Foram três dias intensos no Transamerica Expo Center, em São Paulo (SP).
A segunda edição da Brazilian Footwear Show (BFSHOW) movimentou milhares de lojistas do Brasil e do exterior, injetando um dose extra de otimismo para muitos fabricantes de calçados, bolsas e acessórios.
De terça-feira até esta quinta-feira, mais de 300 marcas estiveram expondo suas coleções, com novidades e tendências. Os dezenas de expositores gaúchos tiveram um olhar especial durante o evento, recebendo a solidariedade de muita gente em razão da enchente e relatando as verdadeiras operações de guerra que fizeram para estarem no evento.
Apenas com duas edições realizadas, a BFSHOW está consolidada no mercado de feiras calçadistas do país. E seguirá em São Paulo em suas próximas edições, a partir do pedido de muitos fabricantes e compradores. O evento é uma realização da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) em parceria com a NürnbergMesse Brasil.
BOAS NOTÍCIAS
A reportagem do Portal Martin Behrend esteve em São Paulo acompanhando os três dias de evento. A seguir, são apresentadas as boas notícias que chegam da feira e algumas preocupações do setor calçadista externadas durante a coletiva de imprensa, realizada nesta quarta-feira (22).
– A movimentação de compradores foi acima do esperado. No primeiro dia, historicamente mais tranquilo em eventos do setor, foram filas para acessar a área de exposição. Apenas no primeiro dia, a visitação da 2ª BFSHOW superou os três dias de visitantes da edição inaugural da BFSHOW, realizada na Fiergs, em Porto Alegre, em novembro do ano passado. Com os números fechados dos dois primeiros dias, a projeção de dez mil visitantes foi alcançada.
– O perfil profissional dos visitantes foi elogiado por muitos expositores. Foi uma feira efetivamente de negócios. Algumas marcas já tinham atingido suas projeções de vendas no primeiro dia.

– As perspectivas para 2024 indicam que a produção de calçados no país deve crescer entre 0,9% e 2,2%, puxada, mais uma vez, pelo mercado doméstico. O consumo interno deve ter um incremento entre 2,4% e 3,8%. São números que reforçam as boas oportunidades para o setor.
– A presença de dezenas de compradores internacionais foi comemorada. Além disso, vieram clientes de outros continentes em busca de negócios com marcas brasileiras.
– A solidariedade e a preocupação com o Rio Grande do Sul estiveram em evidências. Varios polos calçadistas de outros Estados enviaram doações. Além disso, foi criado o Movimento Próximos Passos RS. Empresas e entidades do setor se organizaram para captar recursos, que serão gerenciados e executados por entidades de credibilidade, a fim de auxiliar famílias atingidas. Todos podem colaborar: https://martinbehrend.com.br/noticias/noticia/… . Na foto abaixo, expositores com a bandeira do RS:

– Assim como na primeira edição, a organização da feira recebeu elogios por vários procedimentos e práticas que garantiram um ambiente mais profissional ao evento. Desde questões da limpeza, passando pelas informações disponíveis até o atendimento das equipes da Abicalçados e NürnbergMesse Brasil.
– Com a perda de espaço no calendário de feiras tradicionais realizadas em São Paulo, como Couromoda e Francal, havia esse espaço a ser recuperado. O retorno de um grande evento calçadista à capital paulista foi considerado positivo – inclusive por expositores gaúchos, que têm as feiras SICC e Zero Grau perto de casa. A questão da logística e da mobilidade para chegar a São Paulo foi reiteradamente mencionada como fator positivo. Num país continental como o Brasil, ter uma feira mais central permitiu a vinda de lojistas que há anos não apareciam em grandes eventos do setor.
– A estrutura do Transamerica Expo Center foi satisfatória. Mas a feira mudará de casa a partir da terceira edição. A BFSHOW de novembro de 2024 e as duas edições de 2025 está confirmadas no Distrito Anhembi – antigo Complexo do Anhembi. O espaço recebeu pesados investimentos na sua modernização. A expectativa é que esse novo endereço seja ainda mais atrativo para expositores e lojistas. “A logística fica muito favorecida. A próxima edição da feira será realizada entre 11 e 13 de novembro, desta vez no Novo Distrito Anhembi, em São Paulo”, anunciou o CEO da NürnbergMesse Brasil, João Paulo Picolo.
– A presença da feira em São Paulo garante na imprensa uma visibilidade nacional ao setor calçadista. Entrevistas e/ou equipes de reportagem da Globo, SBT, Band, Rede TV, CNN, entre outros veículos de comunicação, permitiram um alcance ainda maior das boas notícias do setor.
– A união do setor calçadista na gestão da feira, com um comitê debatendo diferentes questões e trazendo transparência na tomada de decisões, é outro ponto que foi novamente enaltecido.
PREOCUPAÇÕES DO SETOR
– Após um ano de 2022 que foi o melhor em uma década para as exportações calçadistas do país, os anos de 2023 e 2024 serão de freio nos embarques internacionais. A maior parte dos problemas não está no país. Há um desaquecimento internacional de grandes compradores, seja por questões de conflitos locais ou estoques acima do normal. Neste ano, as exportações devem registrar a segunda queda consecutiva, entre 5% e 9,7%.
– A normalização dos preços do frete – que tem proporcionado a reinserção da China no mercado internacional -, vem impactando na atividade a concorrência desleal com as plataformas internacionais de comércio eletrônico. “Não queremos benefícios, queremos ter condições de paridade para concorrer. Atualmente, a indústria nacional paga impostos em cascata, enquanto essas grandes plataformas enviam suas remessas de até US$ 50 com isenção total de imposto de importação. O fato vem prejudicando o setor”, alertou o presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, ressaltando que a indústria calçadista nacional poderia crescer muito mais no mercado interno, não fosse essa concorrência predatória, especialmente com os calçados asiáticos. “Capacidade de crescer mais, nós temos, o que precisamos é de consumidores para os nossos produtos no mercado interno, inundado por produções asiáticas. Estamos exportando empregos”, concluiu.
– Haroldo Ferreira também falou sobre a desoneração da folha de pagamentos. Após um longo imbróglio com o governo federal, que ajuizou ação no STF para derrubar a renovação da medida, aprovada no Congresso Nacional, foi realizado um acordo com o Ministério da Fazenda para que a cobrança da alíquota sobre a folha de salários seguisse suspensa em 2024, passando a ter cobrança híbrida em 2025, 2026 e 2027, e voltando integralmente em 2028.
– Em relação ao evento, a questão das filas para acessar a BFSHOW no primeiro dia surpreendeu. Muita gente precisou ter paciência no credenciamento, pois o movimento foi acima do projetado. As filas começaram antes da abertura dos portões, às 9 horas, e seguiram até perto do meio-dia. No segundo e terceiro dias não houve esse problema.
O Portal Martin Behrend viajou a São Paulo a convite da organização da BFSHOW.

























