Com discursos fortes e recados diretos. Assim começou a 39ª edição da Fimec – Feira Internacional de Couros, Produtos Químicos, Componentes, Máquinas e Equipamentos para Calçados e Curtumes. No começo da tarde desta terça-feira, autoridades políticas, líderes setoriais e convidados participaram da cerimônia realizada no Auditório da Fenac, em Novo Hamburgo.
A decepção ficou por conta da ausência do
governador do Estado, José Ivo Sartori (PMDB). Após receber convite em mãos e confirmar presença na Fimec, ele não veio na cerimônia de abertura – está em Brasília. Ele foi representado pelo vice-governador, José Paulo Cairoli (PSD). Por parte dos representantes do governo municipal – do PT – nada foi dito sobre a corrupção no governo federal ou as manifestações contra a presidente Dilma Rousseff e a insatisfação geral com o descontrole da economia brasileira.
A primeira manifestação da tarde colocou o clima de tensão no ar. Representando as entidades parceiras do evento, o presidente da Abrameq, Marlos Schmidt, externou o sentimento de muitos empresários. “Precisamos de governos responsáveis, não que pensem apenas em governar para ganhar votos”, disparou. Ele lembrou que o setor industrial é permanentemente castigado pelos governos e destacou os recentes aumentos, como a tarifa de energia elétrica. “Não dá para aceitar um salário regional eleitoreiro”, completou, numa alusão ao reajuste de 16% concedido pelo ex-governador Tarso Genro e que está sendo discutido na Justiça.
Schmidt mencionou situações que podem favorecer o setor industrial: linhas de crédito a médio e longo prazo com regras claras e segurança tributária. “Se continuarmos com o modelo atual vamos seguir acompanhando a desindustrialização em nosso país”, lamentou. O presidente da Abrameq finalizou convocando os presentes a conjugar o verbo “industrializar” como solução para muitos dos problemas no país e destacou a necessidade de tirar do papel o projeto do Aeroporto 20 de Setembro, em Portão. “O aeroporto não é uma urgência; é uma carência real”, completou.
O diretor-presidente da Fenac, Elivir Desiam, optou pela linha do otimismo e atacou o capital especulativo. Segundo Desiam, a cadeia coureiro-calçadista, diferente de setores como construção civil e automobilístico, não saturou nos últimos anos e tem margem para crescer. “Hoje nossa exportação trabalha com marcas e produtos. Conquistamos mercados com nossos produtos”, lembrou, no momento em que a cotação do dólar ajuda a fortalecer a competitividade do produto brasileiro.
Desiam surpreendeu o público
ao usar
uma nota de 100 reais e um calçado para enfatizar as diferenças entre se investir no capital financeiro e especulativo
O prefeito de Novo Hamburgo, Luis Lauermann (PT), destacou que existe um debate mundial sobre economia globalizada, confrontando setor produtivo x capital especulativo. “A economia mundial vive um monte de estagnação nos últimos anos, e fomos um dos países que melhor enfrentou todos os problemas”, falou, ignorando dezenas de países que vÊm crescendo muito acima do Brasil em anos recentes. Lauermann disse que o Brasil precisa superar este momento de crise para evitar a subordinação à especulação financeira e comemorou o otimismo dos empresários com mais uma Fimec.
O discurso final da tarde foi do vice-governador José Paulo Cairoli. Ele frisou que o governo gaúcho será parceiro para buscar soluções. “As demandas têm local certo para serem recebidas e, não tenho dúvidas, apesar das dificuldades que o Estado enfrenta, buscaremos as saídas. Conforme dissemos na campanha, se o Estado não pode ajudar os empreendedores, não deverá atrapalhá-los”, discursos.
A Fimec começou hoje e se estende até sexta-feira nos pavilhões da Fenac, em Novo Hamburgo. O site do evento é www.fimec.com.br.
























