,
destaca que o movimento de queda era esperado, especialmente diante do
desaquecimento das economias dos Estados Unidos e Europa, com altas taxas de
juros e inflação recorde. “Os Estados Unidos, principal destino do calçado
brasileiro no exterior, puxaram os números ainda mais para baixo. A queda para
aquele mercado foi três vezes maior, em proporção, do que a queda das
exportações em geral”, avalia Ferreira. Além do desaquecimento da economia global,
o dirigente lista a retomada da produção chinesa, que aumentou a concorrência
internacional.
Os principais destinos do calçado brasileiro ao longo de 2023 foram Estados Unidos, Argentina e França.
Entre os Estados, o maior exportador de calçados do Brasil seguiu sendo o Rio Grande do Sul, de
onde foram exportados 35,3 milhões de pares por US$ 544,82 milhões, quedas
tanto em volume (-17,5%) quanto em receita (-11,6%) ante 2022.

























