A patinadora Talitha Haas fez por merecer ser a primeira
condutora da Tocha Olímpica pelas ruas de Novo Hamburgo. A atleta da Sociedade
Ginástica é uma guerreira. Talentosa, profissional, dedicada. Já trouxe duas
medalhas de Jogos Pan-Americanos: foi bronze em Guadalajara, no México, em
2011; e prata em Toronto, no Canadá, em 2015. Tem títulos nacionais e
internacionais. Foi medalha de bronze no Campeonato Mundial Júnior, na
Alemanha, em 2009. É uma referência na patinação artística no Brasil e América
do Sul.
Em janeiro deste ano, Talitha chegou a anunciar que iria
abandonar o esporte. Literalmente, penduraria os patins. Faltava apoio. Eram
poucos os patrocinadores. O poder público não dava o devido valor ao seu esforço.
Precisava priorizar os estudos. Mas a paixão pelo esporte falou mais alto. A
ginasticana readequou seu calendário de atividades, deixou a modalidade
individual de lado para atuar em grupo. Talitha segue patinando. É vista
treinando na Ginástica em horários alternativos. E continua encantando,
flutuando e saltando com sua leveza ímpar.
Neste histórico 8 de julho de 2016, quando Novo Hamburgo
viveu o espírito olímpico por cerca de duas horas, com milhares de hamburguenses
saudando a Tocha Olímpica, o mundo do esporte fez uma tremenda justiça. Talitha
Haas, um atleta que vale ouro por toda sua carreira, jamais poderá participar de uma Olimpíada, pois
sua modalidade não está presente nas disputas – somente a patinação artística
no gelo está nos Jogos Olímpicos de Inverno. Hoje, contudo, ela sentiu o prazer
de conduzir um símbolo mundial dos Jogos Olímpicos.
Valeu pela emoção das crianças. Valeu pelo espírito
olímpico. Valeu pelo brilho no olho de jovens praticantes de esportes que um
dia poderão estar defendendo o Brasil nos Jogos Olímpicos. E, claro, valeu pela
Talitha.
PS: Novo Hamburgo esqueceu esportistas ilustres na passagem da Tocha. Erro. Novo Hamburgo poderia ter se preparado melhor em relação ao trânsito. Erro. Novo Hamburgo maquiou a cidade pra receber a Tocha, quando isso deveria ter sido feito há meses ou anos para beneficiar a comunidade – e não a Tocha. Erro. Novo Hamburgo precisa tirar lições desses episódios se quiser ser mais eficiente em outros eventos.
PS 2: A foto principal dessa reportagem e a maioria das fotos nos anexos são de Gérson de Oliveira. Outras imagens foram colhidas nas redes sociais de hamburguenses.
























