Nos últimos meses, a população de Novo Hamburgo vem acompanhando com apreensão uma série de incêndios em diferentes empreendimentos e estabelecimentos da cidade.
São casos que chamam a atenção em razão de circunstâncias que não estão sendo de imediata compreensão das causas e/ou motivações. Há uma sensação velada de atos com a intenção de intimidar e espalhar o terror em setores da comunidade.
Entre revendas e oficinas de veículos em Novo Hamburgo, são quatro casos em menos de dois meses. Dezenas de veículos foram queimados num prejuízo milionário aos empreendedores. Os mais recentes foram registrados nesta semana, no bairro Canudos. Também houve um caso em estabelecimento na Avenida 1º de Março, no bairro Pátria Nova, e de uma oficina no bairro Canudos dentro dessa estatística das últimas semanas.
Já nos últimos oito meses, foram ao menos quatro incêndios em empresas/indústrias que são fornecedoras do setor coureiro-calçadista. As chamas começaram em circunstâncias que, em alguns casos, sugerem que houve intenção criminosa.
Também há casos de comércios e residências tomados por chamas numa contabilidade que aumenta os prejuízos. Um dos casos que mais chamaram a atenção foi um comércio localizado na Avenida 1º de Março, no Centro, em frente à Praça do Imigrante.
Em algumas dessas ocorrências, o Corpo de Bombeiros de Novo Hamburgo precisou de reforço de equipes de municípios vizinhos para ter um combate mais ágil e eficiente.
APURAÇÃO
O Portal Martin Behrend vem acompanhando essa escalada dos incêndios a fim de entender se existe alguma conexão, intenção ou são apenas fatalidades nestas ocorrências. Ou, numa outra linha de apuração, se foram questões de precariedade ou problemas estruturais nos locais atingidos.
Para esta reportagem, foram consultadas fontes da Polícia Civil, empresários ou funcionários dos negócios atingidos e um especialista em segurança pública que acompanha o noticiário policial no Vale do Sinos. Nesta busca por entendimento sobre a existência de algo intencional relacionado aos incêndios vem uma realidade comum: o silêncio e as informações reduzidas.
Seja pelo abalo com os prejuízos ou por outras questões pessoais, nem todos que tiveram seus empreendimentos atacados gostam de falar publicamente sobre a origem do incêndio. Em pelo menos três ataques às revendas, imagens de câmeras de monitoramento flagraram homens envolvidos, seja espalhando combustível ou arremessando coquetéis molotov. Os flagrantes não deixam dúvidas: nestes estabelecimentos foram ataques criminosos.
Diante dessa confirmação, é fundamental apurar quais as intenções destas práticas criminosas que provocaram milhões de reais em prejuízos. Pedágio exigido por facções criminosas? Vingança dentro da concorrência de segmentos? Disputa por domínio de territórios? Desocupados querendo chamar a atenção? Qual a intenção com esses ataques criminosos?
As respostas para esses questionamentos ainda não estão claras. A Polícia Civil vem buscando reunir elementos concretos e está ouvindo fontes que podem colaborar – incluindo os empreendedores que tiveram seus negócios atacados. Contudo, até para não atrapalhar ou vazar o trabalho dos investigadores, poucas informações são compartilhadas.
POLÍCIA CIVIL
Diante do cenário que angustia e preocupa a população de Novo Hamburgo, a Polícia Civil solicita que as pessoas procurem uma Delegacia de Polícia caso tenham informações sobre suspeitos envolvidos, movimentações suspeitas, ameaças recebidas ou pistas que possam colaborar nas investigações. “Sei que as pessoas ficam assustadas com estas ocorrências. Mas precisamos que a comunidade colabore. Podem ter feito uma foto, vídeo, ouviram algo. Cada detalhe pode ajudar”, destaca um policial.
Vale lembrar que, em agosto deste ano, a Polícia Civil prendeu, em Novo Hamburgo, um empresário calçadista de 47 anos. Ele foi acusado pelos policiais de liderar um esquema de extorsão. Conforme as investigações, o grupo liderado pelo empresário cobrava um pedágio de cerca de 80 revendas de veículos em Novo Hamburgo, Estância Velha e Portão para garantir proteção e impedir ataques. No total, foram presas seis pessoas deste grupo acusado de cobrar pedágio de empreendedores.
Também é possível denunciar por outros caminhos, onde o anonimato é garantido:
- Site da Polícia Civil para denúncias – https://www.pc.rs.gov.br/faca-uma-denuncia
- Disque-Denúncia: 181
- WhatsApp/Telegram da Polícia Civil: (55) 98454-1004


























